A décima terceira edição do maior festival de rock do Estado, que ocorrerá
entre os dias 15 e 17 de abril, renova muito pouco o seu elenco
SCHNEIDER CARPEGGIANI
O Abril Pro Rock chega fatiado este ano, o da 13ª edição. O dia de
abertura do festival irá abrigar a primeira etapa de outro projeto, o
Claro que é Rock, organizado por uma operadora de telefonia celular e
responsável pela turnê brasileira do Placebo, que faz sua estréia no
Recife. O grupo internacional divide a data com o Los Hermanos e mais
cinco bandas, que serão selecionadas até o dia 5 de abril.
Festivais travestidos de concursos para revelar novos grupos não
costumam dar muito resultado – que o diga as não-carreiras que tiveram os
nomes “içados” pelos Skol Rock e Rock in Rio da vida. Paulo André,
produtor do APR, afirmou ontem na coletiva de imprensa do festival que
sabe bem da “maldição” que cerca esse tipo de iniciativa.
“Desta vez, a seleção de grupos é feita por gente que de fato entende e
se interessa por música”, declarou o produtor, fazendo menção à curadoria
do Toca do Bandido, e do próprio APR – que irá especialmente julgar os
candidatos da etapa Recife do Claro que é Rock.
As bandas interessadas em participar do Claro que é Rock têm até o dia
1º de abril para enviar material. O regulamento está no
www.claroideias.com.br. O vencedor do concurso recebe uma van equipada
para turnês, um CD produzido pela Toca do Bandido e a gravação de dois
clipes.
No regulamento do festival, há a explicação de que o concurso é voltado
apenas para grupos de rock – todos de pop, black, eletrônico e MPB ficam
de fora. Esse afunilamento só ressalta a velha crença de que os gêneros
musicais – o rock, o pop e todo o resto – são posturas, imagens em uma
vitrine. Mais ou menos assim: rock é do contra, os outros são “a favor”.
A junção com a Claro é a grande, talvez única, novidade que o Abril Pro
Rock traz nesta sua 13ª edição. A programação do festival reprisa nomes
como Los Hermanos, Sepultura, DJ Dolores e Mombojó. Paulo André, na
conversa com a imprensa, rebateu a cara déjà vu que se abateu no
festival:
Los Hermanos (“eles vão aproveitar o Recife para mostrar músicas novas.
No DVD deles, que acabou de sair, tem o grupo tocando pela primeira vez
Cara estranho aqui no Abril”), Sepultura (“o Sepultura já está há três
discos sem se apresentar no festival”), DJ Dolores (“Vai ser o show de
lançamento da Aparelhagem, que chega às lojas em abril”), Mombojó (“O Arto
Lindsay está interessado em produzir o segundo disco do Mombojó. A gente
ainda não sabe como vai ser esse show em conjunto”).
Mesmo com as justificativas, o repeteco que assola as últimas edições
do APR aponta dois fatos: a falta de um grande leque de bandas com verniz,
hummm, digamos, “alternativo”, capaz de lotar a imensidão de um Pavilhão
do Centro de Convenções, como ocorria nos anos 90, e a concorrência com
eventos que apostam no pop/rock, nesses tempos de decadência do axé e do
pagode de antes.
“Uma banda para tocar no APR precisa ter um descanso de, pelo menos,
seis meses sem tocar no Recife e a cidade tem o Festival de Verão no
começo do ano”, declarou Paulo André.
Com Sepultura, Los Hermanos e outros ainda fazendo parte de memórias
recentes, o inusitado do APR 2005 vai mesmo ficar por conta dos olhos
maquiados, do clima das festas da Ultra 2K/Non Stop, dos gritos
adolescentes, das bobagens dramáticas e de todo carão de mentirinha que
vem junto com o Placebo.
(©
JC Online)
A polêmica
atração internacional da primeira noite do Abril Pro Rock
JOSÉ TELES
A Placebo, atração internacional do Abril Pro Rock 2005
(toca na primeira noite do festival), desembarca no Brasil para uma turnê
patrocinada pela Claro, com uma coletânea fresquinha nas lojas, Once
More With Feeling Singles 1996 – 2004 (EMI) (R$ 32). O disco reúne
hits dos quatro álbuns lançados pela banda: Placebo, Without You
I’m Nothing, Black Market Music and Sleeping With Ghosts,
mais as inéditas: Twenty Years, I Do, e Protège Moi,
saída em compacto apenas na França.
