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Cena aberta para o teatro e a dança

Hélder Vasconcelos apresenta Espiral Brinquedo Meu
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Festival Janeiro de Grandes Espetáculos apresenta oito montagens, hoje e amanhã. O cardápio traz arte circense, comédia no estilo clown e drama sobre violência urbana

JANAÍNA LIMA

   A melhor parte do festival Janeiro de Grandes Espetáculos é poder rever o melhor da produção do ano que passou. E também conferir algumas montagens que, apesar de estarem perto, não conseguem circular pelo Nordeste. O primeiro fim de semana do evento, que vai até 30 de janeiro, permite ao público desfrutar desses dois pontos positivos da mostra da Associação de Produtores de Artes Cênicas. Hoje e amanhã, o evento coloca em cartaz exatamente oito montagens de dança e teatro, em três palcos do Recife.

   Hoje, a maratona teatral começa com duas peças para adultos e crianças, às 16h30: Arlequime O Vendedor de Caranguejo A primeira montagem é tradicional ao período carnavalesco e completa a lista de parcerias dos dramaturgos Ronaldo Brito e Assis Lima. A versão apresentada no Teatro do Parque tem direção de Carlos Carvalho (A Floresta Encantada).

   A história se passa em meio à folia carnavalesca e, por isso mesmo, a trilha sonora da Antônio Madureira é um dos pontos altos da encenação. Enquanto foge da mulher Catirina, Arlequim tenta unir o Pierrot e a Colombina, para desgosto do Diabo que quer separá-los.

   O Vendedor de Caranguejo que ocupa o Teatro Armazém, é montagem da Escola Pernambucana de Circo. Teatro, números circenses, música ao vivo e dança são os ingredientes dessa peça que conta a viagem de um catador de caranguejo do mangue à cidade.

   A noite de sábado conta com uma atração de fora de Pernambuco: Muito Barulho Por Quase Nada produção do Rio Grande do Norte. O grupo Os Clowns de Shakespeare conquistou o Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga (CE) com essa encenação que tem na trilha sonora executada ao vivo um dos pontos altos. Eles levam para o palco do Teatro Santa Isabel a comédia clássica do dramaturgo inglês, recheada de desilusões, amores e brigas/DC>.

   No Teatro do Parque, as noites de hoje e amanhã são dedicadas à cultura popular. O Maracatu Nação Pernambuco e o Balé Popular do Recife se unem para apresentar o Balé Popular Nação Pernambuco que traça um panorama da evolução do maracatu de baque-virado/DC>. A montagem reúne 50 integrantes.

   A estrela da noite do domingo é o espetáculo Angu de Sangue de Marcondes Lima, apresentado no Teatro Santa Isabel. A montagem tem como fio condutor contos do pernambucano Marcelino Freire, que aborda a violência no cotidiano.

   São histórias que têm como personagens uma catadora de lixo revoltada com a possiblidade de acabarem com o lixão, uma mãe desesperada com o rapto da filha e um homem que se revolta com o mendigo que bate à porta de insistentemente. A encenação é ágil e quase não dá tempo de o espectador se recuperar do ‘soco no estômago’ entre uma cena e outra. A peça utiliza recursos audiovisuais e tem uma cenografia de forte apelo visual, que remete ao sangue que escorre das páginas dos jornais. Este é o tema da primeira esquete.

   O domingo conta ainda com o espetáculo de Cercados no Teatro Armazém, com a Cia. Vias de Dança, e os infantis Sonho de Primaverae O Circo de Seu Bolacha no Teatro do Parque.

JC Online)


Hélder Vasconcelos roda a sua espiral de tipos populares

   No cardápio das peças do festival, há um único solo, Espiral Brinquedo Meu que o ator Hélder Vasconcelos apresenta no Teatro Armazém, às 20h. A montagem dá o pontapé na carreira deste intérprete, que deixou a banda Mestre Ambrósio para trilhar o caminho do teatro.

   Hélder é um brincante que segue o caminho já desvendado anteriormente por nomes como Antônio Nóbrega, que bebeu na fonte dos artistas populares e mostrou que é de lá que vem a energia vital da cultura brasileira.

   Hélder refaz esse trajeto, a seu modo, buscando referências que coletou em visitas a sambadas, terreiros, sítios da Zona da Mata. Em cena, ele vai resgatando personagens típicos de folguedos como maracatu, cavalo-marinho, coco e ciranda.

   Eles vão chegando, com suas falas de sotaque carregado, linguajar gostoso de ouvir, como uma melodia antiga e divertida. Estão lá: o velho do maracatu, a coquista que dança marcando o passo devagarinho com o tamanco de madeira, o tocador de rabeca, entre outros.

Entre uma fala e outra, Helder mostra que também é bom de dança, gira em espiral sem parar e ainda toca vários instrumentos, como bombo, tarol e pandeiro.

A encenação é curta, são 50 minutos, mas a ‘viagem’ ao colorido e aos sons do mato continua após o fim do espetáculo. (J.L)

JC Online)

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