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05-06-2008
Jornalista Telma Vasconcelos autografa hoje, no Campo das Princesas, a biografia da senhora do Engenho Casa Forte, fruto de um longo e paciente trabalho de pesquisa SCHNEIDER CARPEGGIANIProprietária do engenho que deu o nome ao atual Bairro de Casa Forte, Anna Paes é uma espécie de figura de rodapé de luxo do período de ocupação holandesa em Pernambuco. Filha de pais portugueses nobres e ricos, ficou viúva aos 18 anos, e herdou o maior engenho da Várzea do Capibaribe. Foi tão a favor da colonização dos holandeses que se casou com dois deles. Para alguns historiadores, ela foi ainda mais longe em seu apoio aos flamengos: dividiu por um bom tempo a cama com Maurício de Nassau. Para a jornalista Telma Vasconcellos, 80 anos, a relação amorosa entre Anna Paes e Nassau foi pouco além de uma só noite de sexo. “É muito fácil para os historiadores se apressarem e rotularem os dois como amantes. É necessário olhar a história direito”, ressaltou a autora da biografia da ‘senhora de Casa Forte’, Dona Anna Paes, que tem noite de autógrafos hoje, às 19h, no Palácio do Campo das Princesas. Fruto de um longo e paciente trabalho de pesquisa, Telma relata na biografia que Anna Paes dormiu com Nassau após o primeiro encontro dos dois, no baile que marcou a chegada do conde ao Recife. “Eles não foram amantes por uma pura questão de falta tempo.” Essa falta de tempo Telma justifica pelas diversas viagens para guerrilhas feitas por Nassau, pela discrição que seu cargo pedia e até mesmo pelas doenças que ele teve no período em que passou em Pernambuco. “Nassau morava na Rua do Imperador e Anna Paes na Bom Jesus. Nesse tempo, a travessia só podia ser feita de balsa, o que chamaria muita atenção para os dois. Imagine Nassau atravessando o rio para encontrar a sua amante?” A tal noite de sexo entre Anna Paes e Nassau é descrita em tons forte no livro. Para chegar despercebida no quarto do nobre, ela se travestiu de homem. “Imaginem o alvoroço que não causou no Pernambuco naquela época a notícia da chegada de um nobre europeu. Todas as moças queriam se aproximar dele”, afirma Telma. Mesmo sem ter firmado uma relação duradoura com Nassau, Anna Paes bem que ficou interessada no estrangeiro. Um dos rastros que a história guardou da relação dos dois foi uma carta, publicada agora na biografia escrita por Telma, em que ela flerta com o nobre oferecendo seis caixas de açúcar do seu engenho. Apesar da fama de sedutora com que Anna Paes entrou para a história – o que no caso das mulheres costuma gerar adjetivos nada lisongeiros – nenhuma imagem sua é conhecida. “Quiseram fazer um desenho dela para ilustrar o livro, mas preferi que cada um tivesse a sua própria imagem de Anna Paes”, completou a autora. Essa não é a primeira vez que Anna Paes seduziu também biógrafas. A escritora Luzilá Gonçalves Ferreira escreveu sobre ela em A Garça Mal Ferida. “Anna Paes é interessante porque foi uma mulher à frente do seu tempo, que dirigiu um engenho naqueles primeiros anos do Brasil, que fez escolhas que só eram oferecidas aos homens. Ela não foi uma heroína da história. Foi uma heroína para as mulheres”, justificou Telma. (© JC Online)
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