Agremiação faz festa para comemorar o aniversário
de 141 anos e lançar disco com algumas das canções que marcam sua história
Tradição: essa palavra encontra força máxima na herança do Maracatu Leão
Coroado, agremiação que, no auge de seus 141 anos, mantém viva os rituais
dos negros que chegaram escravos a Pernambuco e, aqui, eternizaram os
ritos de suas origens por meio de um folguedo. Para comemorar suas
primeiras 14 décadas, o grupo lança seu primeiro CD (independente),
Maracatu Leão Coroado: 140 Anos.
Fundado em 8 de dezembro de 1863, tido como patrimônio cultural vivo e
símbolo da resistência negra em Pernambuco e conhecido nacional e
internacionalmente, o Leão Coroado deu início às comemorações de seus 140
anos em novembro de 2003. O álbum que lança hoje é parte do projeto de
celebração do aniversário e tem como objetivo preservar a sonoridade do
maracatu com suas nuances características. Projeto que tem patrocínio da
Chesf, por meio do Fundo de Cultura de Pernambuco (Funcultura) e apoio da
Prefeitura de Olinda.
O disco do Leão Coroado é um perfeito manual de introdução ao maracatu
para os não-iniciados. Além das 15 toadas interpretadas pelo atual mestre
da agremiação, Afonso Aguiar Filho, discípulo do famoso Luiz de França dos
Santos (falecido em maio de 1997), sintetiza bem no encarte a história
desse tipo de folguedo, a partir de um texto didático assinado pelo
pesquisador e professor de folk-comunicação Roberto Benjamin. As
informações são bem-complementadas com o perfil do mestres citados.
O conteúdo fonográfico foi registrado, ao vivo, em duas sessões, nos
dias 1º de julho e 13 de novembro do ano passado. As gravações aconteceram
na rua, em frente à casa de Mestre Afonso, local onde são realizados os
ensaios do grupo. A idéia, segundo os produtores, foi a de manter a
fidelidade do canto e da orquestração percussiva de baque-virado, como é
denominada. O processo adentrou o estúdio apenas na fase de finalização –
edição e masterização –, realizada em dois estúdios de São Paulo que
apóiam a realização da obra, o Avant Garde e o Junk!, respectivamente.
Quem quiser conferir de perto o Leão
Coroado, pode freqüentar os ensaios do maracatu, que ocorrem todos os
sábados no mesmo lugar onde foram gravadas as músicas do CD (Rua José Dias
de Moraes, 106, Águas Compridas, Olinda. Fone: 3451.3191), sempre a partir
das 19h30.
Visite o site
do Maracatu Leão Coroado
(© JC Online)
Tesouro de Pereira da Costa é lançado
Publicado em 10.03.2005
O livro Folklore Pernambucano vem acrescido de CD-ROM, que traz outras
obras fundamentais do autor
por JOSÉ TELES
Depois de trinta anos fora de catálogo, será relançado
o
livro Folklore Pernambucano de Francisco Augusto Pereira da Costa.
A última publicação deste extenso estudo havia sido feita por Mauro Mota,
em 1974, e sua primeira prensagem ocorreu em 1909. O relançamento ocorrerá
no Museu do Homem do Nordeste (Av. 17 de agosto, 2.187, Casa Forte), das
17h às 20h, e tem entrada franca.
Com introdução do folclorista Câmara Cascudo, o livro é organizado e
revisado pelo jornalista Mário Hélio. Ele vem acrescido de CD-ROM, com
outras obras fundamentais de Pereira da Costa: Anais Pernambucanos
Vocabulário Pernambucanoe Pernambucanos Célebres A nova
edição de Folklore Pernambucano com 750 páginas, mais o CD-ROM,
custa R$ 70,00. A Fundaj apóia o lançamento a partir do convênio
estabelecido com a Cepe para editoração e digitalização de livros já
publicados pela Editora Massangana, dirigida por Mário Hélio.
O historiador pernambucano Francisco Augusto Pereira da Costa
comparou-se certa vez a “um rude mineiro que desce às profundezas da
terra, extrai o diamante informe, cheio de impurezas e o entrega ao perito
e paciente lapidário para lhe dar brilho e valor”. Autodidata, ele dedicou
meio século de vida às pesquisas.
No prefácio do primeiro volume da segunda edição dos Anais
Pernambucanoso professor José Antônio Gonsalves de Mello ressaltou:
“Ele leu e remexeu quase tudo: manuscritos, coleções de documentos e de
jornais, as crônicas antigas. Deve-se considerar ainda que as pesquisas
documentais que ele realizou sozinho, em perto de cinqüenta anos de
trabalho ininterrompido ninguém conseguiu refazer em seu conjunto “. Mário
Hélio acrescenta ao comentário de Gonsalves de Mello que não fosse por
Pereira da Costa muito da história pernambucana, e por conseguinte
brasileira, estaria perdida: “É bom lembrar que inúmeras fontes
pesquisadas por ele, jornais, documentos, não existem mais“.
A maior parte da vida de Pereira da Costa foi dedicada a uma obra que
ele chamaria de Dicionário Histórico, Geográfico e Estatístico da
Província de Pernambuco cujos originais foram adquiridos pelo governo
de Pernambuco em 1922, pelo valor de 15 mil contos de réis, pagos ao
autor, que morreria, em novembro de 1923 sem ver sua obra maior publicada.
Rebatizada de Anais Pernambucanos a obra esperaria mais 14 anos
para vir à luz. No governo de Agamenon Magalhães, foram publicados os
quatro primeiros volumes, abrangendo um período que vai de 1493 a 1700 (um
total de 2.363 páginas, das 5.566 que totalizam a obra), aproveitando como
gancho o centenário de F. A Pereira da Costa. Os volumes 5 e 6 foram
publicados no governo Etelvino Lins, o sétimo, em 1958, quando Cordeiro de
Farias era governador do Estado. O oitavo, m 1962, na gestão Cid Sampaio,
Os dois últimos volumes dos Anais Pernambucanosseriam impressos no
governo Paulo Guerra, em 1965, 42 anos depois da morte do autor.
A segunda edição dos Anais Pernambucanos oi publicada, em 1983,
no governo Roberto Magalhães, organizada pelo então presidente da
Fundarpe, Leonardo Dantas Silva. Nos últimos 15 anos ela estava fora de
catálogo e só era possível encontrá-la nos sebos, a preços proibitivos.
(© JC Online)