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 Novidades limitadas no 13º Abril Pró-Rock

09/03/2005

DJ Dolores estará na 13ª edição do Abril Pro Rock
 

A décima terceira edição do maior festival de rock do Estado, que ocorrerá entre os dias 15 e 17 de abril, renova muito pouco o seu elenco

SCHNEIDER CARPEGGIANI

   O Abril Pro Rock chega fatiado este ano, o da 13ª edição. O dia de abertura do festival irá abrigar a primeira etapa de outro projeto, o Claro que é Rock, organizado por uma operadora de telefonia celular e responsável pela turnê brasileira do Placebo, que faz sua estréia no Recife. O grupo internacional divide a data com o Los Hermanos e mais cinco bandas, que serão selecionadas até o dia 5 de abril.

   Festivais travestidos de concursos para revelar novos grupos não costumam dar muito resultado – que o diga as não-carreiras que tiveram os nomes “içados” pelos Skol Rock e Rock in Rio da vida. Paulo André, produtor do APR, afirmou ontem na coletiva de imprensa do festival que sabe bem da “maldição” que cerca esse tipo de iniciativa.

   “Desta vez, a seleção de grupos é feita por gente que de fato entende e se interessa por música”, declarou o produtor, fazendo menção à curadoria do Toca do Bandido, e do próprio APR – que irá especialmente julgar os candidatos da etapa Recife do Claro que é Rock.

   As bandas interessadas em participar do Claro que é Rock têm até o dia 1º de abril para enviar material. O regulamento está no www.claroideias.com.br. O vencedor do concurso recebe uma van equipada para turnês, um CD produzido pela Toca do Bandido e a gravação de dois clipes.

   No regulamento do festival, há a explicação de que o concurso é voltado apenas para grupos de rock – todos de pop, black, eletrônico e MPB ficam de fora. Esse afunilamento só ressalta a velha crença de que os gêneros musicais – o rock, o pop e todo o resto – são posturas, imagens em uma vitrine. Mais ou menos assim: rock é do contra, os outros são “a favor”.

   A junção com a Claro é a grande, talvez única, novidade que o Abril Pro Rock traz nesta sua 13ª edição. A programação do festival reprisa nomes como Los Hermanos, Sepultura, DJ Dolores e Mombojó. Paulo André, na conversa com a imprensa, rebateu a cara déjà vu que se abateu no festival:

   Los Hermanos (“eles vão aproveitar o Recife para mostrar músicas novas. No DVD deles, que acabou de sair, tem o grupo tocando pela primeira vez Cara estranho aqui no Abril”), Sepultura (“o Sepultura já está há três discos sem se apresentar no festival”), DJ Dolores (“Vai ser o show de lançamento da Aparelhagem, que chega às lojas em abril”), Mombojó (“O Arto Lindsay está interessado em produzir o segundo disco do Mombojó. A gente ainda não sabe como vai ser esse show em conjunto”).

   Mesmo com as justificativas, o repeteco que assola as últimas edições do APR aponta dois fatos: a falta de um grande leque de bandas com verniz, hummm, digamos, “alternativo”, capaz de lotar a imensidão de um Pavilhão do Centro de Convenções, como ocorria nos anos 90, e a concorrência com eventos que apostam no pop/rock, nesses tempos de decadência do axé e do pagode de antes.

   “Uma banda para tocar no APR precisa ter um descanso de, pelo menos, seis meses sem tocar no Recife e a cidade tem o Festival de Verão no começo do ano”, declarou Paulo André.

   Com Sepultura, Los Hermanos e outros ainda fazendo parte de memórias recentes, o inusitado do APR 2005 vai mesmo ficar por conta dos olhos maquiados, do clima das festas da Ultra 2K/Non Stop, dos gritos adolescentes, das bobagens dramáticas e de todo carão de mentirinha que vem junto com o Placebo.

JC Online)


A polêmica atração internacional da primeira noite do Abril Pro Rock

JOSÉ TELES
Áudio
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Infográfico
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   A Placebo, atração internacional do Abril Pro Rock 2005 (toca na primeira noite do festival), desembarca no Brasil para uma turnê patrocinada pela Claro, com uma coletânea fresquinha nas lojas, Once More With Feeling Singles 1996 – 2004 (EMI) (R$ 32). O disco reúne hits dos quatro álbuns lançados pela banda: Placebo, Without You I’m Nothing, Black Market Music and Sleeping With Ghosts, mais as inéditas: Twenty Years, I Do, e Protège Moi, saída em compacto apenas na França.

