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05-06-2008
Dois minifestivais, em Olinda e no Recife, dão uma amostra da nova geração do rock pesado local
A cena pernambucana de rock pesado ganha reforço com o surgimento de novas bandas que mostram trabalhos autorais em diversos estilos. A noite de hoje é marcada pela realização de dois minifestivais, em Olinda e no bairro do Recife, nos quais reúnem-se alguns destes grupos mais recentes. O único com mais tempo de estrada é o Hanagorik, que faz sua primeira apresentação desde que voltou da terceira turnê na Europa. Hanagorik faz o show principal do Olinda Rock, a partir das 22h, no Mercado Eufrásio Barbosa (Varadouro). Um concerto “para matar a saudade de Olinda” e “para desenferrujar” após três meses sem subir num palco, segundo o guitarrista Tuca. Por isso, o grupo pretende desfilar o repertório de seus três álbuns, com direito a participação dos amigos da Insurrection Down, uma das atrações do Abril pro Rock deste ano. Do bairro de Peixinhos, participam nada menos do que três bandas no evento olindense. A mais experiente, Ataque Suicida, reestréia como quarteto, após uma mudança na formação. Além dos temas de hardcore mais conhecidos, como Igreja fascista, Atentado à liberdade e Politicamente incorreto, o grupo apresenta novas canções – A farsa da globalização, Mortos ao vivo e Espetáculo macabro. “Nós amadurecemos e estamos com a cabeça mais voltada para o mundo”, justifica o vocalista Maurício. A Obra e Calibre Pesado completam a tríade de Peixinhos. A primeira, de estilo punk metal, é recém-formada por ex-integrantes da Anhuma, uma das revelações do PE no Rock 2000, e faz seu segundo show hoje. “É um som instigante, para pular”, garante o vocalista Harryson. Já a Calibre investe numa mistura de heavy com new metal. “É quase thrash”, define o cantor do grupo, Carmelo. A banda, que existe há cinco anos, enfoca em suas letras as questões sociais e se intitula “a porta-voz dos moradores das favelas e das ruas, das palafitas e dos morros”. A quinta atração da noite, Moicannos, vem do bairro de Jardim Paulista. Também formado em 1999, o grupo investe no hardcore com letras em português – a exemplo das demais atrações do Olinda Rock – e tem como principal preocupação a política. (© JC Online) Metaleiros se inspiram em ídolos do gênero A noite promete ser pauleira em Olinda mas, quem quiser conferir um som ainda mais pesado, tem como opção outro minifestival, promovido pelo selo Blackout Discos no Dokas (Bairro do Recife). As pernambucanas Infested Blood e Abyss of Darkness, e a potiguar Nightbreath mostram seus novos trabalhos.Também de Pernambuco, tocam Empire of Shadows e a recém-criada Goredblood. Diferentemente dos grupos que se apresentam no Olinda Rock, o som da rapaziada do metal mais pesado é todo cantado em inglês. De Natal (RN), a Nightbreath desembarca pela terceira vez no Recife. Desta vez, a banda de death metal mostra aqui as músicas de seu novo CD demo, Blasphemies and Brutality. Além das músicas próprias, o grupo toca temas do Hypocrisy e do Sarcófago. Ainda curtindo o reconhecimento por haver sido lembrada na eleição dos melhores de 2003 da revista Roadie Crew – sexto lugar na categoria Revelação –, a Infested Blood volta a mostrar hoje o trabalho de seu elogiado CD The Master of Grotesque. Puro brutal death metal, a Infested toca ainda três canções inéditas. Abyss of Darkness e Empire of Shadows comemoram três anos de formação. A Empire, prega o “escárnio a todo de escravidão dogmática” nas músicas de seu segundo demo, Evil Dominium, que divulga hoje. Já a Abyss aposta no velho death metal dos anos 80, inspirado em grupos como Morbid Angel e Cannibal Corpse e “contra a ideologia cristã”. Fecha a lista de atrações a caçula GoredBlood. A banda, que canta temas relacionados ao lado sombrio do ser humano, testa seu repertório próprio – inspirado em Slayer e Decaptaded – pela primeira vez em um palco menos underground. (© JC Online) Imune à pirataria, HM prolifera Gravadoras aproveitam a autoproteção que o heavy metal tem contra a reprodução ilegal: o público é fiel e o lucro é certo, por isso, tome lançamentos por JOSÉ TELESO metal pesado é um dos gêneros que menos sofrem a ação da pirataria. Seu público é fiel e exclusivista, faz questão do produto legítimo. Ciente disso a Paradoxx mancomuna-se com a Nuclear Blast e lança um pacote com metal de pesos e estilos variados. Vai do thrash metal da veterana Exodus, com Tempo of the Damned, até o futuristic hybrid metal (sic) da Raunchy, com Confusion Bay. Entre ambas há o rock metal, meio pop, da Farmer Boys, com The Other Side, o northern hyperblast da Kataklysm, com Serenity in Fire, o thrash metal core da Ektomorf, com Destroy, o power metal da Edguy, com Hellfire Club, o heavy tradicional da Primal Fear com Devil’s Ground, e o death metal da Hypocrisy, com Arrival. Lenda da metalaria pesada, a Exodus foi fundada em 1982, e inspirou grupos como Metallica e Testament. A carreira da banda foi conturbada e em 1992 fechava para balanço. Reuniu-se por pouco tempo em 