05-06-2008
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O livro
Olhares sobre a Cibercultura, organizado por Paulo Cunha |
Livro é uma reflexão acadêmica sobre os novos
processos de comunicação das sociedades
Augusto Pinheiro
Da equipe do DIARIO
Apesar de
recente, pois surgiu apenas no início dos anos 1990, a pesquisa na área de
cibercultura tem crescido de maneira intensa no Brasil. Um dos frutos
dessas discussões em torno da influência das novas tecnologias na
comunicação, na cultura e na sociedade é o livro Olhares sobre a
Cibercultura, organizado por Paulo Cunha, professor do programa de
pós-graduação em comunicação da UFPE, e André Lemos, professor de
comunicação da UFBA (Universidade Federal da Bahia).
Os artigos presentes no livro, lançado pela
Sulina, editora gaúcha que tem publicado títulos relacionados ao tema,
foram apresentados e debatidos no Grupo de Trabalho Tecnologias
Informacionais de Comunicação e Sociedade, durante o encontro anual da
Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação do
Brasil (Compós), ano passado, no Recife. Com a mudança cada vez mais veloz
das tecnologias, "os textos do livro tentam aprofundar discussões de longo
prazo, questões de fundo que não vão perecer tão rapidamente", como
explica Paulo Cunha.
Entre aspectos técnicos e humanos das
transformações tecnológicas, Olhares sobre a Cibercultura aponta caminhos
diferentes, ligados por pontos em comum, como a sexualidade na rede, o
culto ao ciborgue e os pensamentos do sociólogo canadense Marshall
McLuhan.
O conceito de cibercultura adotado aqui
refrata qualquer tentativa de restrição. "Em geral, o tema é abordado a
partir de óticas fechadas, mas preferimos abrir o leque e tratar a questão
da influência da cultura pelas novas tecnologias."
Um exemplo característico dessa amplitude
temática é o artigo da professora Simone Pereira de Sá (Universidade
Federal Fluminense) sobre música eletrônica, que coloca em pauta o papel
do DJ na cena e a mediação que ele faz entre música e tecnologia.
Apesar de olhar para o presente-futuro, as
análises ganham força a partir da comparação com práticas do passado, como
acontece em Os Diários Íntimos na Internet e a Crise da Interioridade
Psicológica, no qual a pesquisadora Paula Sibilia (Universidade Federal do
Rio de Janeiro) parte de conceitos de vida pública e privada e da febre
dos diários no século 19 para analisar o narcisismo e exibicionismo
típicos dos blogs (diários na internet). Dessa forma, ela expõe
semelhanças e contradições e aponta novos rumos.
Em sua análise, Paulo Cunha nos brinda com um
ponto fundamental: a manutenção do status quo em um meio que, ao mesmo
tempo, reconfigura as relações comunicacionais e informacionais. "A
internet vem sendo cada vez mais cooptada por grandes corporações", diz o
professor. "As primeiras abordagens sobre o tema foram muito otimistas,
tratavam as novas tecnologias como uma utopia de um sistema mais
democrático, menos centralizador."
Hoje, acrescenta, as pesquisas
adquiriram um olhar mais realista sobre os novos processos de comunicação
e tecnologia, que reproduzem a hegemonia econômica das relações
geopolíticas. Em seu artigo, ele mostra, com dados, o abismo tecnológico
entre as regiões mais ricas e mais pobres do planeta: os países da América
do Norte e daEuropa abrigam 87% dos hosts (servidores) do mundo.
Mesmo assim ressalta que "temos o pacote
completo", o que significa que ainda assim o meio propicia expressão e
inclusão para os periféricos. Participam do livro ainda André Lemos, Erick
Felinto, Alex Primo, Eugênio Trivinho, Vinícius Andrade Pereira, Francisco
Coelho dos Santos, Francisco Paulo Jamil Almeida Marques e Suely Fragoso.
Serviço
Olhares sobre a Cibercultura
André Lemos e Paulo Cunha (org.)
Editora Sulina (www.editorasulina.com.br)
232 págs., R$ 23,00
(©
Pernambuco.com)
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