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 Rec-Beat termina em roda de pogo

23/02/2004

 

 

Lanlan se apresentou pela primeira vez no Recife
 

Agora no Cais da Alfândega, a folia carnavalesca mais roqueira da cidade foi encerrada pelo agito da Devotos, mas contou com muita brisa do mar para acalmar a galera

CAROL ALMEIDA

   De lembrança do Rec-Beat na Rua da Moeda, ficou somente um telão para exibir os shows. Porque, sem remorso nem culpa, o maior palco de rock e música alternativa do Carnaval pernambucano mudou-se mesmo para a frente do Paço Alfândega. E já no primeiro dia do Rec-Beat, no Sábado de Zé Pereira, viu-se que o deslocamento veio para o bem de todos e alívio geral da multidão que, até o ano passado, mal respirava para ver os shows do festival.

   Com um palco montado ao lado do Rio Capibaribe e um espaço super bem decorado (pausa para ambientação da tenda eletrônica, muito bem sacada com seus globos prateados), o Rec-Beat 2004 teve uma estréia de muitos atrasos e pouca comoção, mas rendeu bom momentos para o público e, particularmente, para os que tocaram no evento pela primeira vez. Caso da banda Os Astronautas, que se apresentou logo após o espetáculo do afoxé Alafin Oyó, com um show que, apesar de ter lá sua atitude rock (toda a banda vestida macacões vermelhos e máscaras de gás), não vinga muito na execução das idéias. Tudo termina ficando “no mesmo lugar”, parafraseando o título de uma das músicas do grupo.

   Após Os Astronautas, quem entra em cena é outra estreante do Rec-Beat, a Narguilé Hidromecânico, banda piauense adepta da receita de colocar tudo na mesma panela, com forte tempero regional. O que se ouviu foi uma mistura de instrumentos do Piauí com música eletrônica, hardcore e reggae. Depois dessa caldeirada, sobem ao palco os metais do grupo pernambucano A Roda, que com seu funk instrumental fez um tipo de chill in para a entrada de Lanlan e Os Elaines.

   Pela primeira vez se apresentando no Recife, Lanlan ganhou a empatia imediata do público, com as músicas do disco Com Ela. Os versos cantados em coro mostram que a vocalista e percussionista, discípula de Cássia Eller em estilo e atitude de palco, já tem um fiel grupo de fãs pernambucanos. E para ganhar ainda mais simpatia, Lanlan anunciou: “Vou tocar agora uma música da melhor banda de rock do Brasil: Nação Zumbi”. E largou um Quando a maré encher. Não fosse a música da Eddie (e não da Nação), a sintonia dela com o Estado estaria perfeita.

   Apesar do pequeno desvio autoral, a espirituosa Lanlan conseguiu levantar o disperso público do Cais da Alfândega com muito berro e uma banda que sustentou o tom agressivo do começo ao fim. No grupo estava a cantora Nara Gil, filha de Gilberto Gil. Bem ciente dos fãs e, particularmente, das fãs que acompanhavam o show, Lanlan perguntou: “Quem quer ser genro do ministro? E quem quer ser nora do ministro?”. O resultado da enquete deu empate.

   O show terminou quase às 2h, com duas horas de atraso, e não deu para evitar a saída de muita gente. Ficaram mesmo aqueles que ali estavam para assistir ao encerramento da noite, comandado por Canibal, Neilton e Celo, sempre eficazes na arte de criar as mais agitadas rodas de pogo. E foi assim, com um público que já conhece o grupo de outros Carnavais, que o Devotos subiu pela quarta vez ao palco do Rec-Beat, com um setlist praticamente inédito, com nove músicas do novo disco, A Hora da Batalha. “Apesar dos atrasos, que são típicos do primeiro dia, acho que o resultado dessa primeira noite foi maravilhoso. Conseguimos abrigar melhor todo mundo nesse espaço”, avaliou Antônio Gutiérrez, o Gutie, realizador do evento.

(© JC Online)

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