   Pouco conhecida no Brasil, a Placebo é muito bem-sucedida na Inglaterra, conforme atestam os números: um milhão de discos vendidos na ilha e cinco milhões mundo afora (1,4 milhão do último CD Sleeping With Ghosts). A relutância em encarar o mercado americano, do qual nem os Beatles escaparam, pode ser a razão de a música da Placebo não ter atingido mais países: “Prefiro me apresentar na Austrália, onde o povo é sorridente, simpático, do que nos Estados Unidos, onde um cara sorri para você e ao mesmo tempo lhe aponta uma arma”, comenta o baterista Steve Hewitt. Os principais integrantes da banda vêm da classe média alta – o vocalista Brian Molko e o guitarrista (sueco) Stefan Olsdal, que se conheceram num colégio norte-americano para granfinos em Luxemburgo.

   O encarte da coletânea enfatiza o visual Calvin Klein lânguido do grupo, responsável por um pop enérgico, melódico, caracterizado pela voz anasalada de Brian Molko. O figurino da Placebo traz a ambigüidade do rock purpurinado dos anos 70, tanto que a banda tem David Bowie como fada-madrinha (Bowie faz participação vocal em Without you I’m nothing). No entanto, o trio repudia o rótulo de glam rock e cita P.J Harvey, Nick Cave e Metallica como inspiração.

   Once More with Feelings contém tudo o que o curioso, ou o admirador, precisa escutar do Placebo (placebo em latim, grosso modo, significa “eu lhe farei bem”. Em medicina é um simulacro de remédio). No disco está, por exemplo, o primeiro sucesso do grupo Nancy boy (bichinha), cujo título e temática levou a banda às paradas e páginas dos mordazes tablóides ingleses (o vocalista Brian e o guitarrista Stefan são, respectiva e assumidamente, bi e homossexuais), acrescente-se a isso a atenção que atraiu o visual de Brian, de unhas feitas, rosto maquiado e cabeleira longa. Difícil saber se era ele ou ela, tanto que a primeira matéria de capa da banda no jornal New Musical Express, estampava uma foto do vocalista com a manchete: “It’s a Boy!” (É um menino!).

   Vigorosos singles ao longo da equilibrada carreira (iniciada há dez anos) levaram a Placebo a ir além dos 15 minutos de fama. Embora derivativa, sua música inegavelmente tem qualidades, e mais do New Order do que do próprio Bowie (a influência do grupo de Manchester é escancarada em You don’t care about us). Algumas das 19 faixas da compilação não escaparam da ação do tempo, sobretudo as mais antigas (afinal dez anos não são dez dias). Das novidades, a francesa Protége moi, tem uma melodia repetitiva, como uma mantra pop. I do e Tewnty Years (feita especialmente para esta coletânea), são menos glitter, revestem a Placebo de sonoridades diferentes. O grupo recebe mais elogios pelas performances de palco do que pelos discos. Um caso a conferir na sexta-feira, primeira noite do Abril Pro Rock 2005, quando a banda disputa a platéia com o pop melancólico da Los Hermanos.

JC Online)


Confira a programação do Abril Pro Rock 2005

Dia 15 de abril - Pavilhão do Centro de Convenções de Pernambuco
(sexta, a partir das 21h)

- Placebo (Inglaterra)
- Los Hermanos (RJ)
- Bandas do concurso Claro que é Rock (as inscrições vão até o dia 1º de abril. Mais detalhes no site da Claro)

Dia 16 de abril
(sábado, a partir das 17h)

- Sepultura (MG)
- Shaaman (SP)
- Dead Fish (ES)
- Massacration (SP)
- Retrofoguetes (BA)
- MQN (GO)
- Matanza (RJ)
- Chaosphere (PE)
- Silente Moon (PE)

Dia 17 de abril
(domingo, a partir das 17h)

