05-06-2008
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O
grupo A Roda |
Júlio Cavani
Da equipe do DIARIO
Quando
começaram a tocar informalmente improvisando nos bares de Olinda, os
integrantes do grupo A Roda não sabiam que estavam formando uma banda. Cada
um levava seu instrumento e suas preferências musicais para os encontros,
que reuniam de cinco a 30 músicos por semana. Sem compromisso, carregando
ingredientes para um caldeirão contendo funk, jazz, ritmos caribenhos e
árabes, samba, percussão afro-latina, baião e gêneros eletrônicos em versões
acústicas. Agora, com o primeiro disco sendo lançado, shows prestigiados,
participação no Rec Beat e confirmação na grade do Abril Pro Rock, eles
percebem que o processo resultou em um conjunto musical formal, mas com
espírito de criação ainda espontâneo herdado daquela inicial experiência
coletiva despretensiosa.
Segundo os integrantes da banda, A Roda é um
conjunto acima de tudo democrático. Essa característica se manifestaria na
condução da carreira do grupo, regida assumidamente a partir das repostas do
público, e na inexistência de hierarquia entre os músicos, que tentam fazer
canções instrumentais sem favorecimentos pessoais ou de gênero. "Nossa
música é instrumental mas conseguimos ser pop, com refrões sonoros que podem
ser assobiados e cantarolados", identifica Charles, baterista. Dos encontros
caóticos iniciais nas mesas dos bares (nunca sobre palcos), surgiu um núcleo
de participantes mais assíduos, de formações diferenciadas, que adotaram um
nome e se assumiram como banda por necessidade quando começaram a surgir
convites para festivais.
Por causa desses encontros e desencontros, o
som final d'A Roda pode ser classificado como música-processo, experimental,
mas suficientemente acessível para tocar no rádio. Todas as canções surgiram
de improvisações, onde cada instrumento às vezes seguia caminhos diferentes,
mas que aos poucos foram ganhando uma identidade conjunta até o ponto de as
músicas receberem nomes e começarem a ser reconhecidas pelo público. A
partir daí, a cobrança por um disco que sintetizasse o trabalho foi
inevitável. Para o CD, eles precisaram criar versões mais redondas, curtas e
formais das faixas, que nos shows ultrapassam dez imprevisíveis minutos
cada.
Como os integrantes têm uma formação diversa e
nenhum ganha favorecimento, é natural que cada uma das dez faixas do disco
siga um perfil diferente, mas sempre dançante. Há desde Popets, um merengue
conduzido por uma guitarrada e muita percussão, até S. Trance, cujo refrão
fica nas mãos do baixista em um arranjo que intercala samba e drum'n'bass,
que é um dos estilos mais acelerados da eletrônica, mas nas mãos da banda se
torna acústico. Efeito semelhante acontece na canção intitulada Ragga, que o
percussionista Homero Basílico define como "um baião contemporâneo voltando
às origens árabes, que sem querer ficou parecendo um drum'n'bass com
zabumba".
A faixa de abertura, intitulada Primeira por
ter sido formalizada como uma música propriamente dita antes das outras,
sugere que o grupo vá seguir uma linha funk (principalmente pelos metais e
guitarras), que o aproximaria dos exemplos da Banda Black Rio (anos 1970) e
da Funk Como Le Gusta (anos 1990). Mas a própria trajetória dos olindenses
os distancia dessas semelhanças, principalmente quando eles pegam pesado na
percussão e valorizam as referências latinas (por vezes lembrando Santana).
Carlinhos do Coco, que encerra o disco, é a prova do que dizem, pois foi
gravada sem eles saberem, durante uma sessão de fotos em que os músicos
improvisavam enquanto posavam para as câmeras.
Serviço
A Roda, primeiro CD
Quanto: R$ 15,00 (nas lojas ou pelos telefones 9925.7626 ou 9162.8109)
(©
JC
Online)
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