SCHNEIDER CARPEGGIANI
A coroação do tal do Olinda original style do Eddie, o poder feminino
dos morros cariocas de Nega Gizza, a nova persona de DJ Dolores, que
descarta a sua premiada Orchestra Santa Massa e encarna o projeto
Aparelhagem, com um nome ‘sampleado’ das festas de techno brega do Pará, e a
versão eletrônica da diva dos anos 70 e começo dos 80, a rainha dos jurados
da voz grave Maria Alcina, acompanhada do grupo Bojo. Essas são algumas das
atrações da nona edição do Festival Recbeat, o glacê pop/contemporâneo do
Carnaval do Recife, que agora abandona (a já um tanto abandonada) Rua da
Moeda e faz sua festa com vista para o Capibaribe.
O Recbeat irá se instalar na Av. Cais da Alfândega, ao lado do Rio
Capibaribe, em uma área com capacidade para receber 20 mil pessoas por dia.
“A razão da mudança é bem simples: a Rua da Moeda não tinha mais capacidade
de receber o festival, porque ele cresceu muito. Se você olhar uma foto do
ano passado do Recbeat, irá ver que ali não cabe nem mais uma formiga. Isso
estava prejudicando a visualização dos shows e o conforto das pessoas”,
atesta o produtor do evento, Guty.
A mudança de endereço do Recbeat não deixa de ser significativa para a
própria logística do Carnaval no Bairro do Recife. Em 1999, na sua primeira
edição fora de Olinda (onde começou a ser realizado), o sucesso do evento
trouxe com ele o impulso que o bairro precisava para se tornar uma opção
para o folião, que não queria encarar o fenômeno ‘quanta ladeira’ que é a
lotada Cidade Monumento.
Um dos principais destaques da programação deste ano é o retorno da Nação
Zumbi, que não toca no Recbeat desde 1999 – “acho que a presença da Nação se
justifica pelo seu conjunto de obra”, pontua Guty. Outra banda pernambucana
‘premiada’ no festival é a Eddie, que pela primeira vez recebe as honras de
fechar uma noite. Justiça seja feita. A Eddie com o seu segundo CD, Olinda
Original Style, não só conseguiu a façanha de se reformular, como agregou
diversos públicos (ao lado do povo mangue e das meninas de Olinda, vieram
também os playboys/girls e vários curiosos em geral) à sua platéia cativa.
“A proposta do Recbeat é ter como fio condutor o trabalho das bandas
pernambucanas. Essa é a minha principal preocupação.”
A nona edição do Recbeat volta a contar com estrangeiros na programação.
Tem o Bernie’s Lounge, da Holanda, e o Abuela Coca, do Uruguai. Um nome que
Guty gostaria de ter trazido é o mexicano Café Tacuba. Um sonho antigo do
produtor. “Há anos que eu tento, mas quem sabe em 2005? Quero sempre contar
com atrações da América Latina.”
A MINA – Assim como nas suas últimas edições, o Recbeat volta a
trazer para o Recife um nome da cena hip hop. Depois de Xis e MV Bill, agora
é a vez de Nega Gizza, que trouxe uma visão femini(sta)na ao clube do
bolinha dos rappers brasileiros com o hit Prostituta, em que personifica na
letra da música o cotidiano da (assim como reza o tal do inevitável do
clichê) ‘profissão mais antiga do mundo’.
“Recife é uma Cidade que tem uma grande platéia que gosta de hip hop, mas
não são comuns os shows dos artistas desse gênero por aqui. Como o Recbeat é
um festival armado com o dinheiro público (o evento é feito em parceria com
a Prefeitura), é importante procurar prestigiar todos os segmentos”,
completa Guty.
Além dos shows, o festival irá contar com os seus agregados sagrados: o
Recbitinho, voltado ao público infantil, o bloco Quanta Ladeira, os desfiles
de moda de estilistas locais e a tenda eletrônica, que irá começar após as
apresentações. Pela tenda este ano passam desde o Projeto Sem Noção (o
núcleo de DJs formado por Renato L., Baiano e Pedrosa) ao DJ Jeromi, que
toca no inflado restaurante/boate francês Favela Chic, onde Paris se torna
um pouquinho brasileira.
(©
Jornal do Commercio-PE)
Surpresas no palco do Rec Beat
Festival estréia no Cais
da Alfândega e mantém proposta de reunir cena musical independente
Michelle de Assumpção
Da equipe do DIARIO
Conceitos sobre música independente e
circuito off mídia estarão com tudo em plena efervescência do Carnaval do
Recife. Em meio a programação de blocos de frevo, maracatu, caboclinho, um
festival pinça na cena contemporânea da cidade o que há de mais especial,
irreverente, que pode não se confirmar com uma atração explosiva, mas
certamente despertará comentários e deixará satisfeito ouvintes cansados da
mesmice das rádios e da MTV. Assim vem sendo o Rec Beat, que na edição 2004
confirma seu caráter independente e criativo. Os shows acontecerão entre os
dias 21 e 24 de fevereiro, pela primeira vez, no Cais da Alfândega (ao lado
do Paço).
