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Monjolo comanda nova invasão sonora em Sampa

05-06-2008

A banda Monjolo

A banda é pernambucana, mas seu nascimento ocorreu em São Paulo. Formada por integrantes da Querosene Jacaré e Songo, começa a gravar o CD de estréia

JOSÉ TELES

   Pompéia, bairro da Zona Oeste de São Paulo, ficou conhecido pela grande quantidade de bandas ali surgida nos anos 60 (Os Mutantes, a mais famosa). Hoje, outras bandas continuam animando a região, mas com sotaque e ritmos pouco comuns a São Paulo. Os invasores são os pernambucanos da Monjolo, Mestre Ambrósio, Cordel do Fogo Encantando, Clã Malakoff, e integrantes do Nação Zumbi: “Outro dia a gente tocava num bar no bairro quando surgiu Eder “O Rocha” com um maracatu que ele fundou. Acabou todo mundo tirando um som juntos”. Em Pompéia já tem até um Quatro Cantos: “É que a gente achou o lugar meio parecido com Olinda e o dono do Chico’s Bar aceitou a idéia de mudar o nome para Bar Quatro Cantos”, conta Alfaia, da Monjolo.

   Integrada por Adelson Bala (bateria), Alfaia (baixo e vocais), Márcio (da Songo, na percussão), Sasquat (guitarra) e Décio 7 (o único paulista, na percussão), a Monjolo, em pouco mais de um ano de formada, não tem problemas para manter a agenda cheia: “No começo teve aquela ralação obrigatória”, admite Adelson Bala. Ele, na produção, e Alfaia, como roadie, trabalharam com uma banda de forró universitário, a Peixelétrico: “Foi um aprendizado. Aqui no Recife, por exemplo, a gente fazia show para receber depois, acertava de boca. Com os caras não. Era metade antes, e só sobem no palco se a outra metade for paga. Eu inclusive era o responsável pela cobrança. Então você vai pegando os macetes e as malandragens do meio”, conta Adelson Bala.

   “Não sei agora, mas quando a gente tocava aqui no Recife era o cúmulo do amadorismo. Neguinho ia para o show de ônibus, táxi”, completa Alfaia. Os dois foram da Querosene Jacaré e decidiram ir para São Paulo logo depois de uma turnê do grupo aos Estados Unidos, em 2002 (no Novo México e no Texas): “A gente continuou com a Querosene Jacaré depois da saída de Ortinho, fez um disco que foi bastante elogiado, então foi tentar São Paulo, aqui ninguém tinha mais o que fazer”, conta Alfaia. O problema é que Tonca (guitarra) e Cinval (percussão) não quiseram ir e a Querosene Jacaré parou: “A banda não acabou oficialmente, a gente diz que tirou férias, está de stand-by”, brinca Adelson Bala, acenando para uma possível reunião do grupo: “Todos nós nos damos bem e com o disco Fique Peixe a gente sedimentou um som próprio”, reforça.

   A Monjolo começou meio por acaso, em jam sessions acontecidas em agosto de 2002, no bar do Hotel Cambridge, em São Paulo, e acabou tornando-se assídua no bar. O grupo foi expandindo os “negócios”: “Hoje eu posso dizer que vivo de música. Se continuasse no Recife dificilmente isto aconteceria”, compara Alfaia. Quando ele fala em viver de música não significa que seja apenas com a Monjolo. Adelson Bala ainda faz produções avulsas e os dois acompanham Luama, uma nova cantora paulista. Alfaia também está com Clayton Barros, do Cordel do Fogo Encantado, e Décio 7, da Monjolo, num musical infantil O Menino de Asas e o Astronauta Encantando, que estréia em abril, no teatro Brincantes, de Antônio Nóbrega.

   A Monjolo entre um show e outro, começa a gravar o disco de estréia, no estúdio Gira Mundo, do conterrâneo Buguinha: “A gente está em negociação com alguns selos do Sudeste, a distribuição deve ser feita pela Trattore ou pela Trama”. E a música da Monjolo? “Tem muito do som que a gente tem ouvido, afrobeat, funk meio latino, Meters, tem uma levadas eletrônicas, embora a gente não use instrumentos eletrônicos, e até um frevo com drum ‘n’ bass”, adianta Alfaia.

(© JC Online)

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