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Bethânia canta inédita de Capinan e Roberto Mendes

Fábio Motta/AE

Bethânia descreveu a canção como a mais feminina e cheia da sabedoria do amor de mulher que já viu desde que Chico Buarque parou de escrever
 

Conheça a letra da música inédita que Maria Bethânia vai cantar no Canecão, no Rio, na estréia de seu show Tempo Tempo Tempo Tempo

Eduardo Magosi

   São Paulo - A cantora Maria Bethânia guarda o repertório de seus shows a sete chaves mas é praticamente certo que entre as várias músicas inéditas que apresentará em seu novo espetáculo, Tempo Tempo Tempo Tempo, que estréia amanhã no Canecão, no Rio, estará Olhar Estrangeiro, de Roberto Mendes e Capinan, cuja letra o portal estadao.com.br conseguiu com exclusividade (veja abaixo).

   Bethânia descreveu a canção, feita especialmente para ela, como a mais feminina e cheia da sabedoria do amor de mulher que já viu desde que Chico Buarque deixou as cantoras de MPB órfãs ao dar uma pausa em suas composições feitas sob a ótica da alma feminina, como em Olhos nos Olhos e Teresinha, ambas gravadas por Bethânia.

   Com letra de Capinan, que descreve as sensações de uma mulher que se descobre observada e desejada, e música de Roberto Mendes, Olhar Estrangeiro vai compor, ao lado das canções de Vinícius de Moraes, Caetano Veloso e Chico Buarque, o universo deste novo espetáculo de Bethânia, que pretende concentrar sobre sua carreira o mesmo olhar amoroso que colocou sobre o Brasil em seu projeto anterior, Brasileirinho. A trajetória de 40 anos da cantora terá como fio condutor a canção Oração ao Tempo, de Caetano Veloso, de onde o título do show foi tirado. O show também contará com canção inédita de Totonho Villeroy, homenageando Vinícius, feita especialmente para o espetáculo. Tempo Tempo Tempo Tempo estréia sua temporada paulista em 31 de março, do Direct TV Hall.

 
Olhar Estrangeiro
de Roberto Mendes e Capinan
 
 
Quando ele passou
o estranho rapaz
seu olhar estrangeiro olhou para mim
Eu nunca tinha ouvido
a fala do amor
o frio e o calor
Eu logo entendi
que quando o rapaz
seu olhar estrangeiro olhou para mim
Seu olhar estrangeiro
falava uma língua que eu logo entendi
senti no meu corpo uma coisa tao louca que eu
nunca senti
Ele olhava minha boca
ele olhava meu corpo, ele olhava em meu seio
olhava no meio por dentro de mim
No princípio o perigo
e depois
eu olhava eu olhava
Não tinha receio
desejava, queria, no precipício,
crescer minhas asas desvendar o segredo
Seu olhar penetrante
invadia ofegante
o meio de mim
Rasgava o meu ventre o meu corpo inteiro
me vendo por fora me vendo por dentro
do principio ao fim
Depois me olhou me olhou
me olhou de baixo para cima,
em cima , embaixo, dentro de mim
me queimando queimando,
o céu o inferno,
o paraíso é assim
Onde passou tão pouco deixou
só um rastro de fogo queimando em silêncio.
O incêndio do amor.
 

estadao.com.br)


Rigor para voltar ao infinito Vinicius

Que falta você me faz
Maria Bethânia

Antonio Carlos Miguel

   Comparado aos últimos discos da cantora, “Que falta você me faz” (Biscoito Fino) traz uma Maria Bethânia mais urbana e moderna. O que, em parte, se deve à obra cada vez mais moderna e atemporal de Vinicius de Moraes, que ganha aqui um pessoal e ao mesmo tempo abrangente tributo. Diferentes parceiros (Jobim, Baden, Adoniran, Lyra, Toquinho, Macalé...), canções de diversas fases, mas que resultam num disco muito bem amarrado e coerente.

