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Jorge Mautner |
Antonio Carlos Miguel
Pode parecer uma equação impossível:
filosofia, Luiz Caldas e Jorge Mautner. O elo para essas associações é o
jornalista e poeta baiano César Rasec, que acaba de lançar o livro “Jorge
Mautner em movimento” e, em parceria com Luiz Caldas, o CD “Melosofia” —
neste, filósofos como Sócrates, Nietzsche, Sartre e Cioran são homenageados
em canções que passam por forró, choro, rock e até axé music.
Se na obra de Mautner música popular
e filosofia sempre dançaram juntas, o elo com Caldas, o músico baiano que no
início dos anos 80 foi o precursor da axé, era mais inusitado. Como Rasec
lembra, Mautner teve um papel importante nesse encontro.
— Comecei a trabalhar no livro há 15
anos, quando iniciei minhas pesquisas e entrevistas. Na adolescência,
conheci a gravação que Caetano fez de “O vampiro” e me interessei pela obra
de Mautner, da qual só conhecia “Maracatu atômico”, e fui atrás de seus
livros e discos — conta Rasec, de 41 anos. — Eu estudava jornalismo na época
do meu primeiro contato com Mautner, ao nos despedirmos, disse que iria
fazer um livro sobre ele, e Mautner deu uma risada.
Livro pronto, Luiz Caldas participou
do CD com duas faixas que acompanha o volume na canção “Kaos”, que pretende
sintetizar musicalmente o pensamento de Mautner.
— Luiz Caldas fez essa música durante
o encontro dele com Mautner que promovi em Salvador — diz Rasec, que optou
por um tratamento literário, e algo caótico, para abordar o trajeto e a obra
do diversificado personagem. — Já que Mautner não é linear, criei um
personagem, Dionísio, que intervém nas entrevistas. Na segunda parte, faço
uma análise da obra dele.
CD “Melosofia” foi idealizado no carnaval
Livro terminado — e editado pelo
próprio autor, com venda pela internet, no endereço www.mercadolivre.com.br
— Rasec partiu para o disco com Caldas.
— No carnaval passado, sugeri fazer
esse tributo aos filósofos. Mostrei a letra de “Sei que nada sei”, e ele
musicou na hora — conta o letrista, que homenageou dez filósofosos. — Luiz
Caldas é um grande músico e arranjador, e compôs e gravou tudo sozinho.
Associado apenas à axé, sua musicalidade é abrangente.
Também independente, “Melosofia” deve
virar show após o carnaval.
— Fizemos esse trabalho sem pensar na
questão mercadológica. O pensamento de Sócrates está aí há 2.500 anos e
queremos espalhar suas idéias e a de outros filósofos pelo Brasil — diz
Rasec.
(© O Globo) |