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 Recbeat desembarca na Alfandega

12/02/2004

 

 

Cia de Dança de Tuparetama
 

SCHNEIDER CARPEGGIANI

   A coroação do tal do Olinda original style do Eddie, o poder feminino dos morros cariocas de Nega Gizza, a nova persona de DJ Dolores, que descarta a sua premiada Orchestra Santa Massa e encarna o projeto Aparelhagem, com um nome ‘sampleado’ das festas de techno brega do Pará, e a versão eletrônica da diva dos anos 70 e começo dos 80, a rainha dos jurados da voz grave Maria Alcina, acompanhada do grupo Bojo. Essas são algumas das atrações da nona edição do Festival Recbeat, o glacê pop/contemporâneo do Carnaval do Recife, que agora abandona (a já um tanto abandonada) Rua da Moeda e faz sua festa com vista para o Capibaribe.

   O Recbeat irá se instalar na Av. Cais da Alfândega, ao lado do Rio Capibaribe, em uma área com capacidade para receber 20 mil pessoas por dia. “A razão da mudança é bem simples: a Rua da Moeda não tinha mais capacidade de receber o festival, porque ele cresceu muito. Se você olhar uma foto do ano passado do Recbeat, irá ver que ali não cabe nem mais uma formiga. Isso estava prejudicando a visualização dos shows e o conforto das pessoas”, atesta o produtor do evento, Guty.

   A mudança de endereço do Recbeat não deixa de ser significativa para a própria logística do Carnaval no Bairro do Recife. Em 1999, na sua primeira edição fora de Olinda (onde começou a ser realizado), o sucesso do evento trouxe com ele o impulso que o bairro precisava para se tornar uma opção para o folião, que não queria encarar o fenômeno ‘quanta ladeira’ que é a lotada Cidade Monumento.

   Um dos principais destaques da programação deste ano é o retorno da Nação Zumbi, que não toca no Recbeat desde 1999 – “acho que a presença da Nação se justifica pelo seu conjunto de obra”, pontua Guty. Outra banda pernambucana ‘premiada’ no festival é a Eddie, que pela primeira vez recebe as honras de fechar uma noite. Justiça seja feita. A Eddie com o seu segundo CD, Olinda Original Style, não só conseguiu a façanha de se reformular, como agregou diversos públicos (ao lado do povo mangue e das meninas de Olinda, vieram também os playboys/girls e vários curiosos em geral) à sua platéia cativa.

   “A proposta do Recbeat é ter como fio condutor o trabalho das bandas pernambucanas. Essa é a minha principal preocupação.”

   A nona edição do Recbeat volta a contar com estrangeiros na programação. Tem o Bernie’s Lounge, da Holanda, e o Abuela Coca, do Uruguai. Um nome que Guty gostaria de ter trazido é o mexicano Café Tacuba. Um sonho antigo do produtor. “Há anos que eu tento, mas quem sabe em 2005? Quero sempre contar com atrações da América Latina.”

   A MINA – Assim como nas suas últimas edições, o Recbeat volta a trazer para o Recife um nome da cena hip hop. Depois de Xis e MV Bill, agora é a vez de Nega Gizza, que trouxe uma visão femini(sta)na ao clube do bolinha dos rappers brasileiros com o hit Prostituta, em que personifica na letra da música o cotidiano da (assim como reza o tal do inevitável do clichê) ‘profissão mais antiga do mundo’.

   “Recife é uma Cidade que tem uma grande platéia que gosta de hip hop, mas não são comuns os shows dos artistas desse gênero por aqui. Como o Recbeat é um festival armado com o dinheiro público (o evento é feito em parceria com a Prefeitura), é importante procurar prestigiar todos os segmentos”, completa Guty.

   Além dos shows, o festival irá contar com os seus agregados sagrados: o Recbitinho, voltado ao público infantil, o bloco Quanta Ladeira, os desfiles de moda de estilistas locais e a tenda eletrônica, que irá começar após as apresentações. Pela tenda este ano passam desde o Projeto Sem Noção (o núcleo de DJs formado por Renato L., Baiano e Pedrosa) ao DJ Jeromi, que toca no inflado restaurante/boate francês Favela Chic, onde Paris se torna um pouquinho brasileira.

(© Jornal do Commercio-PE)


Surpresas no palco do Rec Beat

Festival estréia no Cais da Alfândega e mantém proposta de reunir cena musical independente

Michelle de Assumpção
Da equipe do DIARIO

   Conceitos sobre música independente e circuito off mídia estarão com tudo em plena efervescência do Carnaval do Recife. Em meio a programação de blocos de frevo, maracatu, caboclinho, um festival pinça na cena contemporânea da cidade o que há de mais especial, irreverente, que pode não se confirmar com uma atração explosiva, mas certamente despertará comentários e deixará satisfeito ouvintes cansados da mesmice das rádios e da MTV. Assim vem sendo o Rec Beat, que na edição 2004 confirma seu caráter independente e criativo. Os shows acontecerão entre os dias 21 e 24 de fevereiro, pela primeira vez, no Cais da Alfândega (ao lado do Paço).

