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Artistas dão as cartas em Heterodoxia

05-06-2008

Renata Pedrosa está presente em Heterodoxia

 

A tônica da exposição é promover a interação entre artistas de todo o País, lhes dando liberdade para escolher as obras, sem imposição da curadoria

DIANA MOURA BARBOSA

   A Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) traz para Pernambuco uma experiência de artes plásticas inédita e bem-sucedida em território nacional. A exposição atende pelo nome de Heterodoxia e a novidade é que ela faz parte de um projeto totalmente independente, feito por artistas plásticos, que vem itinerando pelo Brasil inteiro. A cada parada, em Estados diferentes, a mostra ganha uma nova configuração, com artistas e obras diferentes. A partir de hoje, Heterodoxia pode ser vista pelo público pernambucano, nas galerias Baobá e Massangana, da Fundaj de Casa Forte.

   Com um elenco de 22 artistas, na montagem local, a mostra traz um resumo de alguns caminhos tomados pela produção contemporânea de artes plásticas sem, entretanto, obrigar-se a ser uma coletânea de gêneros ou estilos. Na verdade, segundo o próprio curador dos trabalhos, Walton Hoffmann, a idéia da coletiva é justamente preservar a espontaneidade e a liberdade de cada artista. “Eles podem indicar a obra que querem expor, mostrar o trabalho que estiverem a fim. Na hora de montar a exposição, nós vamos coordenando as peças disponíveis e o resultado sempre fica bom, com unidade,” destaca Hoffmann, que também tem uma pintura na exposição.

   A idéia dos organizadores de Heterodoxia é deixar espaço para que os artistas possam se expressar como têm vontade. “Os autores dos trabalhos têm o maior interesse em enviar o melhor de sua produção, principalmente porque a mostra tem tido uma boa repercussão onde é apresentada,” complementa.

   O resultado é realmente bom e diversificado, mas menos heterodoxo do que o que propõe o título, pelo menos na montagem pernambucana. Talvez porque a junção de obras de arte com temáticas e técnicas díspares já não seja mais uma fonte de estranhamento na arte contemporânea. O inusitado fica mesmo por conta independência da proposta.

   Dessa forma, a coletiva tem artes para todos os gostos. Pinturas, colagens, esculturas, objetos e performance estão incluídos no cardápio, que de uma maneira geral é bem comportado. Destaque para a pintura de Shirley Paes Leme, que queima o vidro de uma moldura, colocado sobre tela branca, cujo efeito faz lembrar uma fotografia e desperta a curiosidade do público. A foto de Caetano Dias, da série Entre o Mundo e o Sujeito também impressiona. Outra boa novidade da edição pernambucana da exposição é a presença da artista plástica Alice Vinagre, com uma enorme tela vermelha sobre São Sebastião. O trabalho traz os principais elementos das últimas obras da artista, como veladuras com papel, apropriação de imagens e superposição de cores intensas.

   Heterodoxia já passou por estados como Paraná, Goiás, Minas Gerais, Paraíba, Rio de Janeiro e São Paulo. Depois do Recife, no próximo dia 30, a exposição é montada em Vitória do Espírito Santo, com outras obras. “Essa flexibilidade de reunir novos artistas em cada parada proporciona a interação entre artistas e obras de vários lugares do País. Esse também é um dos nossos objetivos”, pontua Hoffmann.

(© JC Online)


Carlos Mélo dorme em performance inédita no Recife

   Quem for para a abertura da exposição Heterodoxia pode conferir, somente hoje, a performance Sim, Toma, do pernambucano Carlos Mélo. Mostrado duas vezes anteriormente, no Paço das Artes (SP) e em outra montagem de Heterodoxia (PB), o trabalho discute – e ultrapassa – os limites da representação em performances.

   Em Sim, Toma, Mélo ingere um medicamento sonífero de efeito imediato, deita-se no chão e dorme. O trabalho acontece para o público em tempo real e a duração não é controlada. No momento em que o artista acorda, acaba a (não-)performance. Mesmo que de forma parcialmente involuntária, a apresentação explora um tema caro à sua obra: o embate do corpo com o espaço.

   “Esse trabalho dá continuidade à minha pesquisa de pós-performance, que são os trabalhos que eu faço sem a presença do público, para que sejam registrados, a fim de exibir esses registros para o público. Agora é diferente. Em vez de mostrar uma performance convencional, onde um artista representaria estar dormindo, eu tenho que dormir mesmo. Não é um show, um espetáculo, não tem hora para terminar. E, ao mesmo tempo, nega a presença do público, já que eu vou estar dormindo”, descreve Mélo.

   Além de sua apresentação, também fazem parte do trabalho um vídeo que mostra as duas performances anteriores e um outro registro fotográfico, impresso numa bula do remédio que o artista utiliza para dormir. (D.M.)

