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Usina leva batuque para a França

05-06-2008

Batuque da Usina faz primeira turnê internacional

Grupo formado pelo percussionista Wilson Farias, reunindo jovens com idades que variam de 15 a 19 anos, faz primeira turnê internacional. Eles vão com Silvério Pessoa

JOSÉ TELES

   Recomeça a temporada de turnês de músicos pernambucanos para a Europa. Silvério Pessoa e o Bate o Mancá, e o Batuque da Usina, comandado por Wilson Farias. Silvério Pessoa e a banda viajam para o lançamento do CD Bate o Mancá (que está saindo também nos EUA e Japão), enquanto o Usina vai para shows e workshop. Em junho, Silvério e o grupo Bate o Mancá retornam à Europa para uma viagem mais longa (a de agora será de 15 dias), de cerca de três meses, quando tocam nos Estados Unidos, em vários países europeus, estendendo a excursão até a Indonésia.

   Wilson Faria, 26, dificilmente poderia deixar de ser percussionista. O pai animava festas com um equipamento de som, alimentado a sons caribenhos, guarachas, guajiras, rumbas, salsas. Ele lembra que aos quatro anos, ia dormir embalado pelo batuque que vinha do terreiro do candomblé da avó, o extinto maracatu rural Águia de Ouro ensaiava em frente da casa dele, no Morro da Conceição.

   Faria começou a carreira na banda de Walmir Chagas, no início do movimento mangue. Depois tocou com Antúlio Madureira, em seguida veio a Cascabulho. Com o final da banda, ele continuou com Silvério Pessoa (gravou também com vários artistas, entre eles, Geraldo Azevedo, Zé Ramalho, Teça Calazans). “A oficina surgiu há quatro anos, no Morro da Conceição. Com o tempo o local onde a gente ensaiava foi ficando pequeno. Nós fazemos um movimento social, trabalhamos a auto-estima de adolescentes carentes, com arte: música, pintura, dança. A oficina cresceu tanto, que acabamos tendo que descer o morro e vir para Casa Forte, onde conseguimos um lugar mais espaçoso”, explica Wilson Farias.

   Ao contrário do Afro-Reggae carioca, cujo apoio vem de vários segmentos da sociedade, do Governo, e celebridades feito Caetano Veloso ou o falecido Waly Salomão, a oficina vira-se com recursos próprios. Apadrinhados por Silvério Pessoa, Lula Queiroga, o grupo vem conseguindo ser escalado para shows, festivais, culminando com a primeira turnê internacional dos músicos, com idades que variam de 15 a 19 anos: “Esta não será apenas a primeira viagem ao exterior”, atalha Wilson Farias, “Será a primeira vez que eles entram num avião, acho que nenhum nem sequer viajou para fora de Pernambuco”, complementa.

   O convite surgiu a partir de um trabalho feito por Wilson Faria junto a empresários franceses. O produtor francês Frederic Gluzman já havia visto um vídeo do grupo, mas se convenceu que deveria levá-lo à Europa quando viu um show dos garotos, em dezembro passado, na domingueira que costumam fazer em Casa Forte: “A gente tem o maracatu, o coco, enfim a tradição, no sangue, mas 80% dos ritmos que fazemos são criados pelo grupo mesmo. Foi isto que atraiu o empresário”, conta Farias, acrescentando que bolam também instrumentos, como um set de percussão formado por bacias, e fazem percussão com tempero pop: “Para a platéia agüentar 40 minutos só de batuque é preciso ter muito jogo de cintura, colocar um molho diferente, a gente consegue fazer isso, ligando uma música atrás da outra. Só tem um trecho do show que é cantado, com algumas loas de maracatu”, comenta.

   Na França, eles participam do Chorus, prestigiado festival que acontece em Paris, com dois meses de duração, e dezenas de atrações: “A gente vai fazer oficinas, e fecha o festival tocando com Elza Soares”, adianta Wilson. Na volta O Batuque Oficina começa a gravar um CD: “Vai ser produzido por Silvério Pessoa, com participação de Lenine, Pedro Luís (de A Parede), Lula Queiroga”.

(© JC Online, 16.03.2004)


Silvério Pessoa lança na Europa o CD Bate o Mancá

 
Confira especial Diário de Viagem de Silvério Pessoa

   Semana que vem Silvério Pessoa estará em Paris dando entrevistas para emissoras de rádio, a jornais como o Le Monde, e revistas especializadas como Vibrations. Tudo isto por causa do lançamento do CD Bate o Mancá, na França (saiu também no resto da Europa, América do Norte e Japão). Algo que soa no mínimo estranho, já que no Brasil ele praticamente não toca nas rádios de sua cidade, raramente aparece nas TVs do Sudeste, seus discos têm tiragens pequenas. “Assim como o mercado nacional está modificando-se, lá fora isto também acontece, mas de maneira diferente. Acho que pelo fato de não ter mais a tradição, o folclore, o europeu passou a valorizar a tradição de países como o Brasil, o que na verdade é uma espécie de volta ao passado dele mesmo, porque o forró, a marcha junina têm muito a ver com a França, foi algo que a gente reprocessou”, analisa Silvério.