Pouco conhecida no Brasil, a Placebo é muito bem-sucedida na
Inglaterra, conforme atestam os números: um milhão de discos vendidos na
ilha e cinco milhões mundo afora (1,4 milhão do último CD Sleeping With
Ghosts). A relutância em encarar o mercado americano, do qual nem os
Beatles escaparam, pode ser a razão de a música da Placebo não ter
atingido mais países: “Prefiro me apresentar na Austrália, onde o povo é
sorridente, simpático, do que nos Estados Unidos, onde um cara sorri para
você e ao mesmo tempo lhe aponta uma arma”, comenta o baterista Steve
Hewitt. Os principais integrantes da banda vêm da classe média alta – o
vocalista Brian Molko e o guitarrista (sueco) Stefan Olsdal, que se
conheceram num colégio norte-americano para granfinos em Luxemburgo.
O encarte da coletânea enfatiza o visual Calvin Klein lânguido do
grupo, responsável por um pop enérgico, melódico, caracterizado pela voz
anasalada de Brian Molko. O figurino da Placebo traz a ambigüidade do rock
purpurinado dos anos 70, tanto que a banda tem David Bowie como
fada-madrinha (Bowie faz participação vocal em Without you I’m nothing).
No entanto, o trio repudia o rótulo de glam rock e cita P.J Harvey, Nick
Cave e Metallica como inspiração.
Once More with Feelings contém tudo o que o curioso, ou o
admirador, precisa escutar do Placebo (placebo em latim, grosso modo,
significa “eu lhe farei bem”. Em medicina é um simulacro de remédio). No
disco está, por exemplo, o primeiro sucesso do grupo Nancy boy
(bichinha), cujo título e temática levou a banda às paradas e páginas dos
mordazes tablóides ingleses (o vocalista Brian e o guitarrista Stefan são,
respectiva e assumidamente, bi e homossexuais), acrescente-se a isso a
atenção que atraiu o visual de Brian, de unhas feitas, rosto maquiado e
cabeleira longa. Difícil saber se era ele ou ela, tanto que a primeira
matéria de capa da banda no jornal New Musical Express, estampava uma foto
do vocalista com a manchete: “It’s a Boy!” (É um menino!).
Vigorosos singles ao longo da equilibrada carreira (iniciada há dez
anos) levaram a Placebo a ir além dos 15 minutos de fama. Embora
derivativa, sua música inegavelmente tem qualidades, e mais do New Order
do que do próprio Bowie (a influência do grupo de Manchester é escancarada
em You don’t care about us). Algumas das 19 faixas da compilação
não escaparam da ação do tempo, sobretudo as mais antigas (afinal dez anos
não são dez dias). Das novidades, a francesa Protége moi, tem uma
melodia repetitiva, como uma mantra pop. I do e Tewnty Years
(feita especialmente para esta coletânea), são menos glitter, revestem a
Placebo de sonoridades diferentes. O grupo recebe mais elogios pelas
performances de palco do que pelos discos. Um caso a conferir na
sexta-feira, primeira noite do Abril Pro Rock 2005, quando a banda
disputa a platéia com o pop melancólico da Los Hermanos.
(©
JC Online)
Confira a programação do Abril Pro Rock 2005
Dia 15 de abril - Pavilhão do Centro de
Convenções de Pernambuco
(sexta, a partir das 21h)- Placebo
(Inglaterra)
- Los Hermanos (RJ)
- Bandas do concurso Claro que é Rock (as inscrições vão
até o dia 1º de abril. Mais detalhes no site da
Claro)
Dia 16 de abril
(sábado, a partir das 17h)
- Sepultura (MG)
- Shaaman (SP)
- Dead Fish (ES)
- Massacration (SP)
- Retrofoguetes (BA)
- MQN (GO)
- Matanza (RJ)
- Chaosphere (PE)
- Silente Moon (PE)
Dia 17 de abril
(domingo, a partir das 17h)
- Orquestra Manguefônica (PE)
- DJ Dolores: Aparelhagem (PE)
- Mombojó x Arto Lindsay (PE)
- Gram (SP)
- The Legendary Tiger Man (Portugal)
- Leela (RJ)
- Superoutro (PE)
- Volver (PE)
- Daniel Belleza e os Corações em Fúria (PS)
(©
JC Online)
MÚSICA
Escalação tem 25 bandas
Abril pro Rock e festival unem forças no Recife