Espaço Cultural Bandepe inaugura a primeira exposição de 2005 com obras
do acervo de Marcantônio Vilaça que retomam o figurativismo numa
perspectiva contemporânea
DIANA MOURA BARBOSA
Não é verdade que a arte contemporânea rejeite completamente as
tendências figurativas na produção artística. Mas é certo que as obras
figurativas atuais não são as mesmas dos estágios pré-modernistas – onde
estacionou boa parcela do público, que ainda se prende a padrões
renascentistas para avaliar a arte realizada hoje. Esta semana, a Galeria
Marcantônio Vilaça, no Instituto Cultural Bandepe, apresenta Figurações.
A exposição lança um pequeno desafio para os pernambucanos que acompanham
o circuito de arte: conferir uma mostra de arte figurativa contemporânea.
Esqueça as instalações. Mas também não pense em retratos bonitinhos,
arranjos florais e paisagens congeladas no tempo.
A mostra proposta pelo crítico de arte Moacir dos Anjos – curador do
acervo deixado pelo colecionador Marcantônio Vilaça – propõe uma
interessante combinação de contemporaneidade com figuração. As 17 obras
selecionadas têm a assinatura de alguns dos principais nomes da arte
internacional, como Cindy Sherman, Francis Alys e Paul McCarthy, além de
brasileiros cuja obra também tem repercussão em outros países, como
Ernesto Neto, sem contar com Gilvan Samico e Efraim Almeida, entre outros.
“Na verdade, o figurativismo volta com muita força nos anos 90. Está
presente em questões muito presentes na arte deste período, como o corpo e
mesmo na utilização da fotografia. É um equívoco pensar que a arte
figurativa não é contemporânea, ou vice-versa”, esclarece o curador. O
problema, como atenta Moacir, é que em Pernambuco a figuração ficou muito
associada ao mimetismo, a arte de repetir o mundo, de copiá-lo. “Mas esse
é um projeto moderno, que não abarca todas as possibilidades que o
figurativismo permite”, complementa.
Assim, Figurações passeia pelo campo mais subjetivo da representação do
mundo. Neste sentido, pode-se dizer que as obras tem um quê de
expressionistas, já que expressam uma visão de mundo particular daqueles
artistas. “Eles não estão interessados em apresentar o real assim como a
gente o vê, eles representam sonhos, obras com um viés mais surrealista”,
situa Moacir.
É interessante notar que as obras apresentadas não encaram a arte
figurativa da mesma forma. Os artistas se alimentam de fontes diferentes e
reproduzem o mundo sob óticas igualmente variadas. Assim, na mesma mostra,
tanto cabem obras como a Miss KO2 de Takashi Murakami (uma mistura
de Barbie com mangá) como Carneirinho com Estandarte, de Efraim
Almeida, que se aproxima de temáticas religiosas e da produção artesanal.
A próxima mostra da Galeria Marcantônio Vilaça, o enfoque recai sobre o
legado da pintura na arte contemporânea. A exposição está prevista para
inaugurar em junho.
Serviço
Figurações, mostra de obras do acervo de Marcantônio Vilaça. Abertura
hoje, às 19h30, no Instituto Cultural Bandepe – Av. Rio Branco, 23, 2º
Andar, Bairro do Recife. Fone: 3241.1110