05-06-2008
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O
cubano Bebo Valdés |
Carlos Galilea
Do El País SALVADOR
Bebo Valdés tinha que ir à Bahia
para encontrar suas raízes africanas. Aos 85 anos, o pianista cubano
radicado na Suécia está em Salvador participando de um filme que tem o
nome provisório de “O milagre do Candeal”.
No bairro natal de Carlinhos Brown,
Bebo conheceu Dona Angelina, ou Mayamba, uma mãe-de-santo que lembra sua
própria mãe e é um dos personagens que roubarão a cena de celebridades
como Caetano, Gilberto Gil e Marisa Monte. Mayamba e outros arrebataram o
coração do diretor do filme, Fernando Trueba, e sua equipe: Seu Mariano,
dono do primeiro rádio em que Brown ouviu música cubana; Pedrinho, de 17
anos, que dá cursos de educação política aos jovens; Chita, líder
comunitária, e, sobretudo, os meninos e as meninas do Candeal.
— Tenho uma fascinação muito
curiosa pelo povo deste bairro — confessa Trueba.
Através dos olhos do cubano se
conhecerá o trabalho de uma comunidade que, com a incansável ajuda de
Brown, conseguiu reformar centenas de casas, solucionar os problemas de
esgoto e inaugurar um centro público de saúde.
Uma noite, Fernando Trueba e Bebo
Valdés jantaram na casa de Caetano Veloso, no Morro da Paciência. Na sala,
todos escutaram algumas das canções americanas que Caetano gravou para seu
próximo disco, “A foreign sound”, previsto para o fim de março — quando
também será lançado “Bebo de Cuba”, CD duplo do pianista com um noneto e
uma big band . O disco de Caetano começa com “The carioca”,
música do filme “Voando para o Rio”, o primeiro em que Fred Astaire e
Ginger Rogers atuaram juntos, em 1933. As versões dos standards
“So in love” e “The man I love” deixam os presentes extasiados. Além de
ouvir o disco em primeira mão, os amigos foram ao estúdio de Brown, Ilha
dos Sapos, onde Caetano está gravando a trilha sonora do próximo
espetáculo do Grupo Corpo.
(© O Globo)
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