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Autor de vários clássicos da música nordestina, o compositor é
homenageado num disco com 15 músicas inéditas, que fazem parte do seu
acervo Falecido em 1987, aos 57 anos, o compositor Zé Marcolino, autor de Sala de Reboco, e várias outras gravadas por Luiz Gonzaga, deixou um baú cheio de composições inéditas. Graças um projeto da Prefeitura de Campina Grande, o Memória Musical da Paraíba, 15 músicas de Marcolino saem do ineditismo, com o CD Pedra de Amolar, produzido pela cantora Socorro Lira, com seleção de repertório, dela, Fátima e Walter Marcolino, filhos do compositor, e direção musical de Jorge Ribbas. Pela qualidade das canções é surpreendente que não tenham sido gravadas antes. Fátima Marcolino diz que o baú vem sendo esvaziado aos poucos. “O Quinteto Violado já gravou algumas inéditas. Socorro Lira veio na minha casa conhecer o acervo do meu pai e ficou encantada. Foi assim que começou este disco”, conta a filha mais velha do compositor, que mora em Caruaru, e participa de um das faixas do álbum, Toada de Filismino, em um dueto com Vital Farias. Pedra de Amolar é um disco-tributo, com nomes bem conhecidos da música nordestina, e o próprio Zé Marcolino que, pela magia da eletrônica, faz um dueto póstumo com o filho Bira Marcolino no xote Cabocla matadeira. Dominguinhos, Sivuca e Marinês, últimos remanescentes da era Luiz Gonzaga também estão presentes. Dominguinhos canta Sertanejo forçado, enquanto Solidão de caboclo tem Marinês acompanhada pela sanfona de Sivuca. Participam também do disco os veteranos Flávio José e Quinteto Violado, além de quase todo mundo da nova geração do forró: Vates & Violas, Maria Dapaz, Irah Caldeira, Maciel Melo, Kátia Virgínia, Gláucio Costa e Santanna. Eternamente bem-humorado, Zé Marcolino quando mostrava uma composição a algum cantor dizia que aquela era da sua “reserva especial”. Esta reserva infelizmente está acabando. “Só restam umas dez músicas do meu pai que ainda não foram gravadas”, diz Fátima Marcolino. Embora tratasse todo mundo, e a si mesmo, por “poeta”, Marcolino não escrevia poesia: “Essa coisa de soneto, poemas, ele não costumava fazer não. Tudo que escrevia era com o violão de lado. Musicava e registrava num gravador”, conta Fátima. Inspirado, isso Zé Marcolino era. Suas músicas surgiram de fatos que o tocaram, como a primeira viagem do homem à lua: “Quando soube que o astronauta tinha descido na lua, meu pai falou para a gente: ‘Como é que se pisa numa coisa linda daquela?’ E aí fez Ciúmes da lua”, revela a filha: “...Testemunha dos amores/ Tocaram nesse teu corpo/ Três cabras conquistadores/ Te pegaram descuidada/ Tiraram teu perfume/ E eu fiquei atormentado/ Já pra morrer de ciúme”, a primeira estrofe da modinha, gravada por Irah Caldeira. E-mail da produção: socorrolira@ibest.com.br (© JC Online) De uma só tacada, Gonzagão gravou metade de um disco O caboclo Marcolino já fazia música antes de conhecer Luiz Gonzaga, em Sumé (PB) em 1961. Quando soube que Gonzagão encontrava-se na cidade, decidiu oferecer suas composições ao cantor famoso. Ao escutar o matuto dizer que tinha algumas músicas para mostrar, Gonzagão provocou: “E prestam?”