A maioria das atrações são desconhecidas, mas segundo o produtor Antônio
Gutierrez, o Gutie, serão surpreendentes. O Festival, que há dois anos foi
incluído na programação oficial do Carnaval do Recife, é patrocinado pela
Prefeitura da cidade. É o único, entre todos os pólos de Carnaval, que conta
com uma produção própria. Gutie, que idealizou o festival há nove anos, diz
que não pensou em nomes para o festival, mas em conceitos. "Tô pensando em
qualidade, o festival tem essa coisa de catalização, o público sabe que se
está no Rec Beat é porque é legal. Vou surpreender muita gente", aposta o
produtor.
Sem depender de bilheteria, o Rec Beat pode de fato ser um festival
revelador. Como já foi, aliás, em edições passadas, quando deu mais vitrine
aos talentos de Paula Lima, Funk Como Le Gusta, Sonic Jr., Vado e, o maior
orgulho de Gutie, o Cordel do Fogo Encantado, recém-chegado da sertaneja
Arcoverde. Gutie hesita em apontar nomes que podem sair vitoriosos do
festival, são muitos, espera ele. Astronautas entrou numa turnê pelo Sul do
País, ano passado, e tem o mérito de ter trabalhado bastante; assim como o
pessoal da Eddie que, na visão de Gutie, evoluiu em palco e está sendo
reconhecido por isso, fechando o domingo do Rec Beat.
Os holandeses da Bernie's Lounge são os responsáveis pela rede de
informações a ser firmada no Carnaval por músicos de diversas partes do País
e domundo. Para se ter uma idéia, os caras já estão na cidade a fim de
trocar experiências. Rogério Skylab é hype no Rio de Janeiro. Seu som é
pesado, suas letras, escatológicas. Está fazendo um sucesso enorme. Lanlan
foi percussionista de Cássia Eller, mas não por isso. A moça é super do bem,
lançou disco personalíssimo, e vem com uma banda afiadíssima.
A paraibana Eleonora toca uma sofisticada MPB, faz umas bossas
eletrônicas, e interpreta e canta muito bem suas próprias canções. DJ
Dolores vem mostrar sua nova experiência, discotecagem com banda ao vivo,
dessa vez, com nova formação, preservando parceiros essenciais, como a
cantora Isaar. Nega Gizza é a promessa do Rec Beat. Ano passado, o momento
hip hop do festival ficou por conta de MV Bill, que é o padrinho da moça.
Coincidência estar Gizza este ano? Bom, o fato é que a negona escancara.
Ainda do soul, blues, ect, o bluesman americano Kenny Brown promete também
um momento sofisticado do Rec Beat. O cara, uma sumidade em Nova Orleans,
será acompanhado pelo Uptopwn Band.
Tem ainda Tira Poeira, anunciada pelo festival como a nova vertente do
samba carioca. A paulista Maria Alcina vai misturar seu estilo e repertório
anos 60 com a modernidade da banda Bojo. Não se pode esquecer os malucos do
Abuela Coca, uma banda uruguaia, que mescla linguagem rap com sonoridades
tradicionais do seus país. Segundo Guti, a primeira abertura do Rec Beat
para nossos vizinhos, relação que promete ficar mais íntima nos próximos
anos.
Programe-se
SÁBADO
- Devotos (PE)
- Lanlan e os Elaines (RJ)
- A Roda (PE)
- Narguil× Hidromecânico (PI)
- Astronautas (PE)
- Alafin Oyó (PE)
- DJ Felipe Falcão (nos intervalos entre as
bandas)
- Desfile de Moda (Marcelo Taubert)
- DJs Renato L. Bruno Pedrosa e Baiano
DOMINGO
- Eddie (PE)
- Bernie's Lounge (HOL)
- Rogério Skylab (RJ)
- Maciel Salu (PE)
- Eleonora Falcone (PB)
- União 7 Flexas de Goiana (PE)
- DJ Duda (nos intervalos entre
as bandas)
- Quanta Ladeira (concentração)
- Desfile de Moda (Andréa Monteiro)
- DJ Dolores (PE)
- DJ Jeromi (Favela Chic) (FR)
SEGUNDA-FEIRA
- DJ Dolores & Aparelhagem (PE)
- Nega Gizza (RJ)
- Kenny Brown (EUA)
- Tira Poeira (RJ)
- Refinaria (PE)
- Maracatu Nação Porto Rico (PE)
- DJ Marc Regnier (nos intervalos entre
as bandas)
- Cia. de Dança Popular de Tuparetama (PE)
- Desfile de Moda (Paulo Ricardo)
- DJ Big (PE)
- DJ Negralha (Rappa) (RJ)
TERÇA-FEIRA
- Nação Zumbi (PE)
- Abuela Coca (URG)
- Bojo e MariaAlcina (SP)
- Samba de Coco Raízes de Arcoverde (PE)
- Zambo (PE)
- Maractu Estrela Brilhante de Nazaré da Mata (PE)
- DJ Bruno Pedrosa
- Desfile de Moda (Thays Asfora)
- DJ Tarzan (PE)
- DJ Dan Nantis (FRA)
(© Pernambuco.com)