   Instrumentalmente Bethânia também apostou na diversificação: abre com uma classuda “Modinha”, com apenas piano (a ótima pianista portuguesa Maria João Pires) e voz; passa por músicas nas quais usa grupo de base e cordas (com arranjos do argentino Jorge Calandrelli ou de seu habitual diretor musical, o violonista Jaime Além), como se ouve em “Minha namorada”, “A felicidade”, “Tarde em Itapoã” (esta com a percussão baiana dando a cor local) e “Eu não existo sem você”; reverencia em “Samba da bênção” o violão de Baden Powell, representado por seu filho, o ótimo violonista Marcel; revê “Bom dia, tristeza” em roupagem cool jazz, com belo solo na guitarra semi-acústica de Victor Biglione; explora a bela melodia de Garoto, e a poesia aqui algo ingênua de Vinicius e Chico Buarque para “Gente humilde”, acompanhada por Antonio Adolfo (piano) e Chico Chaves (acordeom).

Cantora está contida e usa a voz na medida certa

   Tantas referências, tantos sotaques contribuem para o arrebatador mosaico que é este disco, que tem como fios condutores Vinicius e uma cantora no auge, dominando como nunca a sua arte. Contida, dosa a voz e a dramaticidade que muitas vezes marcaram as suas interpretações. Das cantoras brasileiras de sua geração, Bethânia é a que tem mais personalidade e controle de sua música, só fazendo o que quer e gosta. E mesmo com uma obra tão grande e rigorosa, esse “Que falta você me faz” é de seus melhores discos. Vinicius de Moraes merece, e iria adorar.

O Globo)


‘Eu preciso dizer palavras boas’

Hugo Sukman

   De duzentos e tantos poemas e canções de Vinicius que queria gravar, Maria Bethânia teve que escolher 17. Ela comenta com o GLOBO algumas dessas opções pessoais.

MODINHA: “É sublime pela maneira de o poeta falar da amargura. ‘Vai triste canção/Sai do meu peito e semeia a emoção’. Quem é sensível se amargura, sofre. E é preciso ter o bom coração, o bom sentimento para querer transformar o que é dor”.

POÉTICA: “É o momento da poesia em que ele mais se traduz. E quis botar com a voz dele. Que sinto muita saudade da voz de Vinicius”.

A FELICIDADE: “É a música mais bonita do mundo, só por dizer ‘Tristeza não tem fim/Felicidade sim’”.

MONÓLOGO DE ORFEU: “Queria deixar muito claro o Vinicius apaixonado por mulher escondido em Orfeu. Queria que minha alma feminina dissesse aquilo como se fosse a alma de Vinicius. E a maneira que encontrei foi quase sussurrada, como se fosse um segredo”.

LAMENTO NO MORRO: “Quis gravar os sambas de ‘Orfeu’ juntos, assim, para dar o corpo do teatro de Vinicius”.

MULHER SEMPRE MULHER: “Canto os sambas de ‘Orfeu’ desde menina na Bahia. E adorava esse jeito carioquésimo do Vinicius, de falar ‘Você bota muita banca/Infelizmente eu não sou jornal’”.

TARDE EM ITAPOÃ: “Não podia gravar um Vinicius sem essa canção sobre uma praia que eu amo. E é tudo tão lindo, mais bonito às vezes que a Itapoã real. É um lugar sagrado. E acho que é o momento mais feliz da parceria dele com Toquinho, essa figura tão marcante, esse menino que Vinicius adotou”.

GENTE HUMILDE: “Buarque tem que estar sempre na minha vida. Não sei viver sem ele. Além disso é um núcleo da obra de Vinicius em que ele se mostra interessado no outro”.

O MAIS QUE PERFEITO: “Morei na casa da mãe de Macau. Via Macalé tocando, estudando violão. E adorava esse poema. Ele dizia que era apaixonado por mim, queria casar comigo, aquelas maluquices do Macalé. Um dia chegou com o poema musicado. Fiquei louca, é uma valsa linda”.

O QUE TINHA DE SER: “É a minha música de sempre”.

BOM DIA TRISTEZA: “Maysa era tudo, com aquele timbre diferente, dramática. Aprendi a cantar com dez anos em Santo Amaro. Essa música faz parte dos silêncios de Vinicius”.