. Marcolino perdeu a graça e não mostrou. Mais tarde, depois de umas lapadas, e a insistência de amigos, o caboclo voltou a Luiz Gonzaga, que acedeu. Escutou a primeira composição atento e, em seguida, fez nova pergunta: “Quanta dessas você tem mais?”Tinha um caçuá cheio de xotes, baiões, toadas, tudo com cheiro de mato e de bode, como Gonzagão gostava. De uma só tacada, o Rei do Baião gravou metade de um LP (O Véio Macho, 1962) com composições do caboclo Marcolino. Não contente com isso, convidou o compositor para tocar em seu grupo e ir para o Rio de Janeiro com ele. “Seu Luiz queria que ele levasse a família para o Rio, mas meu pai só agüentou ficar lá dez meses, pois dizia que não conseguia inspiração longe do Sertão e da gente dele”, lembra Fátima. Luiz Gonzaga continuou gravando músicas de Zé Marcolino, quase todas em parceria: “Quem conhecia meu pai, sabe que as composições eram só dele. Ora, assim que encontrou meu pai, seu Luiz gravou de uma só vez seis músicas dele, como podiam ser parceiros? Não havia nem tempo para isso”, diz Fátima. A família no entanto não tem queixas de Gonzagão, afinal foi por ele ter cantado as canções de Zé Marcolino, que o compositor tornou-se uma das lendas da música nordestina: “Embora não receba homenagens dos políticos em Pernambuco, meu pai continua muito lembrado, até bem mais do que outros compositores que trabalharam mais tempo com seu Luiz, como Zé Dantas”, diz a filha. Fátima Marcolino ressalta que somente de Sala de reboco tem mais de trinta versões diferentes. É com o rendimento dos direitos dessas gravações que dona Do Carmo, viúva do compositor tira o sustento: “A gente sabe que a arrecadação no Brasil continua meio primária, mas a família ainda recebe os direitos das músicas do meu pai. Não é muito, mas também não tão pouco. Se tivesse maior controle, seria melhor. Recentemente Elba e Fagner gravaram o meu pai, e ninguém aqui sabe nada dos direitos dessas gravações”, reclama. Vítima de um acidente estúpido – morreu quando o fusca que guiava, vindo de São Jose do Egito atropelou uma vaca – Ze Marcolino morreu sem concretizar seu grande sonho: aparecer, nem que fosse numa pontinha, no cinema nacional. (J.T.) (© JC Online) O frevo nada ortodoxo de Alcymar Cantor e compositor dá mais uma prova de que não tem preconceito nem é preso a cânones musicaisO Carnaval deste ano começa mais cedo. Alcymar Monteiro também começou. Conhecido pelos discos de forró, ou direcionados para o lucrativo mercado das vaquejadas, ele adentra 2005 com um CD carnavalesco pronto para ir às lojas, e tocar nas emissoras de rádio, se estas abrirem suas programações para novos títulos do gênero. Frevação Vol.1 (Ingazeira) tem repertório dividido entre composições do próprio Alcymar e parceiros, alguns clássicos que o brasileiro mais refratário à folião conhece de cor, a exemplo da marcha-rancho Turbilhão (Victo Simon/David Raw), mais alguns sucessos pernambucanos – Recife manhã de sol, de J.Michiles (uma de suas primeiras composições), Linda flor da madrugada (Capiba) e Último regresso (Getúlio Cavalcante). Artista que não costuma ter preconceito estilístico, que chegou a mesclar manguebeat com forró em discos anteriores, Alcymar Monteiro une a instrumentação do forró com a do frevo. Em Carnaval de rua (parceria dele com João Paulo Jr.), o pinicado da safona (tocada por Beto Hortiz) substitui os naipes de metais, num curioso espécime híbrido de arrasta-pé com frevo-canção. Na belíssima Recife manhã de sol, acelera o andamento do frevo-de-bloco. A vivência nos bailes de forró faz com ele traga a experiência para o frevo, soltando a voz como se cantasse para o povão. Sua interpretação de Linda flor da madrugada pode não ser a forma mais refinada de cantar o antológico sucesso de Capiba, mas tem o mérito de tirar o cheiro de naftalina que tanto tem atrapalhado o frevo, que muitos querem que continue sendo feito como há quatro décadas (o próprio Claudionor Germano já cuidou de regravar a maioria do que lançou pela Rozenblit). Tentativas como esta, junto a outras mais ousadas, feito a de Spok, que vem temperando com jazz e pop o frevo, podem fazer com que o gênero volte às ruas e seja novamente dançado e cantado pelos pernambucanos. (J.T.) (© JC Online) |
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