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05-06-2008
Em SP desde 1997, Ângelo Madureira festeja a boa fase ao lado da mulher Ana Catarina: ganhou o prêmio APCA, está em duas mostras e abre escola JANAÍNA LIMA Ele é cria do Balé Popular do Recife. Foi com o pai, André Madureira, que aprendeu os primeiros passos e a amar a dança. Ângelo Madureira, 29 anos, cresceu, desenvolveu sua técnica e partiu em vôo-solo em direção a São Paulo, a ‘terra-prometida’ que ainda atrai tantos nordestinos. Enfrentou duras dificuldades e agora, aos poucos, começa a colher alguns bons frutos. Ao lado da esposa, a bailarina paulista Ana Catarina, ele é uma das atrações do encerramento da Mostra Rumos Dança, na sede do Itaú Cultural, amanhã. O casal apresenta o espetáculo Somtir, um dos 14 contemplados com o apoio da instituição que investe na pesquisa de dança contemporânea. Além dessa oportunidade, Ângelo e Catarina ganharam, no fim de 2003, outro incentivo: o prêmio de Revelação na Dança da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). Este mês, eles participam também da Mostra de Dança Contemporânea, promovida pela Prefeitura de São Paulo em vários teatros. “O melhor de tudo é que estávamos num momento de crise, cogitanto até a ir tentar algo fora do Brasil”, comenta Madureira. “Esse projeto Rumos realmente deu um rumo na nossa vida”, brinca o bailarino. O ano de 2004 já permitiu a Ângelo e Ana Catarina também investir num novo espaço para ministrar suas aulas de dança e percussão. “Estamos terminando de reformar uma casa no bairro de Pinheiros que será a nova sede do Brasílica. Só não me pergunte como estamos conseguindo fazer tudo isso. Estamos endividados, mas cheios de energia e fé”, diz. A garra e a vontade de dar certo do jovem casal está começando a contagiar um público bem específico, de formadores de opinião – jornalistas, fotógrafos, universitários e artistas variados – que vem lotando todas as sextas-feiras a sala do Centro Brasílica. Nesse dia, acontece a Aula-festa, evento que foi criado inicialmente para descontrair os alunos. “É uma celebração, uma aula descontraída para que os alunos se soltem, tenham mais liberdade para se expressar”, avisa Catarina. (© JC Online) Intérpretes partem de suas raízes para criar uma nova linguagem Somtir, novo espetáculo de Ângelo Madureira e Ana Catarina, marca um novo passo na carreira do casal. “É um primeiro resultado de uma pesquisa de linguagem que desenvolvemos há quatro anos a partir do método Brasílica (criado por André Madureira) e de uma pesquisa de som e movimento ligada ao contemporâneo”, define Ângelo.Mas o que esperar de uma pesquisa que une um intérprete que tem formação notadamente popular e uma bailarina clássica, que já integrou companhias como a Cisne Negro? “Esse trabalho é bem a nossa cara, une essas nossas origens distintas para desaguar num novo caminho. Estamos ainda em processo, buscando construir essa nova linguagem. Somtir é isso: um estudo de movimento, som e ritmo”, resume. O casal apresentou um pouco do que vai mostrar amanhã, no palco do Itaú Cultural, na última segunda. A ‘entrada’ indicou que Somtir envereda pelo universo do universal, sem deixar de tocar as raízes da cultura brasileira. Utiliza uma trilha sonora que é uma colagem de ritmos e idiomas (textos em várias línguas) e leva para o palco instrumentos como alfaias e pandeiros. UNIÃO – O encontro artístico entre Ana Catarina e Ângelo veio pouco depois do começo do namoro, há quatro anos. “Fui conhecer Recife, a família de Ângelo e, claro o Balé Popular. Quando cheguei lá e vi aquela gente dançando, fiquei maravilhada. Um bailarino clássico leva anos se preparando, estudando... E eles conseguem dançar daquele jeito com pouco tempo, sem uma preparação de anos. Peguei o Ângelo pela mão e disse: ‘você vai ter que me ensinar essa dança’”, lembra Catarina. (A repórter viajou à convite do Itaú Cultural) (© JC Online) Centro Apolo-Hermilo abre temporada com mostra Programação da escola de formação e pesquisa tem início com duas montagens contemporâneas GEISA AGRICIOO Centro de Formação e Pesquisa das Artes Cênicas Apolo-Hermilo abre, hoje, oficialmente a pauta 2004, com a segunda edição do projeto Dança Contemporânea no Teatro Apolo, que até o fim do mês, apresenta um espetáculo conjunto das companhias Etc.Dança Contemporânea e Dante Cia de Dança Teatro. A Etc. Dança Contemporânea leva ao palco a peça Silêncio, criada em 2001, quando a trupe ainda residia em Aracaju. Com coreografia, iluminação e direção de Saulo Uchôa a obra remete aos significados do ideal do silêncio, através de uma estética minimalista, que abre mãos dos gestos largos e contemplativos e da produção cenográfica. “Pensar o silêncio é pensar na representação de sensações. Mesmo quando se julga estar em silêncio o corpo comunica alguma coisa e é isso que pretendemos explorar”, explica Uchôa. Valorizando a riqueza dos detalhes, a interpretação corporal é o instrumento maior e o cenário é caracterizado apenas pela montagem das luminárias. O grupo condensou o espetáculo de 50 minutos em 36, dando ao público recifense um pouco mais que os trechos exibidos no Janeiro de Grandes Espetáculos. A produção integral só será exibida em maio, numa temporada independente. A Dante Cia de Dança e Teatro apresenta em A Quatro Olhos as detectáveis relações de poder existentes na sociedade moderna, colocando entre textos e gestos, figuras com papéis sociais com capacidade de opressão – seja o pai, o marido, o policial, o juiz, o guia religioso ou famoso jogador de futebol – em contraponto aos seus respectivos antagonistas dominados. “Para existir poder, é necessário que haja uma relação recíproca entre o que manda e o que obedece, portanto uma interação interpessoal, sendo a realidade a junção de pelo menos duas pessoas”, explica a coerência do título A Quatro Olhos o diretor Balck Scobar. A peça é um misto de teatro e dança, e entre as coreografias tem textos de Moisés Neto, Fernando Sabino, Carlos Drummond de Andrade e Arnaldo Jabor. Silêncio e A Quatro Olhos, sábados, às 21h, e domingos, às 20h, no Teatro Apolo. Ingressos: R$ 10 e R$ 5. Fone: 3224.1114 (© JC Online)
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