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Olha só o hardcore que ela sabe fazer

05-06-2008

Pitty

Bernardo Araujo

   O sol brilha na Barra da Tijuca, mas a moça branquela de olhos verdes e cabelão mezzo- pretto- mezzo -ruivo ostenta um casaco e sua voz sai rouca. Pitty é a prova viva de que o trabalho árduo pode render dividendos no mundo do rock, mas que eventuais prejuízos físicos são inevitáveis. A cantora baiana de 26 anos, que canta sexta-feira no Ballroom e sábado na lona de Realengo, passou uma semana no Rio gravando seu primeiro DVD, previsto para maio. Disco, por enquanto, ela tem um, “Admirável chip novo”, e chega.

   — O CD foi lançado há apenas um ano, ainda temos muito o que trabalhar — diz ela. — Já emplacamos três músicas no rádio, “Máscara”, “Admirável chip novo” e, agora, “Teto de vidro”.

   Ex-integrante de uma banda punk baiana, a Inkoma, Pitty virou artista solo e veio parar no Sulmaravilha por acaso.

   — Conhecia o Rafael Ramos, produtor e músico carioca, porque ele também tocava em uma banda de hardcore , a Jason — lembra ela. — Nós nos encontramos um dia em Salvador, o Inkoma tinha acabado e eu estava compondo sozinha. Rafa me pediu um fita com as minhas músicas, eu mandei e ele propôs o disco.

   Mal sabia ela que Rafael, que também integrou o Baba Cósmica, é um dos principais produtores de rock no país atualmente, com bandas como os Raimundos, o Ira! e até o compositor João Donato no currículo. Ele ainda tem uma facilidade familiar: seu pai, o empresário e produtor João Augusto, é proprietário da gravadora Deckdisk. O pacote foi oferecido completo a Pitty.

   — Nunca tinha pensado em ser artista solo, então formei uma banda com alguns dos meus músicos preferidos lá de Salvador, cujos grupos por sorte também tinham acabado — recorda ela, cujo namorado há seis anos, Duda Machado (ex-Lisergia), é seu baterista.

   Em um ano pelos palcos, Pitty já mudou de cidade (mora em São Paulo, com Duda e o baixista-figuraça Joe) e de divisão no rock nacional.

   — O CD ainda não chegou a 50 mil cópias vendidas, mas há momentos, como o Festival de Verão de Salvador, quando tocamos às quatro da manhã e quase ninguém foi embora, que fazem valer a pena toda a ralação — diz ela.

(© O Globo)

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