SAMBA DA BÊNÇÃO: “Essas palavras do Vinicius — ‘o samba é a tristeza que balança’, ‘É melhor ser alegre que ser triste’, ‘Ninguém faz um samba sem tristeza’ — nunca vi, antes nem depois, nada igual. Eu me lembro quando chegou esse samba na Bahia. O Gil chamou Caetano e a mim e disse: ‘Vem correndo que chegou uma história diferente. A gente chorava, era muito grande”.

VOCÊ E EU: “As letras do Vinicius para esses sambas do Carlinhos (Lyra) são um retrato fiel da sofisticação da música brasileira dessa época. É tão chique”.

EU NÃO EXISTO SEM VOCÊ: “É um namoro com Vinicius, canto babando por ele. E são palavras lindas de dizer. Eu preciso ouvir coisas boas, dizer palavras boas, declarar amor”.

O Globo)


Mergulho profundo na obra de Baden e Vinicius

Antonio Carlos Miguel

   Platéias na Europa e nos Estados Unidos já ouviram, e aprovaram, o show “Mares profundos”. Mas isso não é novidade na carreira de Virgínia Rodrigues, que, desde sua estréia, em 1997, com o disco “Sol negro”, consegue mais repercussão no exterior do que no Brasil. O espetáculo — que chega ao Rio amanhã e quarta-feira, às 20h30m, no Teatro Rival — é um mergulho na obra de Vinicius de Moraes e Baden Powell e tem como base o CD homônimo, o terceiro na carreira da cantora baiana. Lançado no Brasil há quase dois anos pela Natasha, no mundo ele foi distribuído pelo selo de música clássica Deutsche Grammophon.

   — Tenho formação de coral, de música clássica, estudei canto, mas faço música popular, e não vejo muito sentido nessas distinções — diz Virgínia, que também não aceita o bloqueio que hoje vigora nas rádios brasileiras. — Eu cresci ouvindo de tudo, as rádios ofereciam opções, e é isso que sinto falta hoje, diversidade.

   E foi em rádios que ela escutou muito da dupla.

   — Sempre fui apaixonada por Baden e Vinicius. Baden, eu cheguei a conhecer pessoalmente, no fim da vida dele, quando foi me assistir na Alemanha. E, claro, acho as letras de Vinicius magníficas. Quando escolho meu repertório, tenho que me identificar com o que canto, a letra é que dá esse... tesão. Sim, a palavra certa é essa. (risos)

   Tal sensação não falta. Ao lado da série de oito afro-sambas de Baden e Vinicius, gravada pela dupla em 1966, Virgínia incluiu no CD três outras canções da parceria, “Berimbau”, “Labareda” e “Consolação”, e também “Lapinha”, esta com letra de Paulo César Pinheiro. No palco do Rival, Virgínia é acompanhada por Yura Ranevski (violoncelo e direção musical), Pedro Braga (violão), Raul Mascarenhas (sax e flauta) e Ronaldo Silva e Mila Schiavo (percussão).

O Globo)


Em "Que Falta Você me Faz", cantora dá voz a 14 letras do poeta do amor

Bethânia segue receita de Vinicius em seu novo álbum

LUIZ FERNANDO VIANNA
DA SUCURSAL DO RIO

   as conversas de Maria Bethânia com Vinicius de Moraes, o amor, como não poderia deixar de ser, era tema recorrente. "A gente sofre muito, Vinicius", queixava-se a cantora. "É, Bethânia, mas não pode guardar o amor. Puxe o choro antes de dormir que o sono vem e ajuda."

   Tão triste quanto cômica, a receita era uma das muitas que o consagrado poeta dava à jovem cantora. Da combinação peculiar que ele fazia entre humor e dor, ela não se esqueceu. Essa mistura dá o tom em "Que Falta Você me Faz", CD com 14 letras de Vinicius interpretadas por Bethânia.

   Para Bethânia, "o disco é cínico". Ela emprega o adjetivo no sentido de cara-de-pau, sem vergonha de demonstrar paixão pelo homenageado. Daí o título, extraído não de uma música, mas de um sentimento.

