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Homenagem a Canhoto une gerações na UFPE

Heudes Régis

Os violonistas Caio Cézar e Canhoto da Paraíba

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Show no teatro da universidade marca o lançamento do disco-tributo Revendo um Amigo: Uma Homenagem a Canhoto. Renda será revertida para o compositor, que se recupera de um AVC

MARCOS TOLEDO

   Uma boa onda de solidariedade a importantes artistas locais parece estar invadindo os palcos do Recife. Após alguns concertos em bares e teatros em benefício do violonista Canhoto da Paraíba e do cavaquinista Jacaré, que se recuperam de graves problemas de saúde, o mesmo Canhoto ganha hoje mais um tributo, desta vez no Teatro da UFPE, às 21h, quando o ocorre o lançamento do álbum Revendo um Amigo: Uma Homenagem a Canhoto. Ainda este ano ocorre evento semelhante, também com direito a CD, em prol de Jacaré.

   O espetáculo de hoje conta com apresentações dos conjuntos Sexteto Capibaribe e Arabiando e participações especiais da cantora Dalva Torres e de alguns dos músicos que gravaram o disco. Com o cancelamento da presença do cantor e compositor Paulinho da Viola, por problemas de saúde, foi confirmada a vinda do guitarrista pernambucano radicado no Rio de Janeiro Fernando Caneca, autor do álbum Visitando Canhoto da Paraíba (DeckDisc).

   A trajetória de Francisco Soares de Araújo, o Canhoto da Paraíba, só comprova o quanto sua música é atemporal e influencia diversas gerações. Natural do município de Princesa (PB), Chico Soares foi um dos principais violonistas da chamada Época de Ouro do rádio, em meados do século passado. Em 1959, com outros colegas instrumentistas visitou a casa do bandolinista Jacob do Bandolim, no Rio, episódio que entrou para a história da música brasileira – o próprio amigo Paulinho da Viola já confessou que passou a querer se tornar um músico profissional ao ver Canhoto tocar naquela ocasião.

   Desde então, a obra do violonista – que, até sofrer um acidente vascular cerebral em 1998, tocava com o instrumento invertido sem trocar a posição das cordas – tem provocado interesse de músicos de várias idades. O próprio Fernando Caneca, que toca no show de hoje, tem Chico Soares como seu mestre desde que ouviu pela primeira vez o disco O Violão Brasileiro Tocado pelo Avesso, produzido por Paulinho da Viola em 1977 e considerado um dos empuxos para a renovação do choro a partir daquele período.

   Hoje, no Teatro da UFPE, Caneca divide o palco com outros jovens que também contribuem para escrever mais algumas páginas (de letras e partituras) sobre Canhoto na história. Caso do multiinstrumentista Alexandre Marinho, 29 anos, que assina os arranjos e toca no CD Revendo um Amigo, e dos integrantes do Sexteto Capibaribe (coordenado pelo maestro Marco César) e do Arabiando. Em troca, todos prometem fazer um espetáculo brilhante, cuja renda será revertida para ajudar na recuperação de Canhoto.

Revendo um Amigo: Um Show para Canhoto. Hoje, às 21h, no Teatro da UFPE. Ingresso (com CD): R$ 20

JC Online)
 

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