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A negritude sob o olhar de Gilberto Freyre

05-06-2008

Gilberto Freyre

Fundação Gilberto Freyre realiza série de eventos com o tema O Negro Brasileiro: Tradição e Contemporaneidade para marcar os 70 anos do primeiro Congresso Afro Brasileiro

Infográfico
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   A partir da publicação de Casa-Grande & Senzala, em 1933, o sociólogo Gilberto Freyre colocou meio que à força o Brasil de frente para o espelho. Retirou o valor degenerativo da mestiçagem, considerada até então um dos principais males no caminho do progresso da ‘pátria amada’, e passou a interpretá-la como um processo cultural normal, a partir do qual seus subprodutos pudessem ser tratados como peças fundamentais da construção de uma identidade brasileira própria. Ainda gerando polêmica e inúmeras discussões, mesmo 70 anos depois de ter sido lançado, uma das facções desse País mestiço desmascarada por Casa-Grande, a negra, é colocada em questão a partir de hoje durante a Semana Gilberto Freyre.

   Os cinco dias de evento, organizados pela Fundação Gilberto Freyre (FGF), terão como tema O Negro Brasileiro: Tradição e Contemporaneidade. A semana presta homenagem aos 70 anos do primeiro Congresso Afro Brasileiro, realizado no Recife, cuja técnica foi inteiramente nova para a época, pois não abarcou nenhuma pompa ou aparato acadêmico.

   Segundo o próprio Gilberto Freyre em seu Novos Estudos Afro Brasileiros, o Congresso Afro Brasileiro “com toda a sua simplicidade, deu novo feitio e novo sabor aos estudos afro-brasileiros, libertando-os do exclusivismo acadêmico ou cientificista das ‘escolas’ rígidas, por um lado, e por outro, da leviandade e ligeireza dos que cultivam o assunto por simples gosto do pitoresco, por literatice, por politiquice, por estetismo, sem nenhuma disciplina intelectual ou científica, sem um sentido social mais profundo dos fatos. A colaboração de analfabetos, de cozinheiras, de pais de terreiro, ao lado da de doutores, como que deu uma força nova aos estudos, a frescura e a vivacidade dos contatos diretos com a realidade bruta”.

   Na época, a semana também chamou a atenção por não ter recebido qualquer apoio governamental, nem muito se associou a nenhum movimento ou partido político ou qualquer doutrina religiosa. A idéia de Freyre era mostrar o Brasil falando diretamente para o Brasil.

Serviço:

Semana Gilberto Freyre: a partir de hoje, na Fundação Gilberto Freyre (Rua Dois Irmãos, 320, Apipucos). Informações: 3441.1733

(© JC Online)


Casa-museu do sociólogo em Apipucos é reaberta

   A Semana Gilberto Freyre é aberta hoje, às 8h, com uma missa em homenagem aos 104 anos de nascimento do sociólogo, celebrada pelo Monsenhor José da Silva Aragão. À tarde, será lançado um concurso de ensaios nacional sobre o trabalho de Freyre, organizado pela FGV e pela Global Editora, atual responsável pelos direitos de alguns dos principais livros do autor, como Casa-Grande & Senzala e Sobrados e Mocambos. Na mesma ocasião, ocorre a reabertura da casa-museu Magdalena & Gilberto Freyre, que reúne objetos pessoais do casal.

   Os debates do seminário O Negro Brasileiro: Tradição e Contemporaneidade, que presta homenagem aos 70 anos do Congresso Afro Brasileiro do Recife, só começarão amanhã. A abertura do evento contará com a participação do antropólogo e escritor Roberto Motta na conferência Gilberto Freyre: Relações Raciais e a Concepção Lusotropicológica de História, que irá enfocar a importância do sociólogo pernambucano na noção de mestiçagem como nós a entendemos hoje em dia.

   O seminário O Negro Brasileiro também contará com uma série de mesas-redondas, que abarcam a importância da cultura afro nos estudos de Freyre: História do Sincretismo Religioso em Pernambuco, Reavaliação e Atualidade das Políticas Afro-Brasileiras: Cotas e Ações Afirmativas e Música, Literatura e Artes Negras no Brasil. Seguindo a tradição, o evento terá a presença de personalidades ligadas diretamente à questão do negro, como babalorixás, além de antropólogos, psicólogos, museólogos. Haverá, ainda, a apresentação de afoxés, maracatus, ilús e abês. Na sexta, a conferência Caminhos da Arte Afro-Brasileira: Patrimônios e Identidades, do etnólogo e escritor Raul Lody, encerrará a programação do evento

(© JC Online)


Semana Gilberto Freyre começa hoje em Pernambuco

   RECIFE - A Fundação Gilberto Freyre, em Apipucos, realiza de hoje até a próxima sexta-feira "A semana Gilberto Freyre". O tema do encontro deste ano é "O negro brasileiro: Tradição e contemporaneidade", que marca os 70 anos do lançamento do livro "Casa Grande e senzala".

   Várias atividades voltadas à obra do sociólogo pernambucano vão ser realizadas, lembrando também, o primeiro Congresso Afro Brasileiro.

   Gilberto Freyre se tornou um dos mais importantes sociólogos brasileiros. Nasceu em 1900 e morreu em 1987. Em suas obras, mostrou um pouco da realidade brasileira sendo um intérprete do Brasil. Trouxe para os livros um país que os brasileiros não conheciam, de um povo miscigenado pelas três raças: o europeu, o negro e o índio.

   Aos 80 anos, falava da mestiçagem brasileira defendendo as mesmas idéias apresentadas em Casa Grande e Senzala. O livro foi lançado numa época em que o país atribuía a razão do atraso à mestiçagem. Quando muitos defendiam o embranquecimento do povo como única saída para o desenvolvimento, Gilberto Freyre afirmava que ser mestiço era bom.

   O impacto foi grande no meio intelectual brasileiro. Jorge Amado costumava dizer que "o livro foi uma revolução que deslumbrou o Brasil". Para Darcy Ribeiro, "foi o maior livro já escrito no país e a única obra brasileira de importância, junto com Os Sertões, de Euclides da Cunha". Com Casa Grande, Gilberto Freyre foi o primeiro a valorizar o negro e a cultura afro-brasileira.

(© O Globo)
 

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