1996. Quando preparava a terceira volta, em 2002, o vocalista Paul Baloff sofreu um ataque cardíaco. Steve Souza, que havia substituído o mesmo Baloff em 1987, reassume os vocais para este Tempo of the Damned, no qual o grupo reaparece com um pique de estreante, a adrenalina saindo pelo ladrão nas dez faixas do CD. Som violento, guitarras que parecem descontroladas, bateria e sintetizador no mesmo diapasão. Assim é Confusion Bay da dinamarquesa Raunchy, que estreou em 2002, com o elogiado Velvet Noise. O quinteto faz o que foi rotulado de metal futurístico híbrido, a ponte entre o Yes e o Black Sabbath, com habilidade e beat aceleradíssimo. The Other Side é o quarto disco de estúdio da alemã Farmer Boys. Um dos CDS mais melodiosos do pacote da Paradoxx/Nuclear Blast. Som do tipo morde e assopra, um bom exemplo, é faixa Like Jesus wept, uma balada, com guitarras distorcidas, teclados e harmonia a quatro vozes. A canadense Kataklism está no sétimo disco. Em Serenity of Fire a banda recebe uma mãozinha do vocalista Peter Tägtgren, da Hipocrisy. O estilo northern hyperblast é metal em velocidade supersônica (o novo baterista Martin Maurais é uma espécie de Keith Moon da metalaria pesada). O disco tem dez faixas, interligadas. Um dos mais poderosos sons desta fornada de HM. Roots, bloody, roots (raízes, desgraçadas, raízes), como cantou o Sepultura, tem tudo a ver com a Ektomorf. No meio da pancadaria devastadora, há em Destroy traços de música cigana (uma das canções chama-se Gipsy), influência da citada Sepultura ou de sua dissidência, a Soulfly, com os quais a Ektomorf é comparada. Dividida entre o thrash e o hardcore, a Ektomorf varia ritmos, timbres de guitarras, sem aliviar o pé do acelerador. A alemã Edguy brinca com vários clichês do heavy metal, principalmente o horror filme B. Hellfire Club é metal retrô, meados dos anos 80, com toques sinfônicos. Algumas canções são quase pop, a exemplo de The piper never dies. Um disco que pode agradar até mesmo aos que não são chegados ao gênero. A também alemã Primal Fear é hoje um dos maiores nomes do HM Europeu. Metal is forever, a faixa que abre Devil’s Ground, ameaça tornar-se um hino do gênero. Considerados expoentes do death metal, Os suecos da Hypocrisy, com The Arrival, vão além da classificação. Fazem uma música vigorosa, intercalando a podreira com climas grandiloqüentes. Introduções lentas, antecedem a barulheira em canções com títulos sugestivos, Born dead buried alive (Nascido morto, enterrado vivo) ou Slave to the parasites (Escravo dos parasitas). (© JC Online)Cena local reedita nova era de ouro por WILFRED GADÊLHADa Editoria de Cidades Às vésperas de mais um sábado negro no Abril Pro Rock (dia 16 de abril), a cena heavy metal recifense vai muito bem, obrigado. A cidade parece ter voltado ao fim dos anos 80, início dos 90, naquela época pré-manguebeat, onde os estilos mais variados do rock pesado movimentavam os fins de semana na periferia. Com uma diferença: os headbangers (é assim que o pessoal prefere ser chamado, arrisque um “metaleiro” e ganhe a antipatia do sujeito para o resto da vida...) hoje freqüentam clubes e casas antes restritos aos mauricinhos, como os clubes Português e Internacional. O Recife tem sido um importante porto para as turnês de bandas gringas que por aqui vêm gorjear. Pela Mauricéia, já passaram nomes como Deep Purple, os ex-vocalistas do Iron Maiden Paul Di’Anno e Blaze Bayley, Stratovarius, Blind Guardian, Kreator, Rotting Christ, Merciful Fate, Morbid Angel, Incantation, Destruction (os alemães tocam no APR, na segunda visita à cidade) e outros grupos brasileiros, como Sepultura, Angra, Shaman e Krisiun. Para este ano, já está garantida a presença, em agosto, dos finlandeses do Children of Bodom, um dos expoentes do death metal melódico – se é que isso existe. A cena recifense não é feita apenas de bandas estrangeiras. A prata-da-casa vem mandando bem nos últimos tempos. Os lançamentos de CDs de bandas locais ganham espaço entre os bangers, que prestigiam os shows com uma avidez que remonta aos tempos de Fire Worshipers, Cruor, Arame Farpado, Dark Fate, Cérbero, Infected, The Ax (ainda na ativa) e outras bandas que marcaram o início dos anos 90. Não se pode deixar de falar em grupos atuais como Hanagorik, Decomposed God, Infested Blood, Dyluvian, Silent Moon, Malkuth, Insurrection Down (a única pernambucana realmente pesada a tocar neste APR) e As The Shadows Fall, que vez ou outra mostram seus dentes no já tradicional Dokas. Todas estas já têm full-lenghts ou estão em vias de lançamento. Uma contribuição que não pode deixar de ser citada é a da Blackout Discos, loja, selo e produtora de shows que apóia o underground pernambucano. O batalhador João ‘do Galo’ Marinho já lançou os discos do Câmbio Negro H.C. (o dois em um reunindo os clássicos Espelho dos Deuses e Terror nas Ruas) e do Infested Blood (recentemente votada na revista Roadie Crew como a sexta banda revelação nacional) e têm na agulha o primeiro CD do Silent Moon. (© JC Online)
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