05-06-2008
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Lucila
Nogueira, autora de Refletores, também integra o
Estação Recife |
Autores reverenciam Dia
Nacional da Poesia com coletânea Estação Recife
Augusto Pinheiro
Da equipe do DIARIO
"A poesia é
um sacerdócio - seu Deus, o belo - seu tributário, o Poeta", escreveu o
emblemático Castro Alves (1847-1871), cuja data de nascimento inspirou a
criação do Dia Nacional da Poesia, comemorado hoje. Em outro trecho do
texto, escrito em 1864, no Recife, diz: "É que para chorar as dores
pequenas, Deus criou a afeição, para chorar a humanidade - a poesia".
Assim como o grande autor baiano, cada poeta
tem uma definição própria para essa arte da escrita, e, se não todos, pelo
menos a maioria exalta a importância da poesia e o seu poder transformador
na vida.
Não fogem à regra os dez autores presentes na
coletânea Estação Recife, editada pela prefeitura, que será lançada no
próximo dia 23, quase dez dias após a data comemorativa, mas ainda no clima
de homenagem.
São eles: Alberto da Cunha Melo, Almir Castro
Barros, Ângelo Monteiro, César Leal, Esman Dias, Geraldo Holanda Cavalcanti,
Jaci Bezerra, Janice Japiassu, Lucila Nogueira e Severino Filgueira -vários
ligados à Geração 65 e cada um com direito a dez páginas. Os poemas foram
garimpados na obra deles pelos também poetas Everardo Norões, José Carlos
Targino e Pedro Américo de Farias.
"Cada um se vale dos meios a seu alcance para
sobreviver no contexto planetário atual. Para mim, a arte da poesia é vida e
esperança. A poesia, alguém já o disse, salvará o homem e o mundo, assim eu
também penso", declara Almir Castro Barros.
A colega de livro Janice Japiassu joga que "a
poesia está na vida. Se não for assim, a letra é vazia". Esman Dias segue
pela mesma linha: "É algo que não fica restrito à experiência verbal dos
poetas, é algo imponderável que pode ser encontrado em um poema, mas também
nas Bachianas nº 5, de Heitor Villa-Lobos, que têm um efeito sobre mim
semelhante ao poema Nudez, de Drummond".
O autoconhecimento também é lembrado quando se
trata de poesia, como coloca Lucila Nogueira: "Para mim é sempre uma maneira
de chegar mais próximo das pessoas, das coisas e da minha própria natureza.
É uma maneira de dar ternura e amor às pessoas e de me entregar."
Para Alberto da Cunha Melo, "a poesia, sendo eu
homem pobre, me dá uma presença entre os vivos". Ele mostra um outro lado da
moeda: a falta de retorno financeiro. "A poesia foi um grande tempo perdido,
porque eu devia ter estudado para ganhar dinheiro."
Estação Recife é o primeiro volume de uma série
que pretende mapear a produção poética do Recife. "Para este foram
selecionados nomes estabelecidos", explica Heloísa Arcoverde de Morais,
diretora do Departamento de Literatura e Editoração da Fundação de Cultura
da Cidade do Recife.
"O Recife tem essa característica de oferecer
ao Brasil o que há de melhor na poesia, como Manuel Bandeira, João Cabral de
Melo Neto, Joaquim Cardozo e Mauro Mota", afirma.
O lançamento será em grande estilo, no Teatro
de Santa Isabel, com direito a apresentação da Orquestra Sinfônica do
Recife, às 21h, sob regência do maestro Osman Gioia, que tocará peças como
Poeta e Camponês, de Franz von Suppé, com participação do Coro
Universitário.
Entre as peças musicais, os atores Alfredo
Borba e Lúcia Machado recitarão poemas do livro. Antes do concerto, haverá
uma homenagem aos 80 anos do poeta César Leal.
Serviço
Lançamento de Estação Recife
Quando: 23 de março, a partir das 19h
Quanto: grátis
Onde: Teatro de Santa Isabel
(©
Pernambuco.com)
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