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05-06-2008
Companheira do cineasta abre mostra de fotos inéditas, quinta-feira, na Galeria Acbeu César Romero e Justino Marinho Homenagem ao cineasta baiano Glauber Rocha, a exposição Glauberperspektyva será aberta quinta-feira, na Galeria Acbeu (Corredor da Vitória), com fotografias de Paula Gaitán, que foi casada com Glauber por cinco anos, e o acompanhou em viagens, trabalhos, filmagens, até sua morte, em 1981. São 24 fotos em preto-e-branco (com 24 x 30 centímetros) e quatro em cores (40 x 60 centímetros). Paula Gaitán atualmente é sócia na nova produtora Aruac Filmes, com os cineastas Eryk Rocha (do filme Rocha que voa) e Ava Rocha (Naufrágio lento no País das Maravilhas), é professora de cinema e vídeo na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (RJ), curadora do setor audiovisual do Centro Cultural Oduvaldo Vianna Filho e prepara um longa-metragem sobre a história da fotografia através da vida e obra de Hercule Florence. "Esta é uma exposição que eu queria fazer há alguns anos, mas estavam envolvidos alguns aspectos emocionais que terminavam adiando as coisas. Fui casada com o Glauber por cinco anos, com quem tive dois filhos: Eryk Rocha, que também é cineasta e tem 25 anos, e Ava Rocha, que tem 24 e trabalha em cinema", declara. As fotos foram realizadas em várias viagens de Glauber por Brasília, Ouro Preto, Rio de Janeiro, São Paulo e cidades da Europa. "Nesta mostra da Bahia, fiz uma seleção pequena, mas gosto do resultado. Agora ele estaria fazendo 65 anos e a ocasião é muito oportuna. As fotos cobrem o período de 1977 a 1981", apresenta Paula Gaitán. Nessa montagem da Acbeu, ela especificou cada fotografia, ano em que foi realizada e local, para melhor informação do espectador. Sendo sua última companheira e com grande grau de intimidade, seus registros fotográficos ganham naturalidade e espontaneidade. "O Glauber foi um grande artista, um cineasta profundo e criativo. Trabalhei com ele, fiz os cartazes, a cenografia e o figurino do filme A idade da Terra, participei das ilustrações do livro de Glauber, Nascimento dos deuses, que foi publicado na Itália em 1980 e que nunca foi lançado aqui. Eu ilustrei metade e ele, a outra. Ele fazia desenhos de um traço só, algo meio picassiano. Tivemos uma relação muito criativa", lembra. As fotografias até então se mantinham inéditas, esperando uma adequada oportunidade: neste ano de 2004, o cineasta baiano completaria 65 anos. Assim a homenagem se reveste de maior grandeza. O título da mostra, Glauberperspektyva, soa um tanto curioso. Segunda Paula se deve por ser um olhar em perspectiva sobre Glauber. "Ele sabia que eu estava fazendo as fotos e fazia performances, sua presença era toda especial. Há uma série de fotos de Glauber na máquina de escrever que são registros naturais. Ele era muito disciplinado e rigoroso, acordava na mesma hora, tomava o café da manhã e escrevia até as 13h seus textos, roteiro e matérias para jornais, por isso ele deixou um vasto material, uma obra monumental", diz a fotógrafa. "Na máquina de escrever, ele não posava. Por isso, são fotos mais simples, mais intimistas". Esse trabalho de Paula Gaitán começa na Bahia e, depois, será exposta no Malba (Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires). As imagens integrarão um livro com 400 fotos realizadas pela artista no período em que viveu com o cineasta. "Não considero 400 fotos um grande arquivo, mas estas são especiais", afirma. Segundo ela, "Glauber era rigoroso esteticamente, as pessoas têm dele uma visão delirante, o que não corresponde à realidade". Ela enfatiza que seus roteiros eram bem construídos, "pesquisas sólidas, tudo bem pensado, ele podia mudar na hora da filmagem, mas não eram improvisações, ele sempre conseguia algo melhor. Seus filmes são cheios de idéias, as estorinhas em si não eram importantes, eram montagens de idéias, de pensamentos bem estruturados". Sobre o filme A idade da Terra, Paula apregoa que "é meio delirante, teve vários roteiros, mas no final o filme se transformou num grande épico da sociedade latino-americana. Foi incompreendido porque Glauber faz uma montagem cósmica, que resultou num impacto vital para o cinema brasileiro. Glauber era um grande diretor de atores. Ele era tudo isso, estas fotos são um resumo de como eu o via". (© Correio da Bahia)
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