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 Acervo de películas do Recife está sob avaliação

12/02/2004

 

 

DVD com os filmes Aitaré da Praia, de Gentil Ruiz e A Filha do Advogado, de Jota Soares, ambos de 1926
 

Especialistas do Rio de Janeiro estudam a situação de arquivos cinematográficos pernambucanos

RAFAEL GUERRA

   Grande parte do acervo cinematográfico pernambucano está sendo avaliado para que, posteriormente, possa ser catalogado e restaurado pela Cinemateca Nacional. Francisco Matos e Fernanda Coelho, da divisão de preservação da instituição, estão no Recife realizando palestras e visitas técnicas a estabelecimentos que possuem material relevante, em película, das mais variadas bitolas. Entre os espaços visitados, estão Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), Instituto Lula Cardoso Ayres, Chesf, Centro Josué de Castro e Museu da Imagem e do Som de Pernambuco (Mispe).

   A visita integra um convênio da Cinemateca Nacional com a Secretaria para o Desenvolvimento das Artes Audiovisuais, do Ministério da Cultura, e tem o objetivo de descentralizar o trabalho da instituição, que estava restrito ao eixo Rio-São Paulo. Recife é a segunda cidade a ser visitada. A primeira foi Curitiba e outras três capitais farão parte do roteiro de Francisco e Fernanda. “Além de palestras de orientação para a preservação do acervo, fazemos um levantamento do que foi produzido, o que sobreviveu e qual o estado de conservação. Posteriormente vamos disponibilizar o material na Cinemateca Nacional e providenciar uma duplicação emergencial dos títulos”, explicou Fernanda Coelho.

   Os dois integrantes da Cinemateca ficaram impressionados com o acervo existente na capital pernambucana. “É bem maior do que nós esperávamos”, afirmou Francisco. Segundo os dois pesquisadores, 93% do que foi feito no cinema mudo brasileiro se perdeu. “Recife foi quem melhor preservou as películas de filmes não falados. Dos vários ciclos regionais que existiram no Brasil na década de 20, o Ciclo do Recife foi o que conservou maior número de obras,”, disse Francisco. Muitos destes filmes encontram-se no acervo da Fundaj, que deve sofrer uma reforma para melhor acomodar as raridades.

   Outros dois acervos que impressionaram Francisco e Fernanda foram o Instituto Lula Cardoso Ayres e a Chesf. No primeiro, foram encontrados cerca de 100 cópias únicas de filmes nacionais mudos, não necessariamente rodados no Estado. “A cinemateca nem imaginava que poderia encontrar este tesouro aqui”, afirmou Fernanda. Na Chesf, há um enorme material de documentários realizados em 16mm e 35mm. Filmados entre 1948 e meados dos anos 80, contam grande parte da história da Companhia, mostrando a construção das usinas hidrelétricas e a formação das cidades que surgiam ao redor destas “fábricas de energia”.

   Ricardo Selva, representante da Chesf, afirmou que é imprescindível a ajuda da cinemateca para a preservação deste material. “A assessoria deles é fundamental, estamos sensibilizados com a orientação”, afirmou Ricardo. Ele disse ainda que a Chesf continua registrando suas atividades, só que em vídeo. A Cinemateca também pretende trabalhar com títulos em vídeo, no entanto, obras em película, agora, são a principal preocupação.

   André Gil, um dos responsáveis pelos filmes da Fundação Joaquim Nabuco, afirmou que a instituição estava muito feliz em ser anfitriã desta visita. “Conseguimos reunir representantes de várias entidades que enfrentam os mesmos problemas, e pretendem resolvê-los, para poder manter viva a memória em movimento da história de Pernambuco”, afirma André que, no ano passado, participou de um workshop realizado pela Cinemateca. Fernanda Coelho e Francisco Matos realizarão um relatório sobre a situação dos documentos cinematográfico no Estado e pretendem voltar para visitar outros acervos, como o da TV Jornal do Commercio, Fundação de Cultura do Recife e TV Universitária.

(© Jornal do Commercio-PE)

Com relação a este tema, saiba mais (arquivo NordesteWeb)


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