   "Sinto muita falta dele. Como poeta, amigo, homem do planeta. Os valores hoje estão muito estranhos, invertidos. Eu fico meio perdida. E Vinicius era um chão muito forte. Queria aqui, agora: "Me explica isso, ou me dá a mão, me dá um beijo, vamos ficar juntos'", derrama-se ela.

Sobrenatural

   Bethânia está comemorando 40 anos de carreira em 2005 com um disco que foi gravado em 2003. Ela optou por adiar porque, na época, já existiam muitas homenagens aos 90 anos de Vinicius. Ele está saindo agora por um motivo que mistura o inconsciente ao sobrenatural.

   "Luciana [de Moraes, filha do poeta] teve um sonho com o Vinicius pedindo para ser agora: "Diga a Bethânia que vamos comemorar no verão de 2005, que é quando eu quero". Deus me livre contrariar meu poeta", conta.

   Equilibrado, o repertório tem seis parcerias com Tom Jobim, duas com Baden Powell, duas com Carlos Lyra e as outras quatro com parceiros diversos.

   "Escolhi músicas que cabiam bem na minha voz. Toda a base do repertório mais bonito do Vinicius é a bossa nova. Mas sou uma cantora de grandes gestos, voz potente, um estilo contra a bossa nova", explica.

   A 15ª faixa do CD é a única que não tem letra de Vinicius. "Nature Boy", clássico americano de Eden Ahbez, é a música que, segundo Bethânia, o poeta mais cantava. Ela interpreta a versão feita em 1979 por Caetano Veloso, "Encantado", e a voz de Vinicius, recuperada de um disco de 1975, entoa um trecho em inglês.

   "Quem escreveu este verso "Nada é maior do que dar amor e receber de volta amor" incorporou Vinicius. Era o que ele ensinava: em primeiro lugar é amor, em segundo lugar é amor, para sempre amor", diz ela.

Intimismo

   Vinicius forma com Chico Buarque e Caetano a trinca-base do repertório de "Tempo, Tempo, Tempo, Tempo", show que Bethânia estréia no Canecão na próxima quinta-feira e chega a São Paulo em 31 de março.

   A se julgar por "Que Falta Você me Faz", não se verá aquela Bethânia que corria no palco cantando "Rosa-dos-Ventos" em altos brados. Ela mesma diz que, hoje, não precisa mais ter uma "voz autoritária, gritada, forte". No disco, baixa o tom, às vezes quase sussurra, emociona.

   O intimismo da voz já aparece na primeira faixa, a dilacerante "Modinha", em que ela se acompanha apenas do piano da portuguesa Maria João Pires. Uma versão à altura das de Elizeth Cardoso e Elis Regina.

   Em "O Mais-que-Perfeito", as cordas fortes abrem terreno para a delicadeza dos versos que Jards Macalé musicou. "Bom Dia, Tristeza", por influência da "Good Morning Heartache", que inspirou a letra, ganha uma levada blues que a revigora.

   Íntima dos versos do poeta, ela faz seu quinto e melhor registro de "O que Tinha de Ser". O amor desbragado ainda está muito bem representado com o "Monólogo de Orfeu", recitado com sereníssima teatralidade.

   A capacidade de transformar músicas já gastas pelo uso, como "Minha Namorada" e "Tarde em Itapoã", em obras novas, confirma a grande fase de Bethânia e o grande disco que é "Que Falta Você me Faz".

Que Falta Você me Faz
    
Artista: Maria Bethânia
Gravadora: Biscoito Fino
Quanto: R$ 25, em média

Folha de S. Paulo)


Maria Bethânia canta Vinicius

A cantora lança novo disco totalmente dedicado às músicas do compositor Vinicius de Moraes e inicia série de shows no Rio e em São Paulo. Clique para ouvir

Beatriz Coelho Silva

Fabio Motta/AE
Vinicius foi o primeiro artista consagrado que a cantora conheceu ao chegar ao Rio

   Rio - A cantora Maria Bethânia homenageia Vinicius de Morais em novo CD e prepara a estréia do show Tempo Tempo Tempo Tempo, no Canecão, no Rio, no dia 24, onde a temporada será de três semanas. Em seguida, apresenta-se em São Paulo por duas semanas, no Direct TV, a partir de 31 de março. Outras capitais vêm depois. A esse tempo, estará chegando às lojas o disco Que Falta Você me Faz, com músicas de Vinicius de Moraes, uma homenagem que ela ensaia há dois anos.

