Designer pernambucano faz resgate
histórico a partir do traçado arquitetônico de 11 capitais brasileiras
Augusto Pinheiro
Da equipe do DIARIO
Em comemoração
aos 450 anos da maior cidade da América Latina, o designer pernambucano
Terciano Torres, 37, lançou o livro São Paulo - Pátio do Colégio - Uma
História Ilustrada a Bico de Pena (editora Globo), que mostra a evolução da
cidade, de 1553 a 2004, por meio de 51 desenhos do Pátio do Colégio, onde a
cidade começou, e arredores.
Agora o artista, que vive entre Recife e São
Luís (MA), pretende montar aqui uma exposição com desenhos da capital
pernambucana seguindo o mesmo padrão. Os painéis mostram Recife de 1535 a
2003, vista pelo mesmo ângulo do Marco Zero (do mar para o Interior). A
mostra ainda não tem patrocínio.
No seu trabalho, Terciano usa bico de pena a
nanquim em papel canson de 1,20 m x 1 m. Para montar os cenários, ele fez
pesquisas em bibliotecas, museus e universidades e utilizou materiais
iconográficos, como pinturas, fotografias, mapas e postais.
Em ordem cronológica, o primeiro desenho do
Marco Zero, em 1535, antes da fundação da cidade, mostra uma paisagem com
índios e colonizadores. "Como, nesse caso, não havia registros visuais,
utilizei a licença poética", conta Terciano.
Os 50 desenhos se sucedem mostrando as
transformações da cidade acompanhadas por referências a fatos políticos,
acontecimentos históricos e sociais e personalidades ilustres.
Personagens da história da cidade, como
Maurício de Nassau, que governou Pernambuco durante a invasão holandesa
(1630-1654), o pintor holandês Frans Post e o cangaceiro Lampião, ao lado de
pessoas comuns, aparecem em primeiro plano, caricaturados, com o cenário ao
fundo.
Interessante é perceber as mudanças
arquitetônicas da cidade, para o bem e para o mal, ao longo de mais de
quatro séculos. Terciano lamenta, por exemplo, a demolição do casario do
Recife Antigo, em 1912. "Isso é uma 'jumentice'", diz o pernambucano. "Às
vezes nem o próprio recifense sabe que aqueles prédios são, na verdade,
imitações francesas de 1913."
A sucessão de ilustrações mostram
acontecimentos diretamente ligados à cidade, como o ciclo da cana de
açúcar,a invasão holandesa (1630), a chegada dos judeus e a primeira
sinagoga das Américas (1636), a construção da primeira ponte do Brasil
(1643), a peste de 1869, a passagem do zepelim em 1936, etc.
Com traços delicados e detalhistas, os desenhos
adquirem feições rococó e barroca -escolas caracterizadas pelo excesso de
ornamentações. O humor também está presente. Se a exposição vingar, eles
serão colorizados.
O livro de Terciano sobre São Paulo foi lançado
no mês passado. Começa em 1553, um ano antes da fundação da cidade, com
índios e jesuítas no alto de uma colina, onde seriam construídos o colégio e
a igreja jesuíticos. Termina com a megalópole verticalizada, com o Museu de
Anchieta ocupando o prédio histórico.
Assim como no trabalho sobre Recife, as
ilustrações de São Paulo estão recheadas de referências históricas,
culturais, sociais e políticas. No livro, elas vêm acompanhadas de textos
escritos pela equipe da Companhia da Memória. O livro vai virar exposição,
mês que vem, no Museu de Anchieta, e CD-ROM, com imagens animadas.
Até 2005, a editora Globo lança mais três
livros de Terciano sobre São Paulo, capturando as transformações da Praça da
Sé, do Viaduto do Chá e do edifício Martinelli, o primeiro arranha-céu da
América do Sul.
Tanto as ilustrações de São Paulo quanto as
de Recife são frutos de um projeto que Terciano iniciou há seis anos,
através da sua empresa, Cartum Postal, para documentar a história de 11
capitais brasileiras.
A primeira foi São Luís (MA), onde
ele mora. O resultado saiu encartado no jornal O Estado do Maranhão, em
1997, ano em que a cidade ganhou o título de Patrimônio Cultural da
Humaninade, da Unesco. Além dessas três, já estão prontos os projetos de
Salvador, Rio e Brasília.
Serviço
São Paulo - Pátio do Colégio
Terciano Torres
Editora Globo
112 págs., R$ 75,00
(©
Pernambuco.com)