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 Vital Santos remonta musical

03/03/2005

O teatrólogo Vital Santos
 

Diretor estréia amanhã, no Teatro Valdemar de Oliveira, a nova versão do sucesso Rua do Lixo, 24, com o grupo Feira de Caruaru

JANAÍNA LIMA

   Depois de seis anos sem encenar nenhum trabalho no Recife, o diretor caruaruense Vital Santos estréia amanhã, no palco do Teatro Valdemar de Oliveira, o musical Rua do Lixo, 24. Remontagem de um dos primeiros sucessos do encenador, escrita em 1969, a peça traz à tona a história de um lixão localizado no meio da cidade de Caruaru, que foi alvo de muita discussão nos anos 70. A produção traz no elenco atores do grupo Feira de Caruaru e ficará em cartaz às sextas e sábados, 21h, e aos domingos, 20h.

   “A Rua do Lixo era uma comunidade que ficava ao pé do monte, que estava sendo invadida pelo lixo e que, com o crescimento de Caruaru foi ficando no meio da cidade. Apesar disso, era um lugar privilegiado, onde moravam pessoas influentes de Caruaru e era ponto oficial ainda dos circos que visitavam o Agreste”, detalha Vital Santos.

   Justamente esse último ‘detalhe’ citado pelo diretor explica o subtítulo da produção: Le Grand Cirque de la Vie. “É pura ironia, porque na época os circos traziam artistas que cantavam músicas francesas, como La vie en rose e outras. No picadeiro, elas cantavam em francês e do lado de fora se deparavam com o lixão”, comenta Vital.

   O encenador lembra ainda que foi incentivado a escrever o texto em 1969 pelo diretor Pascoal Carlos Magno. “Ele nos convidou para participar de um festival no Rio, que era um grande evento do teatro. Preparamos o espetáculo, encenamos em algumas cidades daqui e viajamos. Foi um sucesso a temporada carioca”, salienta o diretor.

   Depois disso, Rua do Lixo, 24 foi apresentada outras duas vezes, em 1970 e em 1978. Vinte e sete anos, portanto, separam a versão atual da encenada anteriormente.

   Apesar de todo esse tempo, Vital diz que a peça não poderia ser mais atual: “As coisas continuam do mesmo jeito. Passamos por todo o tipo de partido, elegemos a direita, a esquerda, e os problemas do País continuam os mesmos. Ainda lutamos por saneamento, por igualdade de direitos e pela solidariedade”, analisa.

   A PEÇA – Antes de cumprir sua primeira temporada no Recife, Rua do Lixo, 24 foi encenada em cidades do interior do Estado e circulou pelo Nordeste, por meio da Caravana Funarte. A montagem encerrou ainda o Seminário do IV Circuito Pernambucano de Artes Cênicas, promovido pela Fundarpe, em Garanhuns, e fez uma única apresentação no festival Janeiro de Grandes Espetáculo.

   O espetáculo narra o cotidiano miserável de uma família nordestina, dosando a tragédia social com números musicais marcados pela ironia.

   A matriarca é Dona Lola, vivida novamente pela atriz Isa Fernandes, que também interpretou a personagem nas primeiras versões. Ela é uma lavadeira esforçada, mãe de um casal: Dorinha (Cidinha Alencar) e Ernesto (o talentoso Gerson Lobo). A família mora numa casa imunda de um só cômodo, que fica, como na vida real, do lado de um lixeiro de Caruaru.

   O espetáculo se desenvolve a partir da difícil convivência entre os parentes, marcada pelos esforços da filha em driblar o patrão machista e sedutor, e as confusões armadas pelo filho vagabundo, que se envolve com o submundo das drogas e acaba sendo procurado pela polícia.

   O elenco traz ainda nomes como Samuel Valente (A Terra dos Meninos Pelados), parceiro de Vital Santos em diversos trabalhos e que faz também a assistência de direção. Os figurinos são de Java Araújo e a trilha sonora é assinada por Josias Albuquerque e executada ao vivo.

Serviço: Teatro Valdemar de Oliveira – Praça Oswaldo Cruz, s/n, Boa Vista, fone: 3222-1200. Sextas e sábados, 21h, domingos, 20h. Ingressos: R$ 10 e R$ 5

JC Online)

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