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05-06-2008
Doze anos depois, os cantores cearenses Isaac Cândido e Marcus Dias voltam a subir juntos no palco. Eles revivem a antiga dupla, em apresentação única no TJA
''Sábado/ É o dia dos
bêbados/ E das moças católicas/ Que vão para a missa rezar/ Pra tentar
encontrar algum/ Bêbado/ Aquele cara simpático/ Quando não está estático/
Sentado na mesa de um bar/ A tentar encontrar algum/ Método/ De burlar o
estético/ De furar o ilógico/ E de tentar conquistar/ Uma moça que não sabe
nada dos/ Bêbados''. Na virada dos anos 1980 para 1990, uma bem-humorada
homenagem à boemia tornou-se um hit nos bares e rádios locais. ''Os
Bêbados'' trazia a assinatura da dupla cearense Isaac Cândido e Marcus Dias
e sua empatia instantânea acabava resultando até mesmo em situações
picarescas.
O show
terá participação especial de Raimundo Fagner. Para acompanhá-los, Adelson
Viana (acordeon e piano), Carlinhos Patriolino (violão de 12 cordas e
bandolim), Lu de Souza (guitarra), Luisinho Duarte (bateria e violão de sete
cordas) e Ricardo Leite (baixo e baixolão). ''O espetáculo terá três
momentos. Um primeiro que será mais acústico, a participação do Fagner, para
qual vamos guardar surpresas, e, por fim, um momento mais descontraído'',
revela Isaac.
A apresentação
de espetáculos multimídia não é novidade para Marcus e Isaac. Pelo
contrário, essa sempre foi uma das características do trabalho dos dois. O
ex-vizinhos de Bairro de Fátima - ''separados por quatro casas'', lembra
Isaac - começaram a tocar juntos em 1986. Durante cinco anos, firmaram-se no
circuito de bares, cantando no Cana Verde, Boca de Forno, Outras Palavras e
Bar Academia, entre outros. ''Já nessa época, nosso show tinha como base a
música e a leitura de poemas. Outra coisa legal é que 99% do repertório era
de composições próprias. Nas apresentações, também era distribuído um folder
com as letras e ficha técnica. Era o tempo do A poesia pelos cantos'',
afirma Isaac. Em 1991, o amigo Drawlio Joca chegou com a nova proposta de um
show conceitual. Nascia Para Bom Entendedor MPB, com direção
artística de Drawlio. ''Tinha roteiro, slides, dança'', descreve Marcus. A
estréia aconteceu no BNB Clube. Depois, eles passaram pelo TJA e
deslancharam. Fizeram a abertura para Moraes Moreira na festa de Santo
Antônio em Barbalha, apresentaram-se em calouradas da Universidade Federal
do Ceará (UFC). De volta a Fortaleza, montaram novo show: Todos Nós Enfim, tendo a produção de outra fotógrafa, Nely Rosa. A montagem estreou em julho de 1992. Eles chegaram a cantar no Rio de Janeiro. Mas a dupla não iria durar mais por muito tempo. Isaac quis voltar ao Rio. Marcus ficou. Hoje, Isaac foi ''apadrinhado'' pela cantora Leny Andrade. ''Fiz a abertura de 22 shows dela e ainda me apresentei nos espetáculos. Também estou com o produtor Djalma Marques, que trabalha com a Leny, Pery Ribeiro e César Camargo Mariano'', afirma Isaac, acrescentando que volta ao Rio depois do show de hoje. Ou seja, o reencontro de Isaac e Marcus será uma apresentação única. (Patrícia Karam) DE ISAAC PARA MARCUS
''O Marcão é, sem dúvida, o meu melhor parceiro de música, de
estrada e de vida. Ao longo desses quase vinte anos de amizade, trabalhando
juntos ou não, já viramos uma dupla meio ''crônica''. Na verdade, não
podemos falar de retorno mas de reencontro, ou até mesmo de um prazeroso
encontro de dois grandes amigos''. "É incrível como o tempo consegue enganar a gente! Quando resolvemos fazer esse show, a primeira coisa que veio às nossas cabeças foi justamente essa questão do afastamento. Só aí eu percebi que a gente tinha perdido completamente a noção do tempo, pois o Isaac, assim como eu, pensava que fazia no máximo seis anos que a dupla tinha ''acabado'', quando, na verdade, fazia doze. Mas o mais legal disso é descobrir que nada mudou na nossa velha amizade, pelo contrário, amadureceu e ficou ainda mais forte''.
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