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Os lendários discos de cera

Miguel Ângelo de Azevedo, o Nirez
 

São 52 mil títulos em etiquetas originais numa coleção que reúne raridades em 78 rotações

TÉRCIO SOLANO LOPES
Especial para o JC

   A sabedoria de um homem não se conhece apenas no seu ponto de vista intelectutal, mas também na dedicação prática da cultura. Por exemplo, após ter obtido ao longo de quase cinco décadas, uma das maiores e raras coleções de discos de cera de 78 rotações do Brasil, Miguel Ângelo de Azevedo, o popular Nirez, 70 anos, cearense de Fortaleza, considera-se um homem realizado no âmbito da discografia brasileira.

   O acervo reúne aproximadamente 52 mil exemplares em etiquetas originais, preservados e expostos pelas amplas estantes acomodadas na sala de sua casa em Rodolfo Teófilo, bairro nobre da capital alencarina. Supervisionado por ele, e uma simpática e solícita secretária lhe ajuda na conservação do valioso conteúdo que compõe a vasta discoteca. Ali, ele talvez abrigue o maior patrimônio cultural do disco de cera do País.

   Como jornalista e produtor de programa de rádio em Fortaleza, Nirez é o único colecionador do Brasil que ainda utiliza os discos em suas programações musicais, desde o início dos anos 60. Esta seleção é apresentada pelos mais variados ritmos: tango, valsa, bolero, sem desprezar, nunca, a melodia regional como o forró de Luiz Gonzaga, Abdias, Pedro Sertanejo, Zé Calixto, Marinez entre outros.

   A história do acervo vem de muito longe. Tudo começou em 1954, lembra ele. “Não foi tarefa muito fácil, conseguir colecionar raridades e harmonizar o material fonográfico. Mas aos poucos juntando unidade por unidade, acabei tornando-me um eterno apaixonado da arte musical”.

   Com o cuidado peculiar de um discófilo, ele já informatizou boa parte do catálogo, contendo nome do intérprete, etiqueta, data de gravação e lançamento. E como não tinha recursos para concretizar o velho sonho de um dia ver todo o acervo em CD, recorreu a um patrocinador através do Projeto Disco de Cera Meio Século de MPB, do Ministério da Cultura. “Nunca vou esquecer a boa vontade desse pessoal, somente assim, irei realizar um sonho antigo”, admite.

   No entanto, suas valiosas partituras em 78 rotações, permanecerão com seus mesmos valores e suas mesmas característicos, em sua devidas prateleiras no bairro de Rodolfo Teófilo.

   Como não existe mais agulhas propícias no mercado para serem utilizadas em seus microssulco, a paciência, no entanto, ele tem de sobra. Sempre dá um jeitinho de atingir os índices de qualidade desejado nas gravações, feitas por encomendadas. Nirez deu início uma carreira bem peculiar, sem fins lucrativos, quando ainda tinha 20 anos. Jamais imaginou ele que um dia seu nome iria almejar a fama no cenário da discografia nacional. Cada volume de sua coleção, é uma peça rara. “E não tem preço”, diz, com propriedade.

   No seu rico acervo há preciosidades curiosas, como é o caso de um compacto de oito polegadas só de uma face, (pesa quase 500 gramas), com anedotas do autor Hans Fredy, gravado na Alemanha, em 1897, pela gravadora Berliner S Gramofone.Um dos disco mais antigos e raros do Brasil, Ai Filomena é outra valiosidade. Trata-se de uma sátira com arranjos e regências de Carvalho Bulhões, interpretado por Baiano Manoel Pedro dos Santos. Segundo Nirez, esta composição refere-se a Nair de Tefé, esposa do General Hermes da Fonseca, foi gravado pelo selo Odeon Rio, em 1915. Outra curiosidade o discos em 80 RPM, gravado pela etiqueta Zon-O-Phone-1902 e 1903, o que significa uma velocidade estúpida para os aparelhos de 33-RPM.

