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Abril Pro Rock acolhe os novatos

05-06-2008

O carioca Marcelo D2, no Abril Pro Rock

Com poucas estrelas nacionais e internacionais, destaque do festival são as novas bandas da cena local

Michelle de Assumpção
Da equipe do DIARIO

   Atrações pernambucanas conhecidas, repaginadas e duas totalmente anônimas. Um ou outro nome consagrado do pop rock nacional e duas atrações internacionais. A 12ª edição do Abril Pro Rock, que acontece nos dias 16, 17 e 18 de abril no Pavilhão do Centro de Convenções, esbarrou no quesito patrocínio para trazer atrações de peso da música nacional e internacional. Ficaram com Marcelo D2 e Vive La Fete (sexta-feira), Ratos de Porão e Krisiun (sábado) e O Rappa e Pitty (domingo) a missão de fechar as noites do festival. Sem uma atração importante que ainda não tenha tocado na cidade, o diferencial do Abril Pro Rock talvez recaia sobre as novatas da cena pernambucana, tais como Suvaca di Prata, A Roda, Mula Manca e a Triste Figura, além do novo projeto de DJ Dolores, com a banda Aparelhagem que - mesmo tendo tocado agora há pouco no Rec Beat, assim como A Roda - estará no APR recém-chegado de uma turnê européia e com mais um integrante, o percussionista Éder (ex-Mestre Ambrósio).

   Tem ainda a trash metal Insurrection Down, de Surubim, terra do Hanagoric. Sem falar em Los Sebosos Postizos, projeto paralelo da banda Nação Zumbi, agora com chances de deixar de ser apenas uma brincadeira dos caras de tocar o que gostam de ouvir: Jorge BenJor, reggae, dub, etc. A escalação é uma forma ainda de ter os rapazes do Nação Zumbi no evento. Eles que, durante o Carnaval, estiveram em (quase) todas. Este ano, o APR revela uma tendência de começar a caçar bandas pelo Nordeste. Da Paraíba, vem Cabruêra, já freguesa do público recifense e que vem conseguindo uma boa ascensão profissional, tendo tocado por três vezes na Europa.

   Switch Stance é um dos nomes mais respeitados do hardcore do Ceará, que está exportando ainda a cantora Karine Alexandrino. São bandas que, segundo Paulo André, poderão encher as sacolinhas da imprensa nacional e selos de gravadoras independentes que este ano estarão no festival. Esse, aliás, é um capítulo à parte, podendo ser o início de um grande diferencial do Abril Pro Rock para os festivais de conceito parecido que hoje disputam o mesmo público, como Rec Beat, Skol Hip Rock e Festival de Verão.

   Paulo André Pires, idealizador e diretor artístico do festival, não acredita que esses festivais concorram diretamente com o seu. "Não acho que esses eventos prejudiquem o Abril. Queremos continuar com ele do tamanho que é, para ultrapassar teríamos que apelar", diz, argumentando que reunir nomes de peso que só trariam público, não é o objetivo do evento. Ele admite que caso tivesse patrocinadores fortes, o Abril até traria grandes nomes, como o Orishas, banda cubana que mescla hip hop com rumba entre outros ritmos. Mas ficou inviável financeiramente.

   Falando em bandas estrangeiras que não vêm, tem ainda o Afrika Bambaata. Esse foi outro caso, que deve estar causando dor de cabeça na produção do festival até agora. Atração artisticamente mais especial do evento, o Afrika cancelou o show ontem, através de um telefonema que chegou bem na hora em que os sócios Paulo André e Melina Hickson anunciavam a programaçãopara a imprensa, que incluía, é claro, o coroa mais considerado pela comunidade hip hop. Talvez o projeto de Marcelo Yuca com os pernambucanos Mr. Jam e Garnizé, chamado F.U.R.T.O, venha substituir, mas nada certo.

   O que poderá pegar mais que as atrações é o espaço que o APR abre este ano para importantes discussões sobre o mercado da música. É uma tendência hoje nos eventos de entretenimento. Com apoio do Sebrae, o Abril vai trazer pelo menos cinco representantes de selos independentes, que participarão de um ciclo de palestras durante o dia e, à noite, montarão seus estandes na já tradicional feira de Arte e Comportamento. Trattore, Outro Discos, Monstros Records, entre outras, já estão confirmadas. Paulo André e Melina confirmam que esse é um embrião para um projeto maior, de um mercado musical com representantes estrangeiros de selos e gravadoras. Isso sim, é algo que poderá dar mais o que falar.

(© Pernambuco.com)


Sincretismo de linguagens

   O Abril Pro Rock convidou o artista plástico Flávio Emanuel para desenvolver experiências artístico-científico-filósóficas de linguagem durante o festival. Junto com seu grupo Tacapes Low-Tech, que faz música performática híbrida, ele vai usar o evento como espaço para a execução do projeto Teoria da Interferência Externa, que usa elementos sonoros, visuais e orgânicos para produzir e transmitir idéias. A ação é um desdobramento de outros experimentos desenvolvidos por Flávio, como Domingo Me Pertence, Metodologia de um Brasil Insano, Desestabylis e As Aceitáveis Dimensões do Objeto, concretizados em forma de performances, CDs, vídeos, exposições e outros meios menos definíveis. A base para tudo são textos reflexivos escritos pelo artista.

