Grande parte do acervo
cinematográfico pernambucano está sendo avaliado para que, posteriormente,
possa ser catalogado e restaurado pela Cinemateca Nacional. Francisco Matos
e Fernanda Coelho, da divisão de preservação da instituição, estão no Recife
realizando palestras e visitas técnicas a estabelecimentos que possuem
material relevante, em película, das mais variadas bitolas. Entre os espaços
visitados, estão Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), Instituto Lula Cardoso
Ayres, Chesf, Centro Josué de Castro e Museu da Imagem e do Som de
Pernambuco (Mispe).
A visita integra um convênio da
Cinemateca Nacional com a Secretaria para o Desenvolvimento das Artes
Audiovisuais, do Ministério da Cultura, e tem o objetivo de descentralizar o
trabalho da instituição, que estava restrito ao eixo Rio-São Paulo. Recife é
a segunda cidade a ser visitada. A primeira foi Curitiba e outras três
capitais farão parte do roteiro de Francisco e Fernanda. “Além de palestras
de orientação para a preservação do acervo, fazemos um levantamento do que
foi produzido, o que sobreviveu e qual o estado de conservação.
Posteriormente vamos disponibilizar o material na Cinemateca Nacional e
providenciar uma duplicação emergencial dos títulos”, explicou Fernanda
Coelho.
Os dois integrantes da Cinemateca
ficaram impressionados com o acervo existente na capital pernambucana. “É
bem maior do que nós esperávamos”, afirmou Francisco. Segundo os dois
pesquisadores, 93% do que foi feito no cinema mudo brasileiro se perdeu.
“Recife foi quem melhor preservou as películas de filmes não falados. Dos
vários ciclos regionais que existiram no Brasil na década de 20, o Ciclo do
Recife foi o que conservou maior número de obras,”, disse Francisco. Muitos
destes filmes encontram-se no acervo da Fundaj, que deve sofrer uma reforma
para melhor acomodar as raridades.
Outros dois acervos que
impressionaram Francisco e Fernanda foram o Instituto Lula Cardoso Ayres e a
Chesf. No primeiro, foram encontrados cerca de 100 cópias únicas de filmes
nacionais mudos, não necessariamente rodados no Estado. “A cinemateca nem
imaginava que poderia encontrar este tesouro aqui”, afirmou Fernanda. Na
Chesf, há um enorme material de documentários realizados em 16mm e 35mm.
Filmados entre 1948 e meados dos anos 80, contam grande parte da história da
Companhia, mostrando a construção das usinas hidrelétricas e a formação das
cidades que surgiam ao redor destas “fábricas de energia”.
Ricardo Selva, representante da
Chesf, afirmou que é imprescindível a ajuda da cinemateca para a preservação
deste material. “A assessoria deles é fundamental, estamos sensibilizados
com a orientação”, afirmou Ricardo. Ele disse ainda que a Chesf continua
registrando suas atividades, só que em vídeo. A Cinemateca também pretende
trabalhar com títulos em vídeo, no entanto, obras em película, agora, são a
principal preocupação.
André Gil, um dos responsáveis
pelos filmes da Fundação Joaquim Nabuco, afirmou que a instituição estava
muito feliz em ser anfitriã desta visita. “Conseguimos reunir representantes
de várias entidades que enfrentam os mesmos problemas, e pretendem
resolvê-los, para poder manter viva a memória em movimento da história de
Pernambuco”, afirma André que, no ano passado, participou de um workshop
realizado pela Cinemateca. Fernanda Coelho e Francisco Matos realizarão um
relatório sobre a situação dos documentos cinematográfico no Estado e
pretendem voltar para visitar outros acervos, como o da TV Jornal do
Commercio, Fundação de Cultura do Recife e TV Universitária.
(©
Jornal do Commercio-PE)