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 Mangaba lança três discos em cima da hora

20/02/2004

 

 

Orquestra de Frevos, no carnaval de Olinda
 

Com pouco dinheiro e muita persistência, três blocos e uma orquestra oferecem mais opção para o folião

MARCOS TOLEDO

   O ato de gravar um CD, que há tempos deixou de ser um luxo para a maioria dos músicos, este ano parece haver sido descoberto em cheio pelas agramiações carnavalescas recifenses. Com “pouco dinheiro e muita alegria”, os blocos Nem Sempre Lily Toca Flauta e Eu Quero Mais e a Orquestra Popular da Bomba do Hemetério lançam seus primeiros álbuns independentes em parceria com o selo Mangaba Produtos.

   Os trabalhos são reproduzidos em CD-R (o disco gravável comum vendido no varejo), com tiragem mínima, mas com encartes e rótulos bem impressos. Isto barateia os custos sem deixar a qualidade cair para o nível de um CD pirata. Aproveitando a leva, o Mangaba relança ainda Pernambucarnaval, parceria com Um Bloco em Poesia.

   Pernambucarnaval: Uma Viagem pelos Ritmos do Carnaval Pernambucano foi o primeiro projeto idealizado em regime de cooperativa. Neste, nada menos do que 34 músicos, entre cantores e instrumentistas interpretam um repertório de 18 faixas, entre marchas, frevos, maracatus, caboclinho, urso, boi e samba.

   Lily e Eu Quero Mais segue o mesmo formato, embora com menos recursos. O primeiro, possui 13 canções, cinco delas inéditas, interpretadas pelo próprio coral do bloco. As demais são fonogramas cedidos por artistas que já haviam gravado canções tendo o Lily como tema, como Alceu Valença e Expedito Baracho. É Tempo de Bloco..., do Eu Quero Mais, teve todas as 15 músicas gravadas no estúdio Via Som. “É um disco que não se prende ao tradicional”, explica o diretor artístico Walmir Chagas, do Mangaba. “Há faixas com teclado, violão e arranjos mais modernos.”

  Por fim, Mangaba e Um Bloco em Poesia aproveitaram a gravação de um maracatu e sete frevos em um show da Orquestra Popular da Bomba do Hemetério e os lançaram em forma de CD. Os jovens músicos (15 no total) substituem a larga experiência das orquestras tradicionais por uma interpretação vibrante e atual.

Bloco Eu Quero é Mais
» Eu quero mais Olinda
» O Bonde
Orquestra Popular da Bomba do Hemetério
» Do Galo ao Bacalhau
» Bloco do Prazer
Nem Sempre Lily Toca Flauta
» Nem Sempre Lily Toca Flauta
» Lili me Toca

(© JC Online)


Um sopro de renovação na folia

Novos autores não param de criar composições para o Carnaval, mas elas dificilmente são memorizadas porque não são reproduzidas pelas rádios locais

MARCOS TOLEDO

   É Carnaval em Pernambuco. As prévias colocam lenha na fogueira e o público – cada vez maior nas festas que antecedem os dias oficiais do reinado de Momo – esbalda-se. E você, já decorou os versos dos frevos e maracatus que fazem sucesso este ano no Estado? Dificilmente. Entre os novos compositores, quem não vive de música, cria apenas por um prazer pessoal, já os profissionais criticam a falta de espaço para divulgar os trabalhos nas rádios e torná-los conhecidos do grande público.

   A produção de músicas carnavalesca por parte de novos autores, contudo, não pára. Neste ano, entre os 25 compositores finalistas do Concurso de Música Carnavalesca da Prefeitura do Recife, 40% eram nomes que estavam tentando conquistar um espaço neste ramo. E três deles ficaram entre os 15 premiados: Francisco Amâncio (o ‘Forró’), com Dadinha do Passo, e Roberto José da Silva, com Catimba, ambos na categoria Frevo-de-Rua, e Mirian de Souza, com o frevo-canção Soltando energia.

   Forte nome apontado como um talento promissor por maestros como Adelmo Apolônio (diretor musical do concurso) e Marco Cézar (do Coral Edgard Moraes, Sexteto Capibaribe e Orquestra Retratos do Nordeste), o trompetista Forró é arranjador do Maracatu Nação Pernambuco e maestro da Orquestra Popular da Bomba do Hemetério, e concorre em festivais de música carnavalesca desde 1997.

   Em 2002, Forró foi finalista com o maracatu Recife tem. Ao todo, ele possui cerca de vinte composições de Carnaval, entre elas, a supracitada Dadinha do Passo e Segura a pomba, compostas para o Carnaval deste ano. Além disso, trabalhou como arranjador do álbum Evoé Brasil 2, do cantor Almir Rouche, e fez a direção musical do CD É Tempo de Bloco, da agremiação olindense Eu Quero Mais.

   Mesmo com esta experiência, o compositor tem dificuldade de tornar conhecido o sua obra. “A organização de um concurso como esse deveria escolher duas ou três músicas de trabalho para divulgar nas rádios”, sugere. Roberto José, 35 anos, saxofonista que estudou no Conservatório do Estado (CPM) e formado no curso de Licenciatura em Música da UFPE, concorda com o colega. “É preciso divulgação para estes novos frevos ficarem conhecidos não apenas do público em geral, mas também das orquestras”, ressalta. “A maioria delas toca sempre os mesmos frevos. E não é por falta de música, pois todo ano tem novas.”

   Roberto conta que compôs seu primeiro frevo em 2002 motivado pela experiência em bandas de músicas, que sempre foram celeiros de novos talentos musicais, tanto na capital quanto no interior do Estado. “Na UFPE e no CPM, temos aulas de orquestração, arranjos e composição. Tive a felicidade de escrever este, participar (do concurso) e ser premiado”, explica. Apesar de o festival não atingir todas metas e prazos estabelecidos, Roberto demonstra satisfação em participar. “Estou começando a escrever umas coisinhas. No ano que vem, vou colocar outro”, anuncia.

   Outro nome oriundo dos meios acadêmicos é o percussionista do grupo Arabiando Tadeu dos Santos Costa Júnior, 22 anos. O músico, que estudou teoria no Centro de Educação Musical de Olinda (Cemo) e é aluno do curso de Música da UFPE, teve a oportunidade de tocar no Carnaval, pela primeira vez, no ano passado, no Bloco das Ilusões. “Foi quando despertou minha vontade de compor frevo”, lembra. Seu primeiro rebento foi o frevo Mar de ilusões, que faz parte do repertório do Arabiando.

   Autor de sambas e xotes, Tadeu agora está tentando compor um choro. Mas as músicas carnavalescas permanecem presentes em suas idéias. Outros dois frevos devem ficar prontos em breve.

(© JC Online)

Com relação a este tema, saiba mais (arquivo NordesteWeb)


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