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Conheça a letra da música inédita que Maria Bethânia vai cantar no Canecão, no Rio, na estréia de seu show Tempo Tempo Tempo Tempo Eduardo Magosi São Paulo - A cantora Maria Bethânia guarda o repertório de seus shows a sete chaves mas é praticamente certo que entre as várias músicas inéditas que apresentará em seu novo espetáculo, Tempo Tempo Tempo Tempo, que estréia amanhã no Canecão, no Rio, estará Olhar Estrangeiro, de Roberto Mendes e Capinan, cuja letra o portal estadao.com.br conseguiu com exclusividade (veja abaixo). Bethânia descreveu a canção, feita especialmente para ela, como a mais feminina e cheia da sabedoria do amor de mulher que já viu desde que Chico Buarque deixou as cantoras de MPB órfãs ao dar uma pausa em suas composições feitas sob a ótica da alma feminina, como em Olhos nos Olhos e Teresinha, ambas gravadas por Bethânia. Com letra de Capinan, que descreve as sensações de uma mulher que se descobre observada e desejada, e música de Roberto Mendes, Olhar Estrangeiro vai compor, ao lado das canções de Vinícius de Moraes, Caetano Veloso e Chico Buarque, o universo deste novo espetáculo de Bethânia, que pretende concentrar sobre sua carreira o mesmo olhar amoroso que colocou sobre o Brasil em seu projeto anterior, Brasileirinho. A trajetória de 40 anos da cantora terá como fio condutor a canção Oração ao Tempo, de Caetano Veloso, de onde o título do show foi tirado. O show também contará com canção inédita de Totonho Villeroy, homenageando Vinícius, feita especialmente para o espetáculo. Tempo Tempo Tempo Tempo estréia sua temporada paulista em 31 de março, do Direct TV Hall.
(© estadao.com.br)
Rigor para voltar ao infinito Vinicius
Antonio Carlos Miguel (© O Globo) ‘Eu preciso dizer palavras boas’
Hugo Sukman (© O Globo) Mergulho profundo na obra de Baden e Vinicius
Antonio Carlos Miguel Em "Que Falta Você me Faz", cantora dá voz a 14 letras do poeta do
amor LUIZ FERNANDO VIANNA as conversas de Maria Bethânia com Vinicius de Moraes, o amor, como não poderia deixar de ser, era tema recorrente. "A gente sofre muito, Vinicius", queixava-se a cantora. "É, Bethânia, mas não pode guardar o amor. Puxe o choro antes de dormir que o sono vem e ajuda." Tão triste quanto cômica, a receita era uma das muitas que o consagrado poeta dava à jovem cantora. Da combinação peculiar que ele fazia entre humor e dor, ela não se esqueceu. Essa mistura dá o tom em "Que Falta Você me Faz", CD com 14 letras de Vinicius interpretadas por Bethânia. Para Bethânia, "o disco é cínico". Ela emprega o adjetivo no sentido de cara-de-pau, sem vergonha de demonstrar paixão pelo homenageado. Daí o título, extraído não de uma música, mas de um sentimento. "Sinto muita falta dele. Como
poeta, amigo, homem do planeta. Os valores hoje estão muito estranhos,
invertidos. Eu fico meio perdida. E Vinicius era um chão muito forte. Queria
aqui, agora: "Me explica isso, ou me dá a mão, me dá um beijo, vamos ficar
juntos'", derrama-se ela. Bethânia está comemorando 40 anos de carreira em 2005 com um disco que foi gravado em 2003. Ela optou por adiar porque, na época, já existiam muitas homenagens aos 90 anos de Vinicius. Ele está saindo agora por um motivo que mistura o inconsciente ao sobrenatural. "Luciana [de Moraes, filha do poeta] teve um sonho com o Vinicius pedindo para ser agora: "Diga a Bethânia que vamos comemorar no verão de 2005, que é quando eu quero". Deus me livre contrariar meu poeta", conta. Equilibrado, o repertório tem seis parcerias com Tom Jobim, duas com Baden Powell, duas com Carlos Lyra e as outras quatro com parceiros diversos. "Escolhi músicas que cabiam bem na minha voz. Toda a base do repertório mais bonito do Vinicius é a bossa nova. Mas sou uma cantora de grandes gestos, voz potente, um estilo contra a bossa nova", explica. A 15ª faixa do CD é a única que não tem letra de Vinicius. "Nature Boy", clássico americano de Eden Ahbez, é a música que, segundo Bethânia, o poeta mais cantava. Ela interpreta a versão feita em 1979 por Caetano Veloso, "Encantado", e a voz de Vinicius, recuperada de um disco de 1975, entoa um trecho em inglês. "Quem escreveu este verso "Nada é
maior do que dar amor e receber de volta amor" incorporou Vinicius. Era o
que ele ensinava: em primeiro lugar é amor, em segundo lugar é amor, para
