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05-06-2008
Primeira Mostra Internacional de Videoarte apresenta 21 dos 129 trabalhos recentemente adquiridos pela Fundação Joaquim Nabuco em parceria com a Petrobras DIANA MOURA BARBOSAO Instituto de Cultura da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) redime o público pernambucano de uma lacuna audiovisual histórica. A partir de hoje, a instituição promove a Primeira Mostra de Videoarte Internacional, com trabalhos que cobrem mais de 30 anos de obras desse gênero da arte contemporânea. A seleção dos vídeos, 21 ao todo, é uma pequena amostra das 129 produções recém-adquiridos, com patrocínio da Petrobras, dentro do projeto Visualidades Contemporâneas (veja programação completa no quadro ao lado). Entre os autores, estão muitos dos nomes importantes para a história da videoarte, como Antoni Muntadas, Paul MacCarthy, Nam June Paik, Dennis Oppenheim e Marina Abramovic, por exemplo. Híbrido por excelência, esse tipo de trabalho brinca com os elementos menos nobres da produção da comunicação de massa, apropriando-se da publicidade, de programas televisivos e de formatos gastos da produção midiática. Em seguida, o material é subvertido e desmontado, tudo a olho nu, na cara do espectador. É por isso que, para quem engole de maneira muito passiva a linguagem da TV comercial, os vídeos apresentados pela Fundação podem ser indigestos, até dolorosos. A crueza de algumas obras, entretanto, não significa que o material apresentado por elas seja completamente apartado do que é visto atualmente nas emissoras de TV. Primeiro porque muito do que era impactante há 30 anos já foi absolvido e incorporado até mesmo pelos programas mais populares da TV aberta. Basta lembrar dos movimentos de câmera de telejornais nauseantes como o falecido Aqui Agora e seus seguidores. Não que os vídeos tenham alguma relação direta com esses produtos, mas de certa maneira eles anteciparam – e, porque não, serviram de modelo para – muito do que as redes de TV viriam a pasteurizar depois. Dentro desse caldeirão, ainda deve-se incluir outras criações do audiovisual, como o cinema e o videoclipe. Alguns dos filmes mais radicais produzidos na década de 90, por exemplo, abusavam de certos recursos que já haviam sido exauridos pela videoarte – sem nenhum demérito para ambas as partes. Afinal, trata-se de linguagens e meios diferentes de perceber, captar e representar o mundo. Além disso, esse jogo de trocas, essa mestiçagem não torna a videoarte mais palatável. Em alguns casos, o público pode se acreditar diante de um pequeno exercício formal para um trecho de um filme frenético, como Assassinos por Natureza, por exemplo. Em outros momentos, as imagens ganham tempo, muito tempo, para que sejam absorvidas de forma lenta e pensada pela platéia. De todo jeito, esse recorte que a Fundaj promove em seu próprio acervo é um bom ponto de partida para quem deseja compreender e repensar a exaustiva produção de imagens no mundo contemporâneo. Ao oferecer outras cenas possíveis, diferentes da overdose de mesmice que inunda a mídia, a Mostra de Videoarte estimula áreas adormecidas da retina, oferecendo mais produtos visuais como antídodos para os excessos da imagem. Por mais paradoxal que isso possa parecer. A fim de enriquecer a análise das obras, seis debatedores foram convidados para comentar os vídeos, que foram divididos em seis grandes temas. As obras restantes podem ser consultadas, a partir de abril, quando a Fundaj pretende inaugurar uma sala de vídeo específica para essa finalidade. Além disso, segundo a coordenadora de Artes Plásticas do Instituto de Cultura, Cristiana Tejo, a Fundação já estuda meios de estimular a produção de videoarte em Pernambuco, criando mecanismos de apoio a criação. Ironicamente, a indústria de equipamentos de vídeo anunciou que em mais cinco anos não serão mais produzidos câmeras para esse formato nem videocassetes, produtos fadados a serem engolidos por digicams e DVDs. Talvez, a videoarte torne-se, em pouco tempo, uma espécie de fetiche para um público ainda mais seleto. Algo como os discos de vinil e as pick-ups para os DJs atuais. (© JC Online)
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