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Coleção de Nirez é reconhecida e premiada nacionalmente

   Apesar de sua humildade, o cearense Nirez, hoje é conhecido nacionalmente como um dos colecionadores mais bem -equipados no gênero do disco de cera do País. Até mesmo ele é bastante requisitado de Norte a Sul do Brasil. E não só por outros colecionadores, mas principalmente por diversas gravadoras, uma das quais a Série Revivendo, que por sua vez já reprocessou inúmeros discos de sua coleção em 78 RPM para 33 RPM em long plays e para os modernos disc laser.

   Em 1975, Nirez fundou a Associação dos Pesquisadores da Música Popular Brasileira-APMB, também é autor de vários livros sobre discografia brasileira, dentre eles de maior destaque, o Balanceio de Lauro Maia, que contém todas as músicas do compositor cearense, falecido em 1950 – gravadas em 78 RPM. Lauro Maia, era irmão da esposa do também cearense, o saudoso Humberto Teixeira, parceiro do rei do baião, Luiz Gonzaga.

   Em 83, Nirez lançou o livro Discografia Brasileira nº 1, que rendeu-lhe uma homenagem Durante o lançamento, no Museu da Imagem e do Som, no Rio de Janeiro.

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Um cronista musical

   Em entrevista ao Caderno 3, Nirez traça detalhes do contexto artístico da época de Lauro Maia no Ceará e no Rio de Janeiro. Reflete sobre as virtudes estéticas da obra do compositor cearense, bem como sobre suas possibilidades de permanência. Confira:

Caderno 3 - Até que ponto a influência da mãe de Lauro Maia, que era pianista e compositora, foi determinante para que ele se decidisse pelo caminho da música, principalmente como compositor? Houve outras influências?

Nirez - Ah, a mãe dele o influenciou muito, sem dúvida. Primeiro, porque quando era menino ele tinha ódio ao piano, e a mãe dele forçou a barra, ele aprendeu à força. O que aprendeu, ele depois usou pra fazer as composições dele. E, boêmio como ele era, a influência foi mais de outros compositores, daqui e mesmo do Sul do País, e até do Sul do Estado, do Cariri, que era um grande celeiro. Só de Jardim, aqui tinha vários músicos, o Alfonso Aires, o Luís Rosa, o Zé Cavaquinho. Jardim

 

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parece que dava mais músico que flores (risos)...

— Quais eram os espaços para a música na Fortaleza dos anos 30? Pode-se falar que havia uma cadeia produtiva, mesmo que insipiente? Ou ficava restrito a uma arte diletante, de poucos admiradores? Qual era a importância da música popular e em que meios e momentos ela estava presente?

Nirez - Os espaços pra música aqui eram as reuniões caseiras, de pessoas aficionadas da música, ou dos próprios músicos, que faziam reuniões em suas casas, recebendo os outros músicos. E quem mais deu ênfase à música aqui foi a Ceará Rádio Clube, a PRE-9, a única emissora de rádio que havia, que começou em 34 e podia divulgar, difundir a música daqui e de fora. À medida que chegou a segunda emissora, a Rádio Iracema, em 48, já começou a competição. E na competição eles acham sempre que o povo só gosta do pior. Aí foi piorando (risos)... Mas até então a música só chegava ao público através da PRE-9, que ficava ali nas Damas. A emissora não tinha auditório, mas tinha uns janelões de vidro, que o povo se aglomerava ali pra ver os músicos. Não pagava nada.

— Até que ponto se pode dizer que a obra de Lauro Maia é um resultado natural do contexto em que ele estava inserido, na chamada época de ouro da música brasileira, com toda a influência do rádio e, principalmente, dos grandes nomes que faziam a cena carioca? Ele seguiu nesse padrão, ou acrescentou novidades?

