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Violão puro

05-06-2008

O violonista Zivaldo Maia

O cearense Zivaldo Maia arrancou elogios de Luís Gonzaga, Déo Rian, Nonato Luís, dentre outros

Ethel de Paula
da Redação

   No Sítio São José, em Jaguaruana, lugarejo-natal, as noites eram de violadas. Zivaldo Maia cresceu embalado pelo violão de dois irmãos e dos primos, porque o pai já havia aposentado os oito baixos. Antes de dormir, ouvia, ao longe, as serenatas, consolo de quem sequer possuía rádio de pilha. O dom acordou cedo, quando nem bem completara cinco anos de idade, o que surpreendeu os de casa. ''Sentia quando meus familiares erravam na harmonia e no dia seguinte, toco de gente, criticava'', recorda o hoje virtuose. Compositor, arranjador e intérprete, o mestre aperfeiçoou-se ouvindo. ''Vim para Fortaleza com mais de 30 anos e passei a observar violonistas referenciais como Nonato Luís e Pedro Ventura, criando novos acordes baseado no que escutava. Nunca pude viver apenas de música. Em compensação, tive encontros memoráveis e posso me considerar realizado por ter ouvido elogios do maior violonista de todos os tempos: Raphael Rabello'', ri-se.

   Discrição e elegância. No Centro Cultural Oboé, o autodidata desfia repertório próprio e rende homenagens a ídolos, passeando entre o erudito e o popular. Assim, o ''Minueto em Ré Maior'', de Mozart, desfila, sem risco de destoar, ao lado do ''Canto de Ossanha'', de Baden Powell, e ''Floroaux'', de Ernesto Nazareth. Lugares de honra têm João Pernambuco, autor de ''Dengoso'', que inspirou seu ''João Dengoso'', e o pequeno Artur, neto de Zivaldo, motivo de ''Artur Rindo''. ''Choro de Borges'', também de sua autoria, é para quem sabe ouvir. ''Trata-se de um choro sem acordes, só com melodia'', dá a dica. Para Luiz Gonzaga, Humberto Teixeira e Patativa do Assaré, um pout pourri à altura: ''Estrada de Canindé'' e ''Vaca Estrela e Boi Fubá'', por motivos óbvios e passionais, prometem ser o ponto alto do recital.

   Não à toa, o repertório inclui o Rei do Baião. Na memória, Zivaldo guarda com particular afeto o feliz encontro com Lua, durante uma de suas passagens por Fortaleza, à beira-mar. ''Quem me apresentou a ele foi Padre Gotardo, autor do hino composto para o Papa João Paulo II. À mesa, toquei ''Violando'', de minha autoria, que inclusive já foi gravada por Nonato Luís e Sebastião Tapajós. Ele gostou tanto que no mesmo instante pediu para ir em minha casa. Queria compor junto. Nessa tarde, fizemos a primeira parte de uma música, ele solfejando e eu ao violão. Não chegamos a terminá-la, mas o fato é que tenho esse material inédito entre minhas gravações caseiras'', revela. No acervo de fitas cassetes, outros informais encontros melódicos, devidamente registrados: Cauby Peixoto, Lúcio Alves, Noite Ilustrada, Marco Pereira, Deo Rian, Dino 7 Cordas e o próprio Raphael Rabello são alguns dos ilustres visitantes atraídos pelo mestre, hoje coordenador do Grupo de Violões da Fundação de Cultura, Esporte e Turismo de Fortaleza, formado ainda por Tarcísio Sardinha, Carlinhos Patriolino e Carlinhos Crisóstomo.

(© NoOlhar.com.br)

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