Cantora paraibana radicada
no Rio de Janeiro é uma das artistas que o Recbeat apresenta pela primeira
vez ao público. Sua linda voz tem tudo para agradar ao público pernambucano
MARCOS TOLEDO
Tão inusitado quanto o próprio
conceito do Rec-Beat de Carnaval muitas vezes são suas atrações pouco
conhecidas, que podem surpreender o público menos ligado em ‘garimpar’
novidades. A cantora Eleonora Falcone, que se apresenta hoje no evento, pode
ser uma dessas gratas surpresas.
Paraibana radicada há quase duas
décadas no Rio de Janeiro, Eleonora esteve no Recife há três anos para
divulgar seu então recém-lançado álbum de estréia, Apetite, e tentar
agendar algum show. Infelizmente, não conseguiu se apresentar por aqui e, só
agora, tem a chance de mostrar seu trabalho, que entra numa nova fase.
Quem já ouviu a música da artista
sabe o que tem para lamentar por ainda não tê-la visto no palco. Autoral e
dona de uma linda voz com características próprias, Eleonora soube absorver
traços importantes de sua cultura natal e da cidade que escolheu para
desenvolver sua carreira sem defender qualquer bandeira. Não que o
regionalismo seja um pecado, mas a cantora fica muito bem assim, sendo uma
cantora de “música popular brasileira contemporânea”, como faz questão de
frisar. “Temos que classificar de alguma maneira”, desculpa-se.
No espetáculo de hoje, a artista
apresenta cinco músicas de seu CD: Muda, Michel Jackson usa batom
e Pacata, parcerias com Regina Carioca, Luís Capucho e Marcos
Sacramento, respectivamente, Duas margens (Chico César & Lúcio Lins,
e Me atende (Capucho & Suely Mesquita). As demais, são fruto de uma
convivência maior que ela voltou a ter com a Paraíba, a partir de meados de
2001: Nome na areia (de Paulo Ró, do grupo Jaguaribe Carne, e Águia
Mendes), Coco na Penha (Escurinho) e Serena (Dona Odete de
Pilar).
“Aqui, está sendo muito
estimulante para mim, pois comecei a me relacionar mais com os músicos e
compositores”, disse a cantora, por telefone, de João Pessoa. “Estou cada
vez mais autoral, mas trocando idéias com os músicos.” Para o show do
Rec-Beat, Eleonora se apresenta com sua banda completa. O instrumental
mistura violão, guitarra, baixo e bateria com programação eletrônica e
violoncelo. “Estou realizando este sonho de tocar com violoncelo. Acho que
combina comigo”, afirma.
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Eleonora Falcone
- Apetite |
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(© JC Online)
Eddie fecha segundo dia do projeto Recbeat
O segundo dia do Recbeat marca a consagração da Eddie, um dos grupos
mais cult da cena recifense, que pela primeira vez fica com a honra
de fechar uma noite no festival. Com 15 anos de estrada, diversas formações,
músicas gravadas por Nação Zumbi, Wado, Mônica Feijó, Cássia Eller e tendo
participado ativamente durante esses anos todos da riqueza
artística-cultural de Pernambuco, só ano passado a banda chegou ao seu
segundo álbum. Batizado de Original Olinda Style, o disco é uma
espécie de evocação da cidade monumento, não saudosista, mas moderna e
multimídia.
A sonoridade vem de um
liquidificar cultural que bate retetéis de dub, samples, samba, frevo,
reggae e muito mais. Som movido a experimentos, música brasileira + três
acordes + etnias + diversão. “Nos encontramos nos Pixies, nos Ramones, Dead
Kenneds, nas divagações da música jamaicana, os estúdios, as técnicas,
repetições, as lições do jazz, na poesia da Bossa Nova, na maloqueragem dos
pernambucanos, nas facilidades e possibilidades que as gravações nos
possibilitavam, na mistura de pessoas diferentes, musicalidades diferentes,
um processo de mutação permanente”, diz o vocalista Fábio Trummer.
Outra atração da noite é o
Bernie’s Lounge. Essa banda holandesa faz um soul-jazz puro e ao mesmo tempo
moderno, de repertório dançante. Os músicos se divertem enquanto interagem e
brincam com o público, deixando aqui sua marca registrada: a descontração. O
seu som promove ainda uma fusão que vem do calypso, mambo, funk, rockabilly
e de influências africanas.
Quem também se apresenta é o
cantor, compositor, poeta e performer carioca Rogério Skylab. Assustador
para alguns, bizarro para outros, Skylab tem na estética trash (alternada/
aliada a uma postura lírica) um dos alicerces do seu trabalho. Seu som
abarca gêneros tão díspares como o heavy metal, a seresta e a bossa nova.
Radicada no Rio de Janeiro, a paraibana Eleonora Falcone mostra a sua MPB
sofisticada, presente no CD Apetite (ver matéria acima).
Ainda no Recbeat, Maciel Salu
lança o seu primeiro disco solo, A Pisada É Assim. A segunda noite do
festival, a partir das 20h, será aberta pelo grupo União 7 Flexas de Goiana.
A tenda eletrônica ficará sob o comando dos DJs Big e Negralha.