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 Agora sim, Eleonora

22/02/2004

 

 

A cantora paraibana, radicada no Rio de Janeiro, Eleonora Falcone
 

Cantora paraibana radicada no Rio de Janeiro é uma das artistas que o Recbeat apresenta pela primeira vez ao público. Sua linda voz tem tudo para agradar ao público pernambucano

MARCOS TOLEDO

   Tão inusitado quanto o próprio conceito do Rec-Beat de Carnaval muitas vezes são suas atrações pouco conhecidas, que podem surpreender o público menos ligado em ‘garimpar’ novidades. A cantora Eleonora Falcone, que se apresenta hoje no evento, pode ser uma dessas gratas surpresas.

   Paraibana radicada há quase duas décadas no Rio de Janeiro, Eleonora esteve no Recife há três anos para divulgar seu então recém-lançado álbum de estréia, Apetite, e tentar agendar algum show. Infelizmente, não conseguiu se apresentar por aqui e, só agora, tem a chance de mostrar seu trabalho, que entra numa nova fase.

   Quem já ouviu a música da artista sabe o que tem para lamentar por ainda não tê-la visto no palco. Autoral e dona de uma linda voz com características próprias, Eleonora soube absorver traços importantes de sua cultura natal e da cidade que escolheu para desenvolver sua carreira sem defender qualquer bandeira. Não que o regionalismo seja um pecado, mas a cantora fica muito bem assim, sendo uma cantora de “música popular brasileira contemporânea”, como faz questão de frisar. “Temos que classificar de alguma maneira”, desculpa-se.

   No espetáculo de hoje, a artista apresenta cinco músicas de seu CD: Muda, Michel Jackson usa batom e Pacata, parcerias com Regina Carioca, Luís Capucho e Marcos Sacramento, respectivamente, Duas margens (Chico César & Lúcio Lins, e Me atende (Capucho & Suely Mesquita). As demais, são fruto de uma convivência maior que ela voltou a ter com a Paraíba, a partir de meados de 2001: Nome na areia (de Paulo Ró, do grupo Jaguaribe Carne, e Águia Mendes), Coco na Penha (Escurinho) e Serena (Dona Odete de Pilar).

   “Aqui, está sendo muito estimulante para mim, pois comecei a me relacionar mais com os músicos e compositores”, disse a cantora, por telefone, de João Pessoa. “Estou cada vez mais autoral, mas trocando idéias com os músicos.” Para o show do Rec-Beat, Eleonora se apresenta com sua banda completa. O instrumental mistura violão, guitarra, baixo e bateria com programação eletrônica e violoncelo. “Estou realizando este sonho de tocar com violoncelo. Acho que combina comigo”, afirma.

Eleonora Falcone - Apetite
» Tímida
» Michel Jackson Usa Batom
» Duas Margens

(© JC Online)


Eddie fecha segundo dia do projeto Recbeat

   O segundo dia do Recbeat marca a consagração da Eddie, um dos grupos mais cult da cena recifense, que pela primeira vez fica com a honra de fechar uma noite no festival. Com 15 anos de estrada, diversas formações, músicas gravadas por Nação Zumbi, Wado, Mônica Feijó, Cássia Eller e tendo participado ativamente durante esses anos todos da riqueza artística-cultural de Pernambuco, só ano passado a banda chegou ao seu segundo álbum. Batizado de Original Olinda Style, o disco é uma espécie de evocação da cidade monumento, não saudosista, mas moderna e multimídia.

   A sonoridade vem de um liquidificar cultural que bate retetéis de dub, samples, samba, frevo, reggae e muito mais. Som movido a experimentos, música brasileira + três acordes + etnias + diversão. “Nos encontramos nos Pixies, nos Ramones, Dead Kenneds, nas divagações da música jamaicana, os estúdios, as técnicas, repetições, as lições do jazz, na poesia da Bossa Nova, na maloqueragem dos pernambucanos, nas facilidades e possibilidades que as gravações nos possibilitavam, na mistura de pessoas diferentes, musicalidades diferentes, um processo de mutação permanente”, diz o vocalista Fábio Trummer.

   Outra atração da noite é o Bernie’s Lounge. Essa banda holandesa faz um soul-jazz puro e ao mesmo tempo moderno, de repertório dançante. Os músicos se divertem enquanto interagem e brincam com o público, deixando aqui sua marca registrada: a descontração. O seu som promove ainda uma fusão que vem do calypso, mambo, funk, rockabilly e de influências africanas.

   Quem também se apresenta é o cantor, compositor, poeta e performer carioca Rogério Skylab. Assustador para alguns, bizarro para outros, Skylab tem na estética trash (alternada/ aliada a uma postura lírica) um dos alicerces do seu trabalho. Seu som abarca gêneros tão díspares como o heavy metal, a seresta e a bossa nova. Radicada no Rio de Janeiro, a paraibana Eleonora Falcone mostra a sua MPB sofisticada, presente no CD Apetite (ver matéria acima).

   Ainda no Recbeat, Maciel Salu lança o seu primeiro disco solo, A Pisada É Assim. A segunda noite do festival, a partir das 20h, será aberta pelo grupo União 7 Flexas de Goiana. A tenda eletrônica ficará sob o comando dos DJs Big e Negralha.

(© JC Online)

Todos os sons levam a Recife
 

Karla Candeia

   A cada ano que passa Recife se consolida como um celeiro de talentos da música nacional. Durante o carnaval, inclusive, quando acontece o festival Recbeat, trazendo à tona novos nomes, que injetam inovação e qualidade ao cenário musical brasileiro.

   - Hoje, a espinha dorsal do festival é a tradição aliada às novas tendências. São sempre novidades, que dificilmente viriam a Recife - comenta Antonio Gutierrez, o organizador do festival, que acontece desde ontem na Avenida Cais da Alfândega.

   Apesar de não ser esta a função do festival, o Recbeat se tornou uma vitrine para novos nomes, tanto de Pernambuco quanto do resto do País. Em meio a figuras já consagradas nacionalmente, como o Nação Zumbi, que encerra o festival esse ano, Lan Lan e as Elaines e Nega Gizza, novos talentos despontam para um lugar ao sol. Como é o caso de A Roda, Eleonora Falcone e Samba de Coco e Raízes de Arco Verde.

   - Temos a preocupação de manter a raíz. Hoje as bandas misturam ritmos regionais com outras coisas. Assim eles tiram a tradição, a graça do som. Quando eu conheci o coco, ele já era puro, e estou passando isso para meus filhos e sobrinhos. Eles já tem até um grupo mirim - explica a vocalista do Samba de Coco, Iran Calixto.

   Iran fica contente em poder mostrar o som que eles fazem para os mais jovens, a maioria do Recbeat.

   - Eles transmitem uma energia muito boa.

   A atual cena de Recife prega a pluralidade. Isso está estampado no festival, cada vez mais aberto a novos estilos, como o da paraibana Eleonora Falcone, que mescla referências regionais e cariocas, já que vive há 15 anos no Rio.

   - É a minha primeira vez tocando em Recife. Minhas expectativas são as melhores - avalia Eleonora, que aposta no interesse da platéia para ganhar visibilidade.

(© JB Online)

Com relação a este tema, saiba mais (arquivo NordesteWeb)


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