sempre amor", diz ela. Vinicius forma com Chico Buarque e Caetano a trinca-base do repertório de "Tempo, Tempo, Tempo, Tempo", show que Bethânia estréia no Canecão na próxima quinta-feira e chega a São Paulo em 31 de março. A se julgar por "Que Falta Você me Faz", não se verá aquela Bethânia que corria no palco cantando "Rosa-dos-Ventos" em altos brados. Ela mesma diz que, hoje, não precisa mais ter uma "voz autoritária, gritada, forte". No disco, baixa o tom, às vezes quase sussurra, emociona. O intimismo da voz já aparece na primeira faixa, a dilacerante "Modinha", em que ela se acompanha apenas do piano da portuguesa Maria João Pires. Uma versão à altura das de Elizeth Cardoso e Elis Regina. Em "O Mais-que-Perfeito", as cordas fortes abrem terreno para a delicadeza dos versos que Jards Macalé musicou. "Bom Dia, Tristeza", por influência da "Good Morning Heartache", que inspirou a letra, ganha uma levada blues que a revigora. Íntima dos versos do poeta, ela faz seu quinto e melhor registro de "O que Tinha de Ser". O amor desbragado ainda está muito bem representado com o "Monólogo de Orfeu", recitado com sereníssima teatralidade. A capacidade de transformar músicas já gastas pelo uso, como "Minha Namorada" e "Tarde em Itapoã", em obras novas, confirma a grande fase de Bethânia e o grande disco que é "Que Falta Você me Faz". Que Falta Você me Faz (© Folha de S. Paulo) Maria Bethânia canta Vinicius A cantora lança novo disco totalmente dedicado às músicas do compositor Vinicius de Moraes e inicia série de shows no Rio e em São Paulo. Clique para ouvir Beatriz Coelho Silva
Rio - A cantora Maria Bethânia homenageia Vinicius de Morais em novo CD e prepara a estréia do show Tempo Tempo Tempo Tempo, no Canecão, no Rio, no dia 24, onde a temporada será de três semanas. Em seguida, apresenta-se em São Paulo por duas semanas, no Direct TV, a partir de 31 de março. Outras capitais vêm depois. A esse tempo, estará chegando às lojas o disco Que Falta Você me Faz, com músicas de Vinicius de Moraes, uma homenagem que ela ensaia há dois anos. Vinicius de Moraes foi o primeiro artista consagrado que Maria Bethânia conheceu ao chegar ao Rio. Foi no dia em que ela estreava como substituta de Nara Leão no show Opinião. O encontro completou 40 anos hoje, mas a cantora fala como se fosse recente. "Foi louco. Parecia que a gente se conhecia há anos. Ele me adotou. Ensinou muito sem ser professoral, foi pai sem ser controlador, autoritário. Era de uma gentileza sem par, embora incisivo quando algo o desagradava. Mas também o era quanto ao que lhe agradava", conta ela. "As coisas mais importantes que aprendi com ele foram: ser verdadeira em tudo; ter prazer no que se faz e manter a disciplina. Ele era assim e não há contradição nisso. Quem faz o dever de casa se diverte muito mais quando vai brincar." Ao longo de 15 anos (Vinicius morreu em 1980), os dois estiveram próximos". No disco, são 14 músicas dele, mais a canção americana Nature Boy, que ela começa cantando na versão feita por Caetano Veloso, e Vinicius termina em inglês. "Incluí porque era sua cantiga preferida de ninar. Ele cantava para mim, para seus filhos e para quem mais chegasse. Dar e receber amor é a melhor coisa da vida e é Vinicius puro", diz Bethânia. "Mas foi um sofrimento ficar em 14 faixas. Começamos com 250 prioridades e acabou sobressaindo sua parceria com Tom Jobim e Baden Powell, mais adequadas ao meu jeito de cantar. A maior parte do trabalho de Vinicius é Bossa Nova e eu sou o contrário disso, canto para fora, não sou nada contida." Bethânia registrou Que Falta Você me Faz e clássicos o O Que Tinha de Ser, Minha Namorada ou Modinha, que abre o disco, num dueto dela com o piano da portuguesa Maria João Pires. Tem até bateria de escola de samba em faixas como Tarde em Itapuã, Mulher, sempre Mulher ou Samba da Bênção, da qual excluiu os versos que Vinicius recitava no intervalo das estrofes. O Astronauta, geralmente, apresentada só instrumental, entra à capella, no início e depois com pandeiro. Como sempre, os arranjos de base são de Jaime Álem, seu maestro há mais de 20 anos, mas as cordas vieram dos Estados Unidos, arranjadas pelo maestro Jorge Calandrelli, que trabalha com Barbra Streisand. "Só depois de escolhê-lo soube que ele é apaixonado pela música brasileira e por Vinicius", conta a cantora. Em alguns momentos, soa Radamés Gnatalli, em outros como os maestros que Tom Jobim teve nos Estados Unidos, mas volta e meia entra a bateria de escola de samba ("É a minha cara", adverte Bethânia) ou um piano à la Jobim, como em A Felicidade. "É o Daniel, neto dele, que toca igualzinho e é muito parecido. Os filhos do Baden também foram importantes. Veja o Samba da Bênção que o Marcel toca como se fosse o pai, com a segunda em tom menor. Fica divino." No disco, há ainda dois poemas de Vinicius, Poética 1, recitado pelo próprio, e Monólogo de Orfeu, sussurrado apaixonada e sensualmente por Bethânia. Esses e outros dois (ela recusa-se a adiantar quais) entram no show, que tem o título de uma música de Caetano Veloso e, embora seja homenagem a Vinicius, terá músicas diferentes das do disco e outras de Caetano e Chico Buarque. "Eles estão comigo em toda a minha carreira, que também já completa 40 anos. Por isso, o título Tempo Tempo Tempo Tempo, que também é muito sonoro", avisa. (© estadao.com.br, 14.2.2005) |
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