   Esta turnê será a primeira de duas já programadas para este ano. A próxima se prolongará por dois meses. Ele e o Bate o Mancá passam pelos principais países europeus e vão até a Indonésia: “A turnê que fizemos o ano passado, de três meses, abriu espaços, teve uma receptividade tão grande que resultou nestes novos convites”, conta o músico.

   Embora não reclame da falta de apoio oficial à turnê, Silvério Pessoa é de opinião que o Governo deveria atentar para a grande publicidade gratuita no exterior que a música pernambucana traz para o Estado: “O que sinto mais é que não haja uma forma de fazer com a música da gente toque mais no rádio. Não que isto seja condição obrigatória. Eu não tocando, acabo alcançando outro público. Fiz um Seis e Meia com o teatro quase lotado. Meu disco recebeu quatro estrelas da revista Rolling Stone, mesmo que o conceito de artista nacional para grande parte do povo seja o que toca nas rádios e vive aparecendo na televisão”.

   Silvério confessa que superou a fase de “síndrome do coitadinho”. “Vivo do que ganho com música, compramos os instrumentos da banda com o que a gente ganha nos shows. Com ou sem apoio, levo o nome do Brasil, de Pernambuco e do Recife para os gringos”, ressalta.

   Quando voltar ele adentra o estúdio para gravar o terceiro disco solo: “Será um trabalho autoral. Já estamos com três músicas prontas. Uma delas, Nas terras da gente, saiu como faixa bônus no disco lançado no exterior”, diz. Esta música, ele disponibilizou para ser baixada gratuitamente no JC OnLine, no qual manterá um diário de viagem, mantendo os fãs atualizados de suas andanças pela Europa.

(© JC Online, 16.03.2004)


Vozes brasileiras na França

Artistas pernambucanos participam do Festival Chorus de Hauts-de-Seine

Michelle de Assumpção
Da equipe do DIARIO

   O relacionamento da música pernambucana com a cultura estrangeira torna-se cada vez mais promissor. Desta vez, dezenas de artistas e grupos brasileiros, entre eles, três pernambucanos, embarcam para a França, onde irão participar de um segmento especial do Festival Chorus de Hauts-de-Seine - o Chorus Brasil. O evento acontece entre os dias 16 de março a 4 de abril, simultaneamente, em 30 cidades francesas. A ligação das bandas pernambucanas com o festival aconteceu por meio de um produtor chamado Frédéric Gluzman, da VO-Music, que esteve aqui ano passado especialmente para essa finalidade. Participam do Chorus, o Batuque Usina, Silvério Pessoa e DJ Dolores e Aparelhagem.

   Amanhã, Wilson Farias, responsável pelo Batuque, viajará para a França acompanhado pelo cantor Silvério Pessoa. Antes do Usina chegar em Paris, Wilson Farias tocaria com Silvério. Desistiu pois as agendas começaram a se chocar. Silvério - que vai levar para a Europa o show Bate o Mancá - vai tocar na Suíça e Espanha, também. Já Wilson vai se encontrar com o Prefeito da cidade de Venves, próximo a Paris, e dar entrevistas à imprensa local divulgando o seu grupo. O encontro do Wilson com o prefeito foi proposto pela organização do festival, já que o músico desenvolve aqui oficinas para adolescentes carentes, cuja repercussão social é de interesse da política cultural praticada pelas autoridades francesas.

   Assim que chegar à França, Wilson já começa as oficinas para troca de experiência com músicos franceses. Ele destaca a função social, de intercâmbio cultural, que esse festival significa. "A expectativa é das melhores, vamos juntar as duas galeras e eles vão aprender sobre a nossa cultura", destaca o percussionista e educador. O trabalho do Batuque Usina é de percussão, que utiliza os baques do maracatu, o ritmo do coco, do rap e do funk carioca.

   É uma mistura empolgante, tribal e ao mesmo tempo universal. Foi o que fez o francês Frédéric bater o martelo em querer o grupo no festival. A ida dos pernambucanos à Paris, segundo o que o próprioGluzman declarou ano passado, quando aqui esteve, também é um sinalizador de que, em 2005, quando os Ministérios da Cultura do dois países articulam o chamado Ano do Brasil na França, mais pernambucanos possam consolidar sua carreira fora do país.

(© Pernambuco.com, 16.03.2004)

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