(© JC Online, 25.03.2004)


Liberdade às linguagens contemporâneas

Mostra itinerante independente chega às galerias da Fundaj com trabalhos de 22 artistas brasileiros e expressões múltiplas

Júlio Cavani
Da equipe do DIARIO

   Sem a interferência de curadores, critérios comerciais ou institucionais, a exposição coletiva itinerante Heterodoxia foi idealizada e é conduzida pelos próprios artistas participantes. Essa foi uma forma encontrada por eles para tentarem se livrar dos vícios do meio artístico, adquirindo liberdade para se expressar sem recortes, fios condutores ou temáticas pré-definidas e direcionas. O resultado deu tão certo que a mostra já percorreu espaços nobres de Curitiba, São Paulo, Goiânia e João Pessoa e agora chega com 22 participantes de 11 estados brasileiros às galerias da Fundação Joaquim Nabuco de Casa Forte, com quadros, fotos, performances, instalações, objetos e esculturas.

   Nem todos os participantes da exposição no Recife são os mesmos que integraram a coletiva em outros estados, assim como as obras também vão sendo substituídas a cada destino. "A Heterodoxia é uma coisa que não tem regra e nem padrão. Os únicos limites, no máximo, são as paredes da sala da galeria. Ninguém sabe como a exposição vai ficar até o momento da abertura", instiga Walton Hoffmann, participante e um dos criadores do projeto, idéia que surgiu, segundo ele, por acaso, durante conversas informais. "Os curadores seguem muitos modismos", acusa, ressalvando que a exposição não deve necessariamente ser encarada como uma crítica, pois seria mais uma proposta de caminho. No fim das contas, ela pode acabar até influenciando o mercado e as instituições (como a Fundaj). No conjunto, a reunião dos trabalhos não oferece um pressuposto temático, mas o espectador tem liberdade para fazer suas interelações entre as obras.

   A mostra reúne várias gerações de artistas, muitos deles com participações nas mais importantes mostras do Brasil, como Marcone Moreira, que, coincidentemente está neste momento expondo na Panorama da Arte Brasileira, no Mamam, com suas pinturas feitas com peças de madeira coloridas retiradas de barcos, casas e móveis populares. Do Recife, participam da Heterodoxia José Patrício, dessa vez usando dominós como suporte oculto deum espiral (ele também está na Panorama), e Carlos Mélo, com uma performance em que ele dorme na vernissage e depois imprime a foto da ação na bula do calmante.

   Márcio Boetner (RJ) literalmente almoça as páginas amarelas da lista telefônica em sua performance, Shirley Paes Leme (MG) faz pintura usando fumaça congelada, Flávia Fernandes (SC) faz gravura com areia e papel fragmentado, Luiz Hermano (SP) cria um macaco feito de cobre, Antônio Cláudio de Carvalho faz uma pintura textual pop com a morte de George Harrison relacionada ao grito de Tarzan, Fabiano Gonper (PB) desenha sobre um tecido, embrulha tudo e depois emoldura. Cada um sugere um caminho de múltiplas possibilidades, a exemplo do que faz a exposição em si.

Serviço

Heterodoxia, exposição com 22 artistas de 11 estados
Quando: Abertura hoje, às 19h.
Em cartaz até 9 de maio
Onde: Galerias Baobá e Massangana da Fundação Joaquim Nabuco (Avenida 17 de Agosto, 2187, Casa Forte)
Informações: 3421.3266 (setor de Artes Plásticas)

(© Pernambuco.com)


Projeto revela jovens talentos

   Ao longo de um ano, o Museu do Homem do Nordeste foi palco de encontros entre artistas e jovens que não sabiam que também eram artistas. O projeto Faço Arte no Museu colocou crianças de comunidades de baixa renda em contato com diferentes práticas artísticas e, principalmente, estímulos para a criatividade e para o desenvolvimento de uma consciência produtiva original. O resultado, expresso em obras de diversos materiais, é uma surpreendente confirmação de talentos, onde a poeticidade se sobrepõe à mera técnica. O programa pedagógico faz parte do projeto Faço Arte com Quem Sabe, que está entrando em uma nova fase, agora prestes a itinerar pelo interior do Estado, passando por Caruaru, Garanhuns e Vitória de Santo Antão.

   O Museu do homem do Nordeste sedia a partir de hoje a exposição Múltiplo Tempo, com abertura às 19h. Além de exibir as obras produzidas pelos promissores novos artistas, todo o processo de produção é revelado na mostra. Fotografias das aulas e das exposições anteriores, vídeos que registram o desenvolvimento do projeto, que também capacitou professores de escolas das comunidades. Aulas-passeio e exposições nos colégios também foram promovidas.

   Participaram do Faço Arte no Museu os artistas plásticos Augusto Ferrer, Bete Gouveia, Christina Machado, Gil Vicente, José Paulo, Maurício Castro e Rinaldo, entre outros, especializados em pintura, desenho, cerâmica, escultura e fabricação de objetos. O Museu do Homem do Nordeste fica na Fundação Joaquim Nabuco de Casa Forte (Avenida 17 de Agosto, 2187). A mostra fica em cartaz até 24 de abril. (J.C.)

(© Pernambuco.com)

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