Notícias
Rumo à ABL

05-06-2008

O jurista Paulo Bonavides

O jurista, cientista político, professor e jornalista Paulo Bonavides concorre à cadeira ocupada por Rachel de Queiroz (falecidade em novembro passado) na Academia Brasileira de Letras (ABL). A eleição acontece na próxima quinta-feira, dia 11

   A cadeira cinco da Academia Brasileira de Letras (ABL), ocupada até o último dia 04 de novembro por Rachel de Queiroz, terá novo ocupante a partir da próxima quinta-feira, quando os 37 membros da Academia aptos a votar se reúnem para escolher seu sucessor. Na disputa, o jurista, cientista político, professor e jornalista cearense Paulo Bonavides. ''Acredito que para a sucessão da Rachel, o ideal é que a vaga permaneça no Ceará'', afirma Bonavides. Concorrem com Bonavides, Roberto Romeiro Abraão, Ieda Otaviano, Mauro Salles e José Murilo de Carvalho. O próprio Bonavides aponta os dois últimos como seus principais adversários. ''Os demais não têm apoio'', diz Bonavides. A ABL tem 40 cadeiras, mas votarão 37 acadêmicos, pois Marco Maciel, eleito para a vaga de Roberto Marinho ainda não assumiu e as cadeiras 5 e 19 estão vagas.

   A aspiração de Bonavides por uma vaga na ABL não é recente. ''Quando houve a sucessão de Raimundo Faoro, me inscrevi. Mas, posteriormente, retirei a candidatura, pois o jornalista Cícero Sandroni contava com os votos da maioria'', lembra Bonavides. Agora, a situação é diferente. Bonavides prefere não antecipar os votos - ''Há o sigilo eleitoral. Além disso, os compromissos são muito voláteis'' -, entretanto assegura que vários acadêmicos lhe deram garantia de voto.

   A candidatura de Bonavides tem recebido o apoio de uma série de entidades não apenas brasileiras, mas também de Portugal. O presidente do Conselho Científico da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, professor doutor José Joaquim Gomes Canotilho, escreveu à ABL: ''(...) será para nós uma indescritível alegria pessoal, acadêmica e universitária ver um colega tão ilustre proferir a oração sublime na Academia Brasileira de Letras''. Já o professor decano do Grupo de Ciências Jurídico-Políticas da Universidade de Lisboa, professor doutor Jorge Miranda, também manifestou suporte em correspondência à ABL.

   No Brasil, Bonavides tem o apoio incondicional do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), do qual o jurista é membro vitalício da medalha Ruy Barbosa. Em sua manifestação por escrito, o presidente da OAB afirmou que ''assim, confiam os advogados brasileiros em que a vaga da imortal escritora será preenchida pelo inexcedível jurista Paulo Bonavides, em justo reconhecimento dos admiráveis méritos intelectuais do grande pensador e paradigma dos apóstolos do Direito, da Democracia e da Liberdade no Brasil''. Por sua vez, a Academia Brasileira das Letras Jurídicas, o Instituto dos Advogados Brasileiros, a Associação dos Juízes Federais do Brasil, a Associação Nacional dos Procuradores da República e o Tribunal Federal de Recursos da 5ª Região também aderiram à candidatura de Bonavides.

   Enviaram ainda cartas à ABL o ex-ministro da Justiça Bernardo Cabral e o professor titular de Direito Constitucional da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Luís Roberto Barroso. Eles expressaram as qualidades de Bonavides para assumir a cadeira de acadêmico. ''Começo por um inevitável lugar comum. Paulo Bonavides é um dos juristas mais notáveis do Brasil, não apenas da atualidade, mas de todos os tempos. Sua produção densa, de grande rigor científico e originalidade, foi fator decisivo para a formação de uma geração de estudiosos e pensadores brasileiros, na área do direito constitucional, da filosofia e da ciência política. Seu pioneirismo, liderança e respeitabilidade são incontestáveis. Paulo Bonavides jamais foi um repetidor de discursos convencionais. Justamente ao revés, em lugar de percorrer os caminhos que já existiam, criou novos rumos e levou sua visão brasileira e progressista do direito e da vida a todo os domínios sobre os quais projetou seu talento invulgar'', escreveu Barroso.

(© NoOlhar.com.br)


Eleição para cadeira 19 termina sem vencedor

   Depois de quatro escrutínios, terminou sem vencedor a eleição de quinta-feira na Academia Brasileira de Letras (ABL), que escolheria o novo ocupante da cadeira 19 e sucessor do professor Marcos Almir Madeira, morto em outubro. Concorrem à vaga a arqueóloga Maria Beltrão, o escritor Domício Proença Filho, o professor Antonio Carlos Secchin e o jornalista Márcio Moreira Alves. A concorrida disputa, que contou com a presença de 23 imortais, se travou principalmente entre Maria Beltrão e Secchin. Nenhum dos dois conseguiu atingir 19 votos, mínimo necessário para ganhar a eleição. A segunda eleição para a cadeira 19 ocorrerá, agora, em 3 de junho. Depois, portanto, da decisão sobre quem sentará na cadeira 5, que pertenceu a Rachel de Queiroz.

   O equilíbrio já era esperado e os próprios acadêmicos acreditavam que nenhum deles teria os 18 votos (metade dos eleitores, mais um) necessários para ocupar a vaga do professor Madeira. Entre os candidatos, Maria Beltrão, que se candidata pela segunda vez, era a preferida do imortal que pode substituir, pois foi sua aluna. Para ela, a Academia é uma ótima vitrine para divulgar a arqueologia brasileira e o trabalho do Museu Nacional da Quinta da Boa Vista, também da UFRJ, nessa área e outras afins (como a paleontologia, antropologia). Já Secchin é titular de Literatura da Universidade Federal do Rio de Janeiro e seus antecessores foram Alceu de Amoroso Lima e Afrânio Coutinho, ambos acadêmicos.

   A eleição para a cadeira 19 foi o primeiro grande evento da nova gestão da ABL, presidida pelo poeta Ivan Junqueira. Mas a agenda da Academia em 2004 será lotada. Até o fim do ano, a entidade deve inaugurar uma moderna biblioteca com 1.500 metros quadrados e acervo de 50 mil volumes. O espaço terá recursos como uma sala de videoconferências com uma câmera que se movimenta em direção a quem está falando. Além disso, a galeria Manuel Bandeira, antes exclusiva de exposições acadêmicas, passa a receber também artistas contemporâneos. Outra meta do novo presidente é iniciar os trabalhos do Dicionário da Academia Brasileira de Letras. Esse projeto receberá atenção especial, pois foi pensado inicialmente ainda na gestão de Machado de Assis, primeiro presidente da Academia, fundada em 1896.

(© NoOlhar.com.br)

Com relação a este tema, saiba mais (arquivo NordesteWeb)


powered by FreeFind

© NordesteWeb.Com 1998-2004

O copyright pertence ao veículo citado ao final da notícia