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05-06-2008
UBE-PE lança três livros de autoria do poeta e publicitário pernambucano, que concorre à vaga que pertenceu a escritora cearense Rachel de Queiroz SCHNEIDER CARPEGGIANINo próximo dia 11, ocorre a eleição para a vaga da cearense Rachel de Queiroz na Academia Brasileira de Letras (ABL), falecida em novembro passado. Para a disputa, mais de uma dezena de candidatos estão concorrendo, entre eles três dos quais dividem a preferência dos imortais – o historiador José Murilo de Carvalho, o jurista Paulo Bonavides, pouco conhecido do público mortal, que é apoiado pelo governo cearense, e o publicitário e escritor pernambucano Mauro Salles. Aproveitando a candidatura de Mauro Salles para a ABL, a União Brasileira de Escritores, secção PE (UBE-PE), lança três livrinhos que servem de cartão de visitas para o trabalho do pernambucano. São eles: A Poesia é Necessária, O Centenário de Cecília Meirelles e O Livro e Os Idos de Abril. Em O Livro e Os Idos de Abril, um dos capítulos traz a obra de Mauro Salles analisada pelo escritor Flávio Chaves. Em outro, está presente uma seleção de artigos do publicitário focando a questão do mercado editorial brasileiro. Por último, Salles é entrevistado pela poeta Lucila Nogueira que, entre outras revelações na conversa, afirma: “Eu caminho por duas trilhas que às vezes se separam e convergem para uma única criação e, outras vezes, resultam em produções totalmente diferentes, visando, inclusive, a objetivos e públicos totalmente diversos.” Em O Centenário de Cecília Meirelles, Salles faz um longo ensaio sobre a obra da autora carioca. Em A Poesia é Necessária há a transcrição de uma palestra feita por Salles durante o III Congresso Nacional de Escritores, realizado no Recife em 2002. FARPAS – Por fora da corrida para a vaga de Rachel de Queiroz está Domingos Pellegrini, que se inscreveu quase no fim do prazo estabelecido pela Academia e que está fazendo uma espécie de anticandidatura, lançando farpas pela imprensa contra a instituição que tenta fazer parte. “A eleição para a ABL é a mais provinciana do Brasil, mais que para vereador de pequeno município, pois nesta há quem vote conforme a consciência, enquanto na ABL parece que todos só votam se forem visitados e paparicados”, declarou Pellegrini em uma entrevista realizada em dezembro para o jornal O Estado de São Paulo. “O que me parece desqualificar os candidatos”, ainda completou. Apesar de toda a publicidade gerada pela atitude de Pellegrini, a eleição deve ser mesmo decidida entre José Murilo de Carvalho e Mauro Salles. Se for eleito, Mauro será o quarto pernambucano a ocupar uma cadeira na instituição, ao lado de Marcos Vilaça, Evanildo Bechara e Marco Maciel, que toma posse no dia 9 de maio. E isso sem contar com Ariano Suassuna, que apesar de ser paraibano, é radicado pernambucano. Já o jurista cearense Paulo Bonavides perde pontos até pelo peso institucional com que sua candidatura é tratada. O candidato está sendo apoiado pelo governo do Ceará. E é tradição na Academia Brasileira de Letras desprezar eleições que tragam um certo caráter de capitania hereditária. (© JC Online)
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