Nirez - A influência do Rio de Janeiro se fez presente aqui, como sempre se fez presente em todo o País. Além de ser o centro cultural, era a capital da República. Só depois é que se dissipou um pouco a atenção, para São Paulo, Minas, Rio Grande do Sul, Porto Alegre, com as características de cada região e os meios de comunicação um pouco menos centralizados. Mas a música era a do Rio de Janeiro, e os músicos cearenses, Lauro Maia entre eles, não poderiam ser diferentes. Sempre seguiam aquele formato, mas também se deixavam levar muito pela música americana, como o músico brasileiro em geral, que sempre procurou imitar os músicos americanos. A Orquestra Tabajara, por exemplo, apesar de ser da Paraíba, não tinha nada de paraibano.

— Mas Lauro Maia procurou beber em algumas fontes regionais, da cultura popular...

Nirez - É, essa era uma diferença, uma característica dele. Ele gostava muito de explorar o folclore. Teve vários casos de músicas influenciadas pela cultura popular, músicas regionais, e outras que ele fez adaptações. Pegou o tema e trabalhou em cima, como ´Fan Ran Fun Fan´ e ´Catolé´. ´Catolé´ até dizem que tinha uma autora, uma mulher que cantava, mas ela já cantava por ouvir cantar. Lauro Maia gostava muito dos ambientes do sertão. Cantava muito o trem, a estação, essas regionalidades.

— No livro você menciona que, com a chegada ao Rio de Janeiro, a produção de Lauro Maia passou a se dar de modo mais profissional, com gravações mais constantes, proximidade dos intérpretes, das rádios e companhias de gravação... Mas qual foi o efeito dessa mudança de ambiente sobre a estética das composições dele?

Nirez - Embora o forte dele não fosse letra, porque ele era mais músico que letrista, a mudança maior quando ele chegou ao Rio é que ele se aliou ao cunhado dele, Humberto Teixeira. Quando chegaram ao Rio, a mulher de Lauro Maia naturalmente entrou em contato com Humberto, e eles, parentes e compositores, só se conheceram no Rio. Foi aí que Humberto passou a burilar as letras do Lauro Maia, modificou, melhorou muito as composições. Muitas foram corrigidas, ou adaptadas.

— Além da parceria como compositores, como era a convivência de Lauro e Humberto?

Nirez - Eles eram muito amigos. Quando Lauro Maia levou o balanceio (com “Eu vou até de manhã”) para lançar no Rio de Janeiro, como um novo ritmo, fez muito sucesso. E no carnaval seguinte Lauro Maia fez uma adaptação da musica para o ritmo carnavalesco, e quando fez a adaptação botou também o nome do Humberto como compositor. Humberto só viu quando a música já estava gravada. No depoimento que me deu, o Humberto Teixeira conta esse episódio, deixando bem claro que a música não é dele, Lauro é que fez uma gentileza, uma parceria graciosa. Em compensação, muitas músicas de Lauro Maia foram lançadas por iniciativa do Humberto Teixeira, colocando letra. E em todas, mesmo naquelas lançadas após o falecimento de Lauro Maia, que Humberto Teixeira tinhas as partituras e poderia lançar como se fossem só dele, ele sempre respeitou o nome do Lauro Maia. Foi a parceria mais profícua. Depois, Lauro conheceu Carlos Barroso, fez musica com vários outros parceiros, como também fazia sozinha. Mas era bem menos. Lançava três, quatro músicas com Humberto Teixeira, pra uma que lançava só, ou com outro parceiro.

— A gravação de tantas canções, até no exterior, como “Eu vi um leão”, rendeu a Lauro Maia os devidos direitos? Ele conseguia viver bem, apenas com o que ganhava como compositor?

