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05-06-2008
Projeto dos cineastas Franklin Jr. e Márcio Câmara é retomado com patrocínio da Petrobras. Em foco, a recuperação de um forte e de um ex-detento MARCOS TOLEDOApós cinco anos em busca de recursos para rodar seu documentário Orange de Itamaracá, o cineasta pernambucano Franklin Júnior finalmente anuncia o início das filmagens para o próximo mês de maio. O trabalho, agora formato como longa-metragem de 35mm, narra o processo de revitalização do Forte Orange (Litoral Norte do Estado) a partir da reintegração à sociedade de um ex-detento, o artesão José Amaro Filho. O projeto, que o diretor pernambucano desenvolveu com o produtor cearense Márcio Câmara, foi lançado em 1999 fruto da experiência de ambos nas gravações da série de TV Zumbi dos Palmares, de Walter Avancini para a Rede Cultura, rodada três anos antes no forte da Ilha de Itamaracá. Lá, Franklin conheceu o seu personagem José Amaro, já conhecido como ‘guardião’ do local. José Amaro é dono de uma história peculiar. No Recife, em 1970, foi condenado por homicídio aos 19 anos de idade. Da antiga Casa de Detenção (hoje, Casa da Cultura), foi transferido no mesmo ano para a Penitenciária Agrícola de Itamaracá. Na PAI, foi levado com outros presos para fazer a limpeza do Forte Orange – que seria recuperado pelo Exército – e teve seu primeiro contato com a construção. Depois de cometer uma falta, José Amaro foi transferido para a Penitenciária Barreto Campelo (de regime fechado), na mesma ilha, onde aprendeu a trabalhar com entalhes e esculturas. Quando ganhou a liberdade, em 1980, o artesão voltou ao forte que nunca esqueceu e tomou para si a conservação do local. Mesmo após a Fade/UFPE assumir a administração do forte, nos anos 90, José Amaro permaneceu ajudando a preservar a construção, onde possui uma loja de artesanato. Esta história da ‘dupla recuperação’ Franklin e Márcio tentam filmar há cinco anos. Inicialmente, o projeto previa a filmagem – que chegou a ser iniciada, em 1999 – em película de 16mm visando a um produto final com 52 minutos para ser exibido na TV. “Quero aumentar em dez ou 15 minutos para virar um longa, em 35mm”, afirma Franklin. “Para isso, vamos contar em ficção partes da vida de José Amaro.” Franklin também pretende trabalhar com a mesma equipe com a qual iniciou o projeto, responsável pela realização do premiado curta Rua da Escadinha 162, no qual ele foi produtor e Márcio o diretor. “Vou investir tudo aqui (em Pernambuco)”, promete o diretor. “Os ‘estrangeiros’ que vão vir são os cearenses com quem trabalho há mais de dez anos.” Para a trilha sonora, já pensa em nomes como Ortinho, Siba, Comadre Florzinha e SaGrama. Os escolhidos gravarão no estúdio da UFPE. O contrato para a realização de Orange de Itamaracá foi firmado com a Petrobras e o cineasta tem um prazo até o mês de setembro deste ano para apresentar a obra pronta. Para facilitar a produção, Franklin está fechando vários acordos com laboratórios e fornecedores a título de apoio e co-produção. (© JC Online)
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