   Utilizando instrumentos musicais, projeção de vídeo e produção ao vivo de sons e imagens de forma inquieta e inusitada, ele pretende inventar uma espécie de espetáculo que, apesar de ser criado na hora, é feito para ser assistido pelo público sem interação mútua. No anopassado, o Abril Pro Rock convidou o grupo Re:Combo para trabalhar simultaneamente com o público do festival e com informações recebidas pela internet. Em 2002, o próprio Flávio Emanuel participou do evento ao lado dos futuros integrantes do Media Sana.

   Flávio ainda não sabe em quantos dias do Abril Pro Rock vai apresentar o projeto, mas não quer fazê-lo no palco. Segundo ele, a experiência simula o que aconteceria "depois que a Terra fosse invadida por 180 objetos não-identificados". Segundo ele, a maior intenção é desenvolver e mostrar uma nova forma de expressão por meio de um sincretismo entre linguagens. (Júlio Cavani)

(© Pernambuco.com)


PROGRAMAÇÃO

Sexta 16

Marcelo D2 (RJ)
Vive La Fete (Bélgica)
DJ Dolores: Aparelhagem (PE)
Karine Alexandrino (CE)
CYZ (Cinthya Zamorano) (PE)
MM Dub (PE)

Sábado, 17

Ratos de Porão (SP)
Krisiun (RS)
Destruction (Alemanha)
Eminence (BH)
Forgotten Boys (SP)
Switch Stance (CE)
Maldita (RJ)
Lava (SP)
Insurrection Down (PE)
Vamoz! (PE)

Domingo, 18

O Rappa (RJ)
Pitty (BA)
Los Sebosos Postizos (PE)
Cabruêra (PB)
Mombojó (PE)
Suvacadi Prata (PE)
A Roda (PE)
Mula Manca e a Triste Figura (PE)

(© Pernambuco.com)


Abril pro Rock entra na pré-adolescência e faz muito barulho

Do JC OnLine

   "Um filho pré-adolescente e problemático". Foi assim que Paulo André Pires, produtor do Abril Pro Rock, definiu o evento durante a apresentação da 12ª edição do festival. Ele se referia ao trabalho que ele sua equipe tiveram para manter de pé, por mais um ano, um dos mais importantes eventos do mundo da música no Brasil.

   Um trabalho que teve como fruto uma programação variada e com metade da grade dedicada à música pernambucana. "Nosso objetivo foi dar destaque a nova cena musical pernambucana e do Nordeste como um todo", explicou Paulo André.

   O Abril Pro Rock acontecerá nos dias 16,17 e 18 de abril no Pavilhão do Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda, e vai manter a característica de trazer nomes que ainda não caíram no gosto do grande público - como a banda Karine Alexandrino, do Ceará -, mas de também investir em artistas já reverenciados, como Marcelo D2 e Ratos de Porão. "Enquanto a Ratos de Porão existir nós teremos interesse de trazê-la. É um grupo que já tem tradição no rock nacional", afirmou o produtor do evento.

   Entre as atrações internacionais desta edição, a maior aposta do festival é a dupla belga Vive La Fête, que fará sua primeira apresentação no Brasil. No show, a Vive se apresenta com uma banda formada por cinco componentes, sendo dois deles ex-integrandes do grupo belga dEUS, que foi a primeira atração internacional do Abril Pro Rock, em 1996. Outra atração internacional do evento este ano, o americano Afrika Bambaata, já havia confirmado presença e era um dos grandes trunfos do Abril, mas cancelou a apresentação de última hora.

   Passando para as atrações nacionais que vão agitar o Pavilhão do Centro de Convenções durante os três dias de festival, destacam-se nomes, como Marcelo D2, O Rappa, Pitty e Ratos de Porão. A banda carioca O Rappa se apresentou no Recife pela primeira vez durante um Abril Pro Rock e volta este ano lançando o seu novo CD "O silêncio que precede o esporro".

   Já a baiana Pitty aprticipou pela primeira vez do festival no ano passado. Ela ainda não tinha CD lançado e não era muito conhecida do público. Nesta edição, a roqueira volta como uma das mais pedidas pelo público adolescente do Abril.

   NORDESTE - A nova música do Nordeste ganhou um espaço considerável na 12ª edição do festival. De Pernambuco, tem presença comfirmada o já bastante conhecido Dj Dolores: Aparelhagem, e as bandas Mombojó, A Roda, Suvaca di Prata, MM Dub, Mula Manca e a Triste Figura, Los Sebosos Postizos e Insurrection Down, além da cantora CYZ (Cinthya Zamorano).

   No cenário pernambucano, a novidade fica por conta do integrante da aparelhagem do Dj Dolores. O percussionista Eder, ex-Mestre Ambrósio, que agora está na aparelhagem, vai estrear na próxima semana, durante uma turnê na França. "O show de Dolores no Abril será completamente diferente do que ele apresentou no Rec Beat", garante Paulo André.

SERVIÇO
Abril pro Rock
Quando: 16, 17 e 18 de abril
Onde: Pavilhão do Centro de Convenções
Os ingressos custarão  R$ 30 (inteira) e R$ 15 (estudante). O passaporte para os três dias custará R$ 50. Quem comprar o passaporte ou a entrada inteira ganha o CD do Abril pro Rock 2004
 

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