- Orquestra Manguefônica (PE)
- DJ Dolores: Aparelhagem (PE)
- Mombojó x Arto Lindsay (PE)
- Gram (SP)
- The Legendary Tiger Man (Portugal)
- Leela (RJ)
- Superoutro (PE)
- Volver (PE)
- Daniel Belleza e os Corações em Fúria (PS)

JC Online)


MÚSICA

Escalação tem 25 bandas

Abril pro Rock e festival unem forças no Recife

DANIEL BUARQUE
DA REDAÇÃO

   Acordo entre o Abril pro Rock e a empresa de telefonia móvel Claro faz a banda inglesa Placebo fechar o primeiro dia do tradicional festival do Recife, e permite que a companhia se aproprie da seleção das bandas que vão tocar nessa noite, tornando-a o festival dentro do festival.

   Depois de Placebo, o APR volta a sua tradicional característica de colocar importantes nomes do rock nacional junto a bandas menos conhecidas. Na escalação divulgada oficialmente ontem, poucas surpresas e algumas presenças constantes.

   Em sua 13ª edição, o Abril pro Rock vai apresentar um total de 25 bandas de seis Estados do Brasil, Inglaterra e Portugal se alternando em dois palcos do Centro de Convenções de Pernambuco (entre Recife e Olinda) nos dias 15, 16 e 17 de abril.

   Além do show principal, a sexta-feira, primeiro dia de shows, terá Los Hermanos -escolhida pela produção do APR- e outras cinco bandas a serem escaladas como parte da seletiva da Claro que vai acontecer em oito cidades brasileiras. No sábado, dia dos "headbangers", voltam bandas já acostumadas com o festival: Sepultura e Shaaman (com dois "a" mesmo, a banda de André Matos adaptou o nome por questões de direitos autorais). O dia tem também o escracho da Massacration (grupo de metal do programa "Hermes e Renato", da MTV), o punk de Dead Fish (ES), e também Retrofoguetes (BA), MQN (GO), Matanza (RJ) e as recifenses Chaosphere e Silent Moon.

   A Orquestra Manguefônica, grupo que une as bandas Nação Zumbi e Mundo Livre S/A, encerra o festival no domingo, que apresenta ainda DJ Dolores -Aparelhagem, Mombojó com Arto Lindsay, Superoutro e Volver (todas de PE), além de Gram (SP), The Legendary Tiger Man (Portugal), Leela (RJ) e Daniel Belleza e os Corações em Fúria (SP).

Folha de S. Paulo)


Placebo e Sepultura lideram o Abril Pro Rock

Bernardo Araujo

   Pernambucanos, brasileiros e internacionais. São assim os artistas escalados para o festival Abril Pro Rock em sua 13 edição, que acontece de 15 a 17 de abril no Pavilhão do Centro de Convenções de Pernambuco. Do trio Placebo ao DJ Dolores, brasileiro com cartaz no exterior, passando por Sepultura, Los Hermanos e Matanza, o festival mantém a tradição de variedade.

   A sexta-feira que inaugura o APR terá um formato diferente em 2005: o dia será dedicado à eliminatória do festival Claro Que É Rock, com cinco bandas locais, escolhidas pela produção, mais Los Hermanos e o Placebo, que começa na capital pernambucana. O trio formado pelo americano Brian Molko, pelo inglês Steve Hewitt e pelo sueco Stefan Olsdal fecha a noite com seu rock moderno e pesado.

   O sábado é o dia do heavy metal e suas ramificações. A atração principal, mais uma vez, é o Sepultura, velho freqüentador do festival. Antes do quarteto, tocam o Shaaman, representando o metal melódico, o grupo heavy-comédia Massacration, o hardcore capixaba Dead Fish e o furioso quarteto carioca Matanza. A noite tem ainda os goianos MQN, os baianos Retrofoguetes e os pernambucanos Chaosphere e Silent Moon.

   No domingo, dois dos principais grupos de Recife, a Nação Zumbi e o mundo livre s/a, unem-se para formar a Orquestra Manguefônica. O DJ Dolores, o Mombojó — reforçado por Arto Lindsay — o carioca Leela e o paulista Gram também estão escalados, assim como os portugueses The Legendary Tiger Man.

O Globo)

Com relação a este tema, saiba mais (arquivo NordesteWeb)


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