Nirez - Conseguia sim. Agora, ele era irresponsável, boêmio, bebia muito. Foi muito irresponsável. Tanto que só descobriu que tinha tuberculose porque um amigo dele fez o teste. Aí foi quando abriu os olhos para aquela doença, quando já estava com os dois pulmões comprometidos. Mesmo doente, internado no Rio, ele sempre recebia muitas visitas, de parentes, de amigos músicos, teve esse apoio. no hospital, produziu apenas um trecho de uma peça e um tratado sobre a tuberculose, que ele escreveu mesmo sem entender de medicina. Mas escreveu, falando sobre como era a doença, e tal...

— Além de criar o balanceio, ritmo pelo qual é mais lembrado, você conta que Lauro Maia criou ainda ritmos como a ligeira e o miudinho. Havia espaço para esses ritmos, mais regionais, no rádio e na indústria do disco?

Nirez - Era um espaço que compositores como Dorival Caymmi recomendavam a Lauro e Humberto trabalhar. Quando Lauro Maia fez junto com Luís Rosa uma viagem ao Cariri, ele descobriu mais desses ritmos regionais. Luís Rosa conhecia bem esses ritmos, essas coisas, e levou Lauro Maia nas fontes. Lauro se encantou com aquilo, e passou a produzir sua música em cima disso. E achou conveniente lançar esses ritmos, que ele achava interessantes, lá no Sul. Estava fazendo essa tentativa. Foi quando Luiz Gonzaga, que também tentava, por outro lado, viu que Lauro estava com essa tentativa também, e o procurou pra juntos lançarem o baião, que Gonzaga achava o melhor dos ritmos. Foi através de Lauro Maia que nasceu a dupla Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, e o baião tomou conta do mundo. Lauro Maia mesmo, nunca tocou baião. Não era a dele, porque ele não tinha conhecido a manifestação original do baião, nas pesquisas dele. Lauro achava que o balanceio era mais interessante. E é quase o mesmo do baião. A diferença só é o que eles chamam de ritmo quebrado. Depois que Lauro Maia morreu, teve algumas de suas músicas lançadas como baião por Humberto Teixeira.

— Lauro Maia deve muito de seu sucesso a dois grupos cearenses, os Quatro Ases e Um Coringa e os Vocalistas Tropicais. Como era a relação dele com esses grupos, que se destacavam pelo cuidado com as vozes? Ele acompanhava os arranjos, dava palpites, dizia como as músicas deveriam ser gravadas?

Nirez - Os Quatro Ases não são, a rigor, um conjunto cearense. Apesar de todos os músicos serem cearenses, o conjunto se formou no Rio, quando eles estavam todos lá pra estudar Química Industrial, que era a profissão da moda, na época. Já os Vocalistas se formaram aqui, e depois foram pro Rio. Acredito que Lauro Maia acompanhasse os arranjos, participasse. O contato deles sempre era com o próprio Lauro. Os Quatro Ases sempre cantavam muito no rádio as músicas de Lauro Maia. Foram os primeiros intérpretes dele, e continuaram gravando, inclusive as primeiras músicas de Gonzaga e Humberto, como ´Baião´. Os Vocalistas, que chegaram ao Rio em 46, também gravaram algumas músicas de Lauro Maia, também com boa projeção. Mas aí já era o pós-guerra, com muita invasão da música estrangeira, muito bolero, muito fox americano... Era muito mais difícil para a música regional.

— A música de Lauro Maia é hoje desconhecida pela maioria das pessoas. Houve o projeto do LP e do CD produzidos pelo (cantor e compositor) Calé Alencar, no início da década de 90, tanto com gravações originais, quanto com regravações por intérpretes cearenses de hoje. Na sua avaliação, por que esse desconhecimento persiste? A música de Lauro Maia agradaria ao público de hoje?

