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05-06-2008
Autores de haicais e cordéis, o escritor Ricardo Mello e o ilustrador Samuca lançam hoje um livro de poesia cantada que acompanha um CD musicado por Dudu Alves MARCOS TOLEDOEstá marcado para hoje, Dia Nacional da Poesia, às 15h, no Bar do Neno (Parnamirim), o nascimento do mais novo rebento da dupla formada pelo escritor Ricardo Mello e o ilustrador Samuca. Opereta de Cordel (independente, R$ 15), CD e libreto, vêm ao mundo para aumentar a prole do gênero de produtos culturais com teor didático voltados ao público infanto-juvenil. A direção musical é assinada por Dudu Alves, tecladista do Quinteto Violado. São suficientes alguns minutos de conversa com o jornalista, escritor e compositor Ricardo Mello para entender o que seu parceiro de trabalho, o cartunista e ilustrador Samuca quer dizer quando fala que Ricardo “tem uma fábrica de frases na cabeça”. Para quem é loquaz, espanta que ele consiga se dedicar a pequenos textos como os haicais, pequenos poemas de origem japonesa que conta, em geral, com três versos de oito sílabas cada um. O exercício de Ricardo no campo literário – sempre com projetos gráficos de Samuca – teve início com dois livros infantis: Só Digo para o Seu Bem e Poesinhas. Depois, usando um tipo de escrita popular que dá maior vazão à criação esbaldante de versos, escreveu os cordéis Amor de Pai, A Quase Tragédia de Mané ou o Bode que Ia Dando Bode e Cordel Arretado. Toda esta produção, em 2002. No ano passado, a parceria rendeu o livro adulto Hai-Kados. A mistura das experiências com cordéis e literatura infantil, apesar de recente, desencadeou uma vazão criativa que tem resultado em projetos cada vez mais ousados. O mais recente é a Opereta de Cordel. Pai de uma menina de nove anos de idade e de um garoto de três, Ricardo reconhece que a paternidade influenciou em seu modo de escrever na última década. O escritor conta que sempre utilizou os versos na comunicação com os filhos e no processo de aprendizado deles. Daí, pensou: “Por que não expandir isso?”. Após os primeiros trabalhos da dupla, o autor foi convidado para dar uma palestra na escola dos próprios filhos. Depois, numa feira literária. “O papo com crianças é muito bom. Não há cobranças literárias”, testemunha. Na última Bienal do Livro de Pernambuco, Ricardo teve a oportunidade de ministrar uma workshop. “Meu objetivo é tornar mais prazerosa a experiência da criança com a palavra”, afirma. EM CANTO – A Opereta de Cordel, segundo Ricardo Mello, já foi pensada visando a edição de um livro e de um disco, e com a possibilidade de evoluir para um espetáculo – o que já está em andamento nas mãos do diretor teatral Zé Manuel. O projeto foi inscrito no 1º Concurso Nacional de Poesia para Jornalistas, promovido pelo sindicato da categoria no Rio de Janeiro, e, entre 220 candidatos de todo o País, sagrou-se entre os cinco finalistas. Como parâmetro, pode-se contextualizar o trabalho no mesmo gênero dos discos editados pelo selo Palavra Cantada (Cantigas de Roda, Canções Curiosas), inspiração confessa do escritor, dos álbuns A Arca de Noé (1980) e Os Saltimbancos (1977), e da trilogia de Antônio Madureira – Arlequim, Bandeiras de São João e Baile do Menino Deus. Porém, o escritor faz questão de salientar que na Opereta não há o caráter regional deste último. Ricardo explica que parte de temas da realidade local (cantoria popular, mangue, vida no sertão) e de personagens idem (jangadeiro, feirante, passista) para discutir, numa linguagem infanto-juvenil, não apenas a cultura regional como a global. “A Opereta toca em temas transversais, fala de valores, mas sem querer ser engajada”, diz. “Fala do universo local, mas sem querer sem regionalista.” (© JC Online) Músicas obedecem à concepção do autor e apenas ‘bebem’ no regional De acordo com a concepção do cordelista Ricardo Mello, o músico Dudu Alves formatou a melodia que embala os versos do escritor. “A idéia inicial desse trabalho foi buscar elementos dos ritmos da nossa Região sem caracterizar isto de forma explícita”, corrobora Dudu.O tecladista do Quinteto Violado – que assina a harmonia, arranjos e direção musical – exemplifica algumas mudanças na concepção dos temas da Opereta de Cordel. A faixa Passista, frevo que diz que “Não é só de Carnaval/ que vive nossa cultura/ Nossas manifestações/ não são fantasia pura (...)”, é interpretada apenas por um instrumental de piano (o próprio Dudu) e flauta (Ciano Alves, que também toca violão e viola em outras músicas), e pelo coral Primo Canto, formado por seis garotas. Segundo o arranjador, uma formação que foge à tradição de execução do gênero. “É uma inovação”, garante. Quando o mote pede um forró, como em Sertaneja, entra também o piano e a flauta ao lado de uma percussão (de Roberto Medeiros) que não é a mesma comum neste ritmo. Apenas na faixa Canção com nós, na qual participam todos os dez convidados (incluindo o coral e cantoras que já desenvolvem trabalho próprio como Cláudia Soul e Gerlane Lops), Dudu optou por um estilo mais clássico, inspirado em sua paixão por trilhas sonoras. Hoje, no lançamento da Opereta, haverá uma audição do álbum com a participação de alguns dos artistas convidados para o trabalho. Também está programada uma atividade de recreação para a criançada que comparecer ao Neno. O CD, cuja primeira tiragem é de apenas cem cópias e o livro, de mil cópias, estará à venda no local. Serviço: Lançamento do livro e CD Opereta de Cordel. Hoje, às 15h, no Bar do Neno (Rua Pe. Roma, 722, Parnamirim. Fone: 3441.4141). Entrada franca (© JC Online)
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