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Cores quentes com inspiração étnica

05-06-2008

A obra de J. Cunha é um mosaico dos signos e das cores das culturas negra e indígena

 

Justino Marinho e César Romero

   No período de 9 de abril a 4 de junho, o Hotel Sofitel Costa do Sauípe, em parceria com a Galeria Prova do Artista, estará realizando, como parte do projeto Arte Sofitel, uma exposição de pinturas de J. Cunha. Ele iniciou suas atividades nas artes plásticas em 1966, fase em que dedicava atenção aos temas de candomblé, festas de largo, Carnaval e procissões, e, desde então, optou por cores quentes e uma forma muito própria de criar figuras. Com o passar do tempo, aperfeiçoou sua técnica, enriqueceu sua linguagem plástica e mantém até os dias atuais a fidelidade à temática que escolheu desde o inicio da sua carreira.

   Ex-bailarino, Cunha trabalha paralelamente com a pintura, figurino, cenografia e com projetos de decoração e ambientação. Seu interesse pelo espaço cênico começou a se desenvolver na década de 70, quando criou suas primeiras cenografias e figurinos, tanto para balé clássico quanto para o contemporâneo. Foi figurinista e cenógrafo da Companhia de Balé do Teatro Castro Alves e integrante do Balé Brasileiro da Bahia e do Grupo Viva Bahia. Através da dança, ele conheceu outros países e entrou em contato com as mais diferentes culturas. Foi também através da dança que Cunha se transformou num dos artistas mais requisitados para a criação de cenários e figurinos na Bahia.

   A nossa terra e o seu cotidiano sempre foram os elementos centrais dos figurinos ou cenários criados por J. Cunha para espetáculos de dança, teatro e shows de artistas como Gilberto Gil, Jimmy Cliff, Caetano Veloso, Gal Costa, Daniela Mercury e tantos outros.

   A obra de J. Cunha é um mosaico dos signos e das cores das culturas negra e indígena. Sua fonte de inspiração é a raiz étnica. Suas criações, telas, roupas e cenários sublinham essa mistura. Cores marcantes acentuam seu projeto estético, onde o dado antropológico está inevitavelmente presente e vivo no labor artístico. Descendente de negro angolano, índio tupinambá e cigano, o artista retoma o fio da ancestralidade com o olho atento na riqueza que existe no legado afro e indígena, força da nossa identidade como gente e dele próprio.

   J. Cunha tem seu nome ligado ao Carnaval da Bahia e aos blocos afros, em particular, ao Ilê Aiyê. É o criador do visual do Ilê há mais de 20 anos e o trabalho de criação que vem realizando é baseado em pesquisa exaustiva sobre diferentes regiões da África.

   Importante elemento de divulgação da cultura africana, as estamparias realizadas pelo artista são obras que retratam também momentos históricos da vida do negro no Brasil.

   As pinturas que estarão sendo expostas no Sofitel fazem uma ponte entre o trabalho apresentado quando ele, como um dos ganhadores do Prêmio Braskem Cultura e Arte/2000, expôs no Centro Cultural Correios e a sua produção atual.

(© Correio da Bahia)

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