Diretor estréia amanhã, no Teatro Valdemar de Oliveira, a nova versão
do sucesso Rua do Lixo, 24, com o grupo Feira de Caruaru
JANAÍNA LIMA
Depois de seis anos sem encenar nenhum trabalho no Recife, o
diretor caruaruense Vital Santos estréia amanhã, no palco do Teatro
Valdemar de Oliveira, o musical Rua do Lixo, 24. Remontagem de um
dos primeiros sucessos do encenador, escrita em 1969, a peça traz à tona a
história de um lixão localizado no meio da cidade de Caruaru, que foi alvo
de muita discussão nos anos 70. A produção traz no elenco atores do grupo
Feira de Caruaru e ficará em cartaz às sextas e sábados, 21h, e aos
domingos, 20h.
“A Rua do Lixo era uma comunidade que ficava ao pé do monte, que estava
sendo invadida pelo lixo e que, com o crescimento de Caruaru foi ficando
no meio da cidade. Apesar disso, era um lugar privilegiado, onde moravam
pessoas influentes de Caruaru e era ponto oficial ainda dos circos que
visitavam o Agreste”, detalha Vital Santos.
Justamente esse último ‘detalhe’ citado pelo diretor explica o
subtítulo da produção: Le Grand Cirque de la Vie. “É pura ironia,
porque na época os circos traziam artistas que cantavam músicas francesas,
como La vie en rose e outras. No picadeiro, elas cantavam em
francês e do lado de fora se deparavam com o lixão”, comenta Vital.
O encenador lembra ainda que foi incentivado a escrever o texto em 1969
pelo diretor Pascoal Carlos Magno. “Ele nos convidou para participar de um
festival no Rio, que era um grande evento do teatro. Preparamos o
espetáculo, encenamos em algumas cidades daqui e viajamos. Foi um sucesso
a temporada carioca”, salienta o diretor.
Depois disso, Rua do Lixo, 24 foi apresentada outras duas vezes,
em 1970 e em 1978. Vinte e sete anos, portanto, separam a versão atual da
encenada anteriormente.
Apesar de todo esse tempo, Vital diz que a peça não poderia ser mais
atual: “As coisas continuam do mesmo jeito. Passamos por todo o tipo de
partido, elegemos a direita, a esquerda, e os problemas do País continuam
os mesmos. Ainda lutamos por saneamento, por igualdade de direitos e pela
solidariedade”, analisa.
A PEÇA – Antes de cumprir sua primeira temporada no Recife,
Rua do Lixo, 24 foi encenada em cidades do interior do Estado e
circulou pelo Nordeste, por meio da Caravana Funarte. A montagem encerrou
ainda o Seminário do IV Circuito Pernambucano de Artes Cênicas, promovido
pela Fundarpe, em Garanhuns, e fez uma única apresentação no festival
Janeiro de Grandes Espetáculo.
O espetáculo narra o cotidiano miserável de uma família nordestina,
dosando a tragédia social com números musicais marcados pela ironia.
A matriarca é Dona Lola, vivida novamente pela atriz Isa Fernandes, que
também interpretou a personagem nas primeiras versões. Ela é uma lavadeira
esforçada, mãe de um casal: Dorinha (Cidinha Alencar) e Ernesto (o
talentoso Gerson Lobo). A família mora numa casa imunda de um só cômodo,
que fica, como na vida real, do lado de um lixeiro de Caruaru.
O espetáculo se desenvolve a partir da difícil convivência entre os
parentes, marcada pelos esforços da filha em driblar o patrão machista e
sedutor, e as confusões armadas pelo filho vagabundo, que se envolve com o
submundo das drogas e acaba sendo procurado pela polícia.
O elenco traz ainda nomes como Samuel Valente (A Terra dos Meninos
Pelados), parceiro de Vital Santos em diversos trabalhos e que faz
também a assistência de direção. Os figurinos são de Java Araújo e a
trilha sonora é assinada por Josias Albuquerque e executada ao vivo.
Serviço: Teatro Valdemar de Oliveira – Praça Oswaldo Cruz, s/n, Boa Vista, fone:
3222-1200. Sextas e sábados, 21h, domingos, 20h. Ingressos: R$ 10 e R$ 5
(© JC Online)