   A maioria das atrações são desconhecidas, mas segundo o produtor Antônio Gutierrez, o Gutie, serão surpreendentes. O Festival, que há dois anos foi incluído na programação oficial do Carnaval do Recife, é patrocinado pela Prefeitura da cidade. É o único, entre todos os pólos de Carnaval, que conta com uma produção própria. Gutie, que idealizou o festival há nove anos, diz que não pensou em nomes para o festival, mas em conceitos. "Tô pensando em qualidade, o festival tem essa coisa de catalização, o público sabe que se está no Rec Beat é porque é legal. Vou surpreender muita gente", aposta o produtor.

   Sem depender de bilheteria, o Rec Beat pode de fato ser um festival revelador. Como já foi, aliás, em edições passadas, quando deu mais vitrine aos talentos de Paula Lima, Funk Como Le Gusta, Sonic Jr., Vado e, o maior orgulho de Gutie, o Cordel do Fogo Encantado, recém-chegado da sertaneja Arcoverde. Gutie hesita em apontar nomes que podem sair vitoriosos do festival, são muitos, espera ele. Astronautas entrou numa turnê pelo Sul do País, ano passado, e tem o mérito de ter trabalhado bastante; assim como o pessoal da Eddie que, na visão de Gutie, evoluiu em palco e está sendo reconhecido por isso, fechando o domingo do Rec Beat.

   Os holandeses da Bernie's Lounge são os responsáveis pela rede de informações a ser firmada no Carnaval por músicos de diversas partes do País e domundo. Para se ter uma idéia, os caras já estão na cidade a fim de trocar experiências. Rogério Skylab é hype no Rio de Janeiro. Seu som é pesado, suas letras, escatológicas. Está fazendo um sucesso enorme. Lanlan foi percussionista de Cássia Eller, mas não por isso. A moça é super do bem, lançou disco personalíssimo, e vem com uma banda afiadíssima.

   A paraibana Eleonora toca uma sofisticada MPB, faz umas bossas eletrônicas, e interpreta e canta muito bem suas próprias canções. DJ Dolores vem mostrar sua nova experiência, discotecagem com banda ao vivo, dessa vez, com nova formação, preservando parceiros essenciais, como a cantora Isaar. Nega Gizza é a promessa do Rec Beat. Ano passado, o momento hip hop do festival ficou por conta de MV Bill, que é o padrinho da moça. Coincidência estar Gizza este ano? Bom, o fato é que a negona escancara. Ainda do soul, blues, ect, o bluesman americano Kenny Brown promete também um momento sofisticado do Rec Beat. O cara, uma sumidade em Nova Orleans, será acompanhado pelo Uptopwn Band.

   Tem ainda Tira Poeira, anunciada pelo festival como a nova vertente do samba carioca. A paulista Maria Alcina vai misturar seu estilo e repertório anos 60 com a modernidade da banda Bojo. Não se pode esquecer os malucos do Abuela Coca, uma banda uruguaia, que mescla linguagem rap com sonoridades tradicionais do seus país. Segundo Guti, a primeira abertura do Rec Beat para nossos vizinhos, relação que promete ficar mais íntima nos próximos anos.


Programe-se

SÁBADO

- Devotos (PE)
- Lanlan e os Elaines (RJ)
- A Roda (PE)
- Narguil× Hidromecânico (PI)
- Astronautas (PE)
- Alafin Oyó (PE)
- DJ Felipe Falcão (nos intervalos entre as bandas)
- Desfile de Moda (Marcelo Taubert)
- DJs Renato L. Bruno Pedrosa e Baiano

DOMINGO

- Eddie (PE)
- Bernie's Lounge (HOL)
- Rogério Skylab (RJ)
- Maciel Salu (PE)
- Eleonora Falcone (PB)
- União 7 Flexas de Goiana (PE)
- DJ Duda (nos intervalos entre as bandas)
- Quanta Ladeira (concentração)
- Desfile de Moda (Andréa Monteiro)
- DJ Dolores (PE)
- DJ Jeromi (Favela Chic) (FR)

SEGUNDA-FEIRA

- DJ Dolores & Aparelhagem (PE)
- Nega Gizza (RJ)
- Kenny Brown (EUA)
- Tira Poeira (RJ)
- Refinaria (PE)
- Maracatu Nação Porto Rico (PE)
- DJ Marc Regnier (nos intervalos entre as bandas)
- Cia. de Dança Popular de Tuparetama (PE)
- Desfile de Moda (Paulo Ricardo)
- DJ Big (PE)
- DJ Negralha (Rappa) (RJ)

TERÇA-FEIRA

- Nação Zumbi (PE)
- Abuela Coca (URG)
- Bojo e MariaAlcina (SP)
- Samba de Coco Raízes de Arcoverde (PE)
- Zambo (PE)
- Maractu Estrela Brilhante de Nazaré da Mata (PE)
- DJ Bruno Pedrosa
- Desfile de Moda (Thays Asfora)
- DJ Tarzan (PE)
- DJ Dan Nantis (FRA)

(© Pernambuco.com)

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Com relação a este tema, saiba mais (arquivo NordesteWeb)


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