   Vinicius de Moraes foi o primeiro artista consagrado que Maria Bethânia conheceu ao chegar ao Rio. Foi no dia em que ela estreava como substituta de Nara Leão no show Opinião. O encontro completou 40 anos hoje, mas a cantora fala como se fosse recente. "Foi louco. Parecia que a gente se conhecia há anos. Ele me adotou. Ensinou muito sem ser professoral, foi pai sem ser controlador, autoritário. Era de uma gentileza sem par, embora incisivo quando algo o desagradava. Mas também o era quanto ao que lhe agradava", conta ela. "As coisas mais importantes que aprendi com ele foram: ser verdadeira em tudo; ter prazer no que se faz e manter a disciplina. Ele era assim e não há contradição nisso. Quem faz o dever de casa se diverte muito mais quando vai brincar." Ao longo de 15 anos (Vinicius morreu em 1980), os dois estiveram próximos".

   No disco, são 14 músicas dele, mais a canção americana Nature Boy, que ela começa cantando na versão feita por Caetano Veloso, e Vinicius termina em inglês. "Incluí porque era sua cantiga preferida de ninar. Ele cantava para mim, para seus filhos e para quem mais chegasse. Dar e receber amor é a melhor coisa da vida e é Vinicius puro", diz Bethânia. "Mas foi um sofrimento ficar em 14 faixas. Começamos com 250 prioridades e acabou sobressaindo sua parceria com Tom Jobim e Baden Powell, mais adequadas ao meu jeito de cantar. A maior parte do trabalho de Vinicius é Bossa Nova e eu sou o contrário disso, canto para fora, não sou nada contida."

   Bethânia registrou Que Falta Você me Faz e clássicos o O Que Tinha de Ser, Minha Namorada ou Modinha, que abre o disco, num dueto dela com o piano da portuguesa Maria João Pires. Tem até bateria de escola de samba em faixas como Tarde em Itapuã, Mulher, sempre Mulher ou Samba da Bênção, da qual excluiu os versos que Vinicius recitava no intervalo das estrofes. O Astronauta, geralmente, apresentada só instrumental, entra à capella, no início e depois com pandeiro.

   Como sempre, os arranjos de base são de Jaime Álem, seu maestro há mais de 20 anos, mas as cordas vieram dos Estados Unidos, arranjadas pelo maestro Jorge Calandrelli, que trabalha com Barbra Streisand. "Só depois de escolhê-lo soube que ele é apaixonado pela música brasileira e por Vinicius", conta a cantora.

   Em alguns momentos, soa Radamés Gnatalli, em outros como os maestros que Tom Jobim teve nos Estados Unidos, mas volta e meia entra a bateria de escola de samba ("É a minha cara", adverte Bethânia) ou um piano à la Jobim, como em A Felicidade. "É o Daniel, neto dele, que toca igualzinho e é muito parecido. Os filhos do Baden também foram importantes. Veja o Samba da Bênção que o Marcel toca como se fosse o pai, com a segunda em tom menor. Fica divino." No disco, há ainda dois poemas de Vinicius, Poética 1, recitado pelo próprio, e Monólogo de Orfeu, sussurrado apaixonada e sensualmente por Bethânia.

   Esses e outros dois (ela recusa-se a adiantar quais) entram no show, que tem o título de uma música de Caetano Veloso e, embora seja homenagem a Vinicius, terá músicas diferentes das do disco e outras de Caetano e Chico Buarque. "Eles estão comigo em toda a minha carreira, que também já completa 40 anos. Por isso, o título Tempo Tempo Tempo Tempo, que também é muito sonoro", avisa.

estadao.com.br, 14.2.2005)

Com relação a este tema, saiba mais (arquivo NordesteWeb)


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