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Título do novo disco que o músico e produtor lança hoje reflete bem a diversidade do selo que ele criou há dez anos. Já são 40 discos no catálogo MARCOS TOLEDO Sabe aquelas coisas que você faz despretensiosamente e se transformam em algumas das melhores realizações de sua vida? Para Luiz Guimarães, que abdicou da carreira de músico para trabalhar como médico e funcionário público, o sonho de gravar um disco com suas composições acabou se tornando um dos maiores feitos de sua vida. Motivado pela produção do LP Arrecifes (1991), em janeiro de 1995 o pianista fundou seu próprio selo, o LG, também dedicado a outras atividades musicais. Transformado em produtora com um leque mais amplo de atuação, o LG Projetos & Produções Artísticas completa agora uma década de existência com um rol de 40 trabalhos gravados. Hoje, às 20h, na sede da Associação Atlética Banco do Brasil (AABB, nos Aflitos), o produtor comemora as marcas ‘redondas’ lançando mais um álbum com suas composições: Do Frevo ao Jazz. O programa conta com as apresentações do Coral Edgard Moraes e de uma de suas principais revelações: o grupo SaGrama. A iniciação de Luiz Guimarães na música começou aos 14 anos – idade considerada já tardia – no Conservatório Pernambucano de Música, onde estudou teoria e piano. “Eu tinha medo de viver de música e sempre gostei de medicina”, confessa, justificando sua opção. Luiz se especializou em pediatria e ingressou por concurso no Banco do Brasil, onde assumiu a chefia do Serviço Médico em 1988. Mesmo assim, nunca deixou a música de lado. Tanto que, em 1989, quando estudava harmonia com o maestro José Gomes, começaram a surgir suas primeiras composições. Nas aulas, conta, colocava os acordes e os temas iam surgindo. O primeiro foi o blues Amanhecer. Autor também de frevos (canções, de rua e de bloco), sambas e boleros, Luiz começou compondo mais jazz. “Me inspirei muito em Oscar Peterson, Bill Evans e George Shearing. Daí, meus frevos têm uma linha mais jazzística. Mas sou conhecido mesmo pelo frevo.” Atualmente, seu repertório soma mais de cem composições. A MÚSICA RETOMADA – Ironicamente, foi a burocracia que tornou possível o surgimento do Luiz Guimarães produtor e, conseqüentemente, da empresa LG. Quando da realização do LP Arrecifes, com suas primeiras dez composições, o autor esbarrou na burocracia. Para torná-lo realidade, precisava ter um CGC (atual CNPJ), código de barra e outras obrigações. “Eu não tinha nada. Não esperava ser produtor fonográfico e, muito menos, chegar ao CD 40”, afirma. De posse das ferramentas, Luiz resolveu gravar um álbum em tributo a Capiba com o artista ainda vivo. Capiba, Cidadão Frevo (1995) foi o primeiro CD do selo LG, seguido de Simplesmente Capiba. Depois desses primeiros trabalhos, o LG se tornou o principal ponto de lançamentos de trabalhos de artistas pernambucanos, suprindo um pouco da carência da antiga Fábrica de Discos Rozenblit, que encerrou as atividades no fim dos anos 70. Em uma década, o LG contemplou os mais diversos gêneros. Em especial, o mais carente – o frevo –, mas também música erudita, jazz, choro e forró, além de uma trilha sonora, um disco de monólogos e reedições de obras fora do mercado. Do resgate de maestros como Capiba, Edgard Moraes, Nelson Ferreira e Dimas Sedícias, passando pela revelação de novos talentos como Eric Dayan, Fred Monteiro e SaGrama, até a gravação de projetos engavetados de amigos que não encontravam espaço no mercado local. Em alguns casos, apenas concedendo apoio burocrático, noutros, como verdadeira aposta. “O SaGrama foi a grande descoberta. Dos cinco CDs dele, fiz quatro. Hoje, o grupo me prestigia no lançamento do meu disco.” “Tenho a vantagem de não ser só músico. Eles (os músicos) não sabem fazer isso”, analisa o produtor. “No banco aprendi a administrar, inclusive, a minha vida.” Luiz garante que, a exemplo da medicina, sua nova atividade não vai lhe enriquecer. “Mas, hoje, posso usufruir da música. Eu faço isso com prazer”, orgulha-se. NOVOS PROJETOS – Com uma média anual de quatro discos lançados, Luiz Guimarães se prepara para, neste ano, bater a marca com vantagem. Já entre os 40 discos do catálogo do LG, conta o álbum Sivuca & Orquestra Sinfônica do Recife, que não ficou pronto por causa... da burocracia! Ainda em homenagem ao centenário de Edgard Moraes, está captando recursos para a realização do álbum duplo com o coral que tem o nome do maestro, projeto já aprovado na Lei Rouanet. Outro trabalho em fase adiantada é o Toques e Troças, que divide com o também produtor Afonso Oliveira. Ao todo, serão seis CDs de tradições populares de Pernambuco, Alagoas e da Bahia, com patrocínio da Petrobras. Luiz ainda pretende gravar em 2005 Choros Pernambucanos Vol. 2 e SaGrama: 10 Anos. “Outro sonho é o de gravar o disco de José Menezes. É um projeto em andamento”, diz. Lançamento do CD Do Frevo ao Jazz, de Luiz Guimarães. Show com o Coral Edgard Moraes e o grupo SaGrama. Hoje, às 20h, na AABB (Av. Dr. Malaquias, 204, Aflitos). Entrada franca (© JC Online) Um baú cheio de surpresas Do Frevo ao Jazz mostra o ecletismo de Luiz Guimarães. Das 21 faixas, nove são inéditasNo álbum Do Frevo ao Jazz, o 40º do seu selo LG, o músico Luiz Guimarães faz um resumo das composições de seu farto (e eclético) repertório na interpretação de alguns artistas tradicionais de Pernambuco. E não são apenas regravações. Entre as 21 músicas do CD, nove são inéditas. O rol de novas músicas traz O sonho de Ana, um tema clássico interpretado pelo pianista José Gomes composto para uma das filhas do próprio autor. Luiz Guimarães, por sinal, dedica a cada membro de sua família uma música. No mesmo disco, há os boleros Creusa, feito para sua esposa e cantado por Selma Barbosa com acompanhamento de José Gomes, e Mirella, escrito para sua outra filha e tocado por Anna Alves e Marcílio Alves & Conjunto. As demais composições inéditas são o samba-canção Devaneios, interpretado por Dalva Torres com acompanhamento do pianista Tovinho, o frevo-de-rua Escorregou, caiu, com a Orquestra do Maestro Duda, os jazz Bar 28, Sunset e Running tonight, com o trio José Gomes, Enoque Pereira e José Hélio da Silva, e o frevo-de-bloco Saudade de Edgard, com o Coral Edgard Moraes e a Orquestra do Maestro Marco César. Luiz Guimarães completa o set list com fonogramas de trabalhos brilhantes gravados pelo grupo de choro Sexteto Capibaribe – também coordenado por Marco César – e pelo SaGrama, que, para quem não conhece, une popular a erudito com rara criatividade. E, obviamente, bastante frevo, a exemplo de Primeiro dia e Sabor de frevo (esta, na voz de André Rio), também com a orquestra de Duda, e Aurora dos Carnavais, com o Quarteto Novo e Orquestra do Maestro José Menezes, não podendo deixar de citar os jazz Arrecifes e Nevada, com o trio José Gomes, Maurício Chiappetta e Marco Araújo. Percebe-se, com o álbum inteiro, a capacidade agregadora do autor, que segue com sua capacidade empreendedora. (M.T.) (© JC Online) |
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