Nirez - Bem, De 50 pra cá são 54 anos... Ele morreu muito novo, poderia ter produzido muito mais... Mas nesse ponto a minha opinião é diferente da maioria. Acho que o compositor e o cantor, ou o músico, o instrumentista, deve ser lembrado e homenageado através das gravações originais. Porque se você faz uma nova interpretação, tira mais da metade da sensibilidade da obra. Hoje em dia um cantor, por melhor que seja, interpretando Lauro Maia, com arranjos atuais, não vai homenagear Lauro Maia. O melhor é fazer o lançamento das gravações originais, ou então lançar partituras das músicas, fotografias do artista, essas coisas, representando a época. Nunca uma visão atual. Esse tipo de regravação pode até ser uma homenagem, mas acho que descaracteriza. Esse disco que você falou, eu não gostei nem um pouco. O pior é o Ednardo (que no CD interpreta “Poema Imortal”). Em vez de escolher outra música que se identificasse casse mais com o repertório dele, pegou uma valsa. Ele nunca foi de cantar valsa. Ele modificou a música, a letra e o ritmo. Quer dizer, a música não é mais do Lauro Maia, é do Ednardo! (com ênfase). Outras interpretações estão regulares, como a do Rodger e a do Fagner. As duas melhores são a da Téti e a do César Barreto, que tava muito boa, mas depois foi tirada na segunda versão. Em vez de tirar o Ednardo... (DM)

SERVIÇO: Lauro Maia - Biografia por Nirez. Coleção Terra Bárbara, Edições Demócrito Rocha. Preço médio: R$ 10,00.

Diário do Nordeste, 12/9/2004)


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COMPOSITOR
Lauro revisitado


   “Lauro Maia foi um compositor versátil, eclético, que não se prendeu a radicalismos bairristas nem aos apelos externos. Fez a fusão do carioca com o cearense, do romântico com o jocoso, do clássico com o banal, produzindo peças da mais legítima música popular brasileira. Música, porque era catedrático em teoria e em sensibilidade; popular, porque atingia a massa; e brasileira porque sabia fazer cheirar à terra tudo o que criava”.

   Assim o multi-pesquisador Miguel Ângelo de Azevedo, o popular Nirez, sintetiza a importância e os méritos estéticos da obra de Lauro Maia. Em 1991, Nirez publicou, em edição da então Secretaria de Cultura, Turismo e Desporto, “O Balanceio de Lauro Maia”, salvo melhor juízo o único título integralmente dedicado à trajetória do compositor fortalezense. Uma história que agora pode ser revisitada, em um texto e sintético e claro mesmo para o leitor mais leigo, no perfil de Lauro Maia recém-publicado pelas Edições Demócrito Rocha, como parte da série biográfica “Terra Bárbara”.
 
   “É um resumo do livro anterior. Como a biografia foi lançada há 13 anos, acho que este livro agora pode dar a mais pessoas a chance de conhecerem Lauro Maia”, afirma Nirez, pontuando que, desde o primeiro volume sobre o compositor, não surgiram grandes novidades, em termos de pesquisa. “Houve algumas alterações, mas muito sutis, como a correção de algumas datas de gravação, mas nada muito substancial”, diz o pesquisador, conhecido pela firmeza com que defende suas concepções sobre a “verdadeira música brasileira” e dono de um acervo de imagens e sons que é referência para pesquisadores de todo o País e mesmo do exterior.

   “Apesar do domínio massacrante da música estrangeira em todo o País, com os meios de comunicação executando quase unicamente artistas internacionais e de má qualidade, com artistas nacionais entregues a ritmos alienígenas oriundos de potências estrangeiras economicamente fortes, e com o boicote de tudo que é tradicional, tudo o que é antigo, até por parte da crítica e dos intelectuais, que rejeitam tudo o que é nacional, tudo que cheira a raiz ou a povo, considerando apenas como bom e nacional os músicos e compositores da elite, poderá um dia surgir a necessidade de se invocar o regional, o histórico, o pioneiro. E nesse momento, não temos dúvida, será lembrado o nome de Lauro Maia, figura maior no campo da pesquisa musical folclórica no Ceará”, avalia Nirez. Dando mais um passo contra o fantasma da desmemória nacional. (DM)

Diário do Nordeste, 12/9/2004)

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