05-06-2008
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Relançamento da obra de Rachel de Queiroz |
Rachel de Queiroz é relançada pela José Olympio no formato de coleção. Os
romances O Quinze e Memorial de Maria Moura inauguram a
reunião de obras
Carolina Dumaresq
da Redação
Rachel de Queiroz
continua renitente. Antes de cruzar os limites da fazenda Não me Deixes, em
Quixadá, em 04 de novembro de 2003, a escritora cearense prometera retornar
para a editora que lhe deu rancho por 50 anos. O casamento de Rachel de
Queiroz com a José Olympio teve vida longa. Entre 1937 e 1992, a editora
detinha direitos exclusivos sobre a obra da escritora.
No início da década de 90, a crise
financeira que abalou as estruturas da pioneira José Olympio acabou
desfalcando a constelação ilustrada. A estrela passou a brilhar na Editora
Siciliano, onde publicou o derradeiro romance Memorial de Maria Moura.
Dez anos passados, em 2001, o Grupo Record compra a José Olympio e decide
manter o selo que consolidou o modernismo brasileiro. ''Nesse momento,
pudemos finalmente oferecer condições ideais para o retorno de Rachel. Em
2003, fizemos uma longa e silenciosa negociação para ela voltar'', contou a
gerente editorial Maria Amélia Mello.
Antes disso, a escritora sertaneja já
ensaiava a sua volta. Lançou pelo selo dois livros infanto-juvenis em
contratos pontuais. Xerimbabo foi publicado em 2002 e,
Memórias de Menina, início de 2003, assumiu o pódio da lista dos
''10 Mais'' da José Olympio. ''Fui amiga pessoal de Rachel por 30 anos. Ela
e José Olympio tratavam-se por compadres. Queria que ela voltasse em grande
estilo. Em meados do ano passado, alguns meses antes de sua morte, fechamos
o contrato'', relatou a editora.
Para a reestréia, a
editora organizou uma coleção que compreenderá toda a obra da escritora. O
primeiro e último romance, O Quinze (1930), e Memorial
de Maria Moura (1992), respectivamente, inauguraram o projeto.
''Vamos fazer ainda Caminho de Pedras (1937), As três
Marias (1939), Galo de Ouro (1950) e Dôra
Doralina (1980) até agosto'', prometeu. Segundo Maria Amélia, ainda
este ano, a coleção, que prevê crônica e teatro, estará nas livrarias.
O tratamento de coleção dado à prosa
regionalista da heterônima de Rita de Queluz não perdeu de vista o mercado.
O romance social O Quinze está sendo comercializado por R$
22,00. Com um preço mais salgado, R$ 58,00, a saga da atrevida Moura é
contada em um calhamaço de 496 páginas. ''Demos o selo, e uma unidade,
graficamente é primoroso, um tratamento digno de Rachel de Queiroz. Existe
uma identidade clara e harmoniosa entre os títulos. Em uma prateleira, basta
identificar um livro para localizar os demais'', justificou.
O projeto gráfico preza pelo apelo
visual. Cores vibrantes preenchem as capas em cartão supremo. Para ilustrar,
o xilógrafo paraense Ciro Fernandes foi convidado para traduzir em desenho a
essência de cada volume. ''Existe uma identidade do trabalho dele com o da
escritora. O sol, que acompanha os enredos de Rachel de Queiroz será um
elemento que permeará toda a coleção'', detalhou Maria Amélia.
Os perequetés que personalizam a
coleção são muitos. O poeta alagoano Lêdo Ivo assina a orelha do livro
Memorial de Maria Moura, ao lado do escritor Antônio Cândido, que
descreve o cenário inclemente do sertão ainda nas sobressalências do O
Quinze. Na contracapa, o retrato da escritora perenizam a fisionomia
de Rachel de Queiroz. ''Todos os detalhes foram cuidadosamente discutido.
Entendemos que assim é o Nordeste. Cores fortes e vibrantes que revelam um
povo luminosos e combativo'', sintetizou a editora.
O projeto incipiente já fertiliza
outros solos literários. A Editora José Olympio já trabalha na elaboração de
um trabalho semelhante com Ariano Suassuna e José Lins do Rêgo. ''Acabou
virando um projeto muito mais abrangente, é a retomada também da José
Olympio'', vislumbrou Maria Amélia.