Notícias
Todas as notas para o bom frevo

Lourenço da Fonseca Barbosa, o Capiba
 

Governo do Estado edita partituras de Edgard Moraes e Capiba, revistas pelos maestros Duda, José Menezes e Spok, para distribuir com os músicos

MARCOS TOLEDO

   Os centenários de nascimento dos compositores pernambucanos Capiba e Edgard Moraes, que começaram a ser lembrados em 2003 e duraram todo o ano passado, ainda dão panos para as mangas. Numa iniciativa rara na área musical, a Fundarpe acaba de editar um livro de partituras com arranjos de 15 composições para orquestra, de cada um dos autores, elaborada por três dos maiores especialistas no assunto.

   Os maestros José Menezes, 80 anos, Duda, 69, e Spok, 34, representam, cada um, uma geração de músicos apaixonados pelo frevo que rendem, no projeto inédito 100 Anos de Capiba e Edgard Moraes, uma homenagem a dois dos grandes mestres do gênero. O lançamento oficial ocorreu com um grande espetáculo que tem a participação de Alceu Valença, Antônio Carlos Nóbrega, Claudionor Germano, Geraldo Azevedo, Geraldo Maia, Lenine, Lula Queiroga e Silvério Pessoa. Haverá ainda apresentações da Orquestra de Marco César, Coral Edgard Moraes e de outra orquestra regida pelos três arranjadores do livro, além de desfile de agremiações carnavalescas.

   De acordo com o presidente da Fundarpe, Bruno Lisboa, a idéia da edição do livro surgiu próxima às datas de centenário dos dois compositores – 28 de outubro (Capiba) e 1º de novembro (Edgard) – como uma forma de prestar um tributo mais relevante do que simplesmente dar o nome de ambos a um evento. “E também”, completa Lisboa, “para atender a uma solicitação de orquestras do interior e maestros de orquestras de frevo, que era a de ter acesso a partituras, que são caras e há poucas guardadas”.

   FORMATO – O trio conta que se reuniu, escolheu as músicas e preparação os arranjos visando a uma formação básica de uma orquestra de frevo-de-rua, que seria: quatro trompetes, quatro saxofones (dois altos e dois tenores), três trombones, baixo e harmonia. Tudo isso, mantendo a estrutura da música original. “Eu nasci e me criei tocando frevo na rua e nunca toquei esses arranjos completos. Sempre toquei de ouvido”, revela Spok.

   José Menezes lembra que chegou a apresentar um projeto semelhante durante a gestão do governador Eraldo Gueiros Leite (1971-1975), mas não obteve aprovação. “Algumas dessas músicas tinham arranjos para orquestra, outras não. Os compositores são muito relaxados. Às vezes, você acha a música, mas dá trabalho para achar os arranjos”, explica.

   “Decano” mais antigo do frevo pernambucano, como ele mesmo se considera, Menezes foi saxofonista, de 1949 a 1971, na orquestra do famoso maestro Nelson Ferreira. Depois, atuou como regente de sua própria orquestra por mais 31 anos. Segundo ele, os conjuntos mais experientes colocam um arranjo simples e “desenrolam”. Os menores, contudo, necessitam de arranjos mais precisos. Já Duda lamenta que material como esse que está sendo publicado não exista mais para vender.

REPERTÓRIO

CAPIBA

A pisada é essa, À procura de alguém, Cala a boca menino,

De chapéu de sol aberto, Frevo da saudade, Frevo e ciranda, Gosto de te ver cantando, Juventude dourada, Linda flor da madrugada, Madeira que cupim não rói, Manda embora essa tristeza, Modelos de verão,

Ó, bela!, Tenho uma coisa para lhe dizer, Trombone de prata.

 

EDGARD MORAES

A dor de uma saudade, A verdade é essa, A vida é um Carnaval, Alegre bando, Carnaval divinal, Homenagem à folia, Prova de fogo, Recife Antigo, Recordando a mocidade,

Recordar é viver, Saudade de Raul Moraes, Saudosos foliões, Valores do passado, Velhos Carnavais, Velhos tempos de criança.

JC Online)


Maestros pedem continuidade

   O livro 100 Anos de Capiba e Edgard Moraes, conforme observa o maestro José Menezes, pode ser chamado de um álbum de música, mas não é um songbook. “O songbook”, explica o arranjador, “só tem a melodia com a letra e a harmonia”. “Este livro tem todas as portas”, diferencia.

   Outro ponto, tanto Menezes quanto seus parceiros no projeto – os também maestros e saxofonistas Duda e Spok – defendem em uníssono: que o projeto não seja ocasional, em virtude dos centenários dos compositores homenageados, e tenha continuidade. “O livro é importantíssimo. A Fundarpe deve prosseguir com o projeto, inclusive com pessoas vivas, como Getúlio Cavalcanti”, sugere Menezes, autor de cerca de 80 frevos (canção, de rua e de bloco) e que soma 111 músicas suas gravadas.

   De acordo com Spok, o livro se sobressai ao mesclar clássicos do gênero, como Madeira que cupim não rói, de Capiba, com temas poucos conhecidos, a exemplo de Prova de fogo, de Edgard Moraes. “Para escolher as músicas de Capiba”, fala Duda, “foi mais fácil”. “Tudo o que se puxar de Capiba foi sucesso. Edgard Moraes foi mais esquecido pela mídia, por isso, foi mais difícil”, diz.

   Escolhidos os temas, contudo, não houve dificuldade para os arranjadores elaborar as partes para cada instrumentos. “A gente tem um pouco de prática e consegue fazer sem perder muito tempo”, conta Spok.

   Do início da elaboração à publicação, o trabalho levou cerca de um mês e custou aproximadamente R$ 100 mil, incluindo o show de lançamento. Ao todo, foram impressos 550 exemplares, que serão distribuídos entre regentes e estabelecimentos culturais. “Temos um cadastro de 120 maestros”, afirma o presidente da Fundarpe, Bruno Lisboa. “Também enviares para instituições como museus.”

JC Online)

Com relação a este tema, saiba mais (arquivo NordesteWeb)


powered by FreeFind

© NordesteWeb.Com 1998-2005

O copyright pertence ao veículo citado ao final da notícia