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JOSE TELES O Jornal da Palmeira, um musical apresentado por Erasto Vasconcelos, em julho de 2003, vira CD, e será lançado quinta-feira, a partir das 19h, na Passa Disco, no Shopping Sítio da Trindade, com um minisshow, no qual ele mostrará algumas das músicas do disco (saído com selo da Candeeiro Records), com uma banda formada por João do Celo, Emanuel (flauta), Juliano (violão), Edilton (baixo), Urêa e Iohan (percussão), Karina Agra e Luciana Samico (vocais). Erasto Vasconcelos está completando 40 anos de carreira, e esta é a quinta geração de músicos com os quais já trabalhou em Pernambuco: “Pra mim eles são os mais conscientes, os de mais peso, porque conseguiram levar as coisas daqui para o Brasil inteiro e para a Europa”, elogia. Jornal da Palmeira é um verdadeiro mutirão de músicos da cena local. A capa, por exemplo, é assinada por Jorge du Peixe (e Valentina Trajano). Ao longo das suas 12 faixas desfilam integrantes da Comadre Florzinha, Eddie (Fábio Trummer foi o produtor do disco), Mundo Livre S/A e Nação Zumbi. Colaboraram também Rogerman, Maciel Salu e os maestros Ademir Araújo e André. Embora apareça pouco para o grande público, Erasto Vasconcelos é um dos músicos mais respeitados por essa geração. E com uma carreira de respeito. Os que ainda o conhecem como o irmão de Naná Vasconcelos, não sabem que ele tocou com vários dos principais artistas da MPB nos anos 80: “Fiz parte dos baianos, dos cearenses, dos penambucanos, dos cariocas”, brinca Erasto, desfiando seu extenso currículo. E 1970, ele participou do Bendegó, um dos grupos baianos mais badalados na época. Porém o trabalho mais importante que diz ter feito em Salvador foi um projeto com percussonistas de candomblé: “Naquele tempo a música baiana era basicamente os trios elétricos. Então participei desse projeto, com José Agripino de Paula (autor do romance cult PanAmérica), num trabalho de indexação rítmica dos ritmos pernambucanos na Bahia. Acho que todo esse movimento de Olodum, Timbalada, teve a semente nesse projeto”, conta Erasto. Ainda na Bahia, ele tocou com Gilberto Gil e com o bruxo das alquimias sonoras, o suíço Walter Smetak: “Passei dez anos entre a Bahia, Rio e São Paulo, participando de shows e de gravações”. Numa fase efervescente da MPB, Erasto Vasconcelos tocou com Gal Costa, Caetano Veloso, fez parte da banda do primeiro show solo de Ney Matogrosso, tocou com a turma do Clube da Esquina (dividia um casarão em Santa Teresa com os irmãos Lô e Márcio Borges). Seu disco de estréia, foi gravado com Hermeto Pascoal e Márcio Montarroyos: “ Um trabalho que acabou sendo terminado nos Estados Unidos”. Erasto lançou dois discos nos EUA, um deles com parte dos músicos que formaria o Living Colour, ambos até hoje inéditos no Brasil. Entre outros jazzmen famosos, ele tocou com o saxofonista Stan Getz: “Tinha dado uma aulas de percussão a uns músicos que tocavam com Stan Getz. Dias depois, ele me ligou convidando para ir num clube na Rua 59. Cheguei lá e havia a maior fila. Só então soube que era para tocar num show com ele”. Toda essa experiência, Erasto imprime ao seu Jornal da Palmeira. A música é a mais variada possível, as letras não se guiam por nenhum figurino estabelecido. São extraídas de anotações de Erasto sobre a natureza, o cotidiano, suas memórias. Algumas canções são recentes, outras bem antigas. Pipoca do cinema foi composta nos EUA. Poema da paz, fez parte de um trabalho que ele fez na Escola de Belas Artes do Rio, na década de 80: “Com este disco espero conseguir mostrar novamente o meu trabalho no Rio e São Paulo, mas não quero voltar a morar lá. Para mim cidade para viver é o Recife”. (© JC Online) Trabalho é ao mesmo tempo experimental e tradicional Erasto Vasconcelos é um músico do tempo em que no Recife se escutavam todos os ritmos, do baião à cumbia. Neste disco, ele faz uma viagem à sua memória musical, temperando-a com elementos apreendidos ao longo de seus 40 anos de estrada. O baile “Betinha”, é uma volta às gafieiras dos anos 50 e 60. Pipoca do cinema, tem sabor de seresta, mas cita a Broadway e o Cristo Redentor. Em duas faixas, a viagem vai além. Torna-se roteiro romântico sentimental do Grande Recife, do conturbado Centro, a Maranguape I. Em Recife, passeia pela Conde da Boa Vista à Praça da Independência. Em Mauricéia, uma cumbia dá o suingue para uma tour do Largo da Encruzilhada até Água Fria.A voz de Erasto não deve ser medida por parâmetros tradicionais. Tem timbres, e fraseados singulares, e mantém um forte sotaque afro, mais acentuado quando recita os versos, como acontece em Azulão poema, na qual se torna one-man-band, fazendo a percussão no talking drums, e harmonia na flauta e pífano. Jornal da Palmeira mescla o experimentalismo de Smetak e o som atávico das bandas de pífanos à tradição oral do griots (contadores de história) africanos. (© JC Online) |
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