Manuel Dantas Suassuna, diretor de arte de Koster, afirma que
pesquisou o visual do filme nas obras que Debret fez como pintor da
família real portuguesa
A criação do figurino do curta-metragem Koster, que começou a ser
rodado esta semana no Engenho Poço Comprido, no município de Vicência,
remete à simplicidade do século 19. Só com o tempo, de acordo com o
diretor de arte Dantas Suassuna, as vestes dos participantes das
manifestações populares ganharam a riqueza que têm hoje, principalmente no
maracatu e na cavalhada.
“Como o olhar do livro é o de um estrangeiro, eu, como pintor, me
baseei num artista semelhante – Debret. Quase toda a direção de arte é
inspirada em Debret, tanto na cenografia quanto no figurino”, explica o
diretor de arte, enfatizando que se trata apenas de uma inspiração e não
de reproduções exatas dos elementos da obra do artista plástico francês
Jean-Baptiste Debret (1768-1848), principal pintor da família real
portuguesa no Brasil, no século 19, e autor da série de gravuras em três
volumes Voyage Pitoresque et Historique au Brésil ou Séjour d’un
Artiste Français au Brésil (Viagem pitoresca e histórica ao Brasil ou
Estadia de um Artista Francês no Brasil). Dantas Suassuna explica ainda
que outra inspiração foram os desenhos que ilustram os livros do próprio
Henry Koster.
Mesmo centrando o foco na ficção, as diretoras incluíram no projeto a
realização de seqüências documentais com depoimentos do escritor Ariano
Suassuna, do mestre Afonso de Aguiar Filho (Maracatu Leão Coroado) e de
algum índio fulniô do grupo Fetxá (a ser definido).
OLHAR FEMININO – Uma peculiaridade na produção de Koster
é a predominância feminina na equipe técnica principal. Além das cineastas
Carla Francine e Germana Pereira – que, apesar de estreantes na direção,
são parceiras antigas na produções de outros trabalhos de audiovisual,
como o curta Brennand de Ovo Ominia, de Liz Donovan –, há Jane
Malaquias, que assina a direção de fotografia, Isabella Cribari,
responsável pela produção executiva, Stella Zimmerman, que faz a direção
de produção, e Bárbara Cunha, que cuida do figurino.
Patrocinado pela EMTU (via Sistema de Incentivo à Cultura da Cidade do
Recife) e Chesf (direto), o filme também teve seu projeto aprovado no
Ministério da Cultura. Os produtores tentam agora captar recursos, por
meio da Lei Rouanet, para garantir a finalização do curta. (M.T.)
(©
JC Online)
Elenco mistura
famosos com figurantes anônimos
Para viver os personagens do filme Koster, foram selecionados
atores e figurantes de perfis bem distintos, de artistas conhecidos da TV
– como os atores Leonardo Miggiorin, o Shao Lin da novela Senhora do
Destino, e Sérgio Menezes, o fotógrafo Bruno de Celebridade –
até anônimos que compõem os cerca de cem figurantes, alguns experientes em
produções do gênero, como o carreiro Biu Miguel.
A escolha de Leonardo e Sérgio foram indicações do roteirista Hilton
Lacerda. Segundo as diretoras Carla Francine e Germana Pereira, o tipo
físico de cada um e a disponibilidade também pesaram na decisão. Leonardo,
branco e franzino, adequa-se ao perfil do protagonista Henry Koster,
Sérgio, negro e forte, vive o mucamo do escritor.
“Hilton já estava escrevendo pensando em mim”, revelou Leonardo, em um
dos intervalos no primeiro dia das filmagens, quarta-feira passada. “E
calhou com o fim da novela”. O ator também conta que teve quatro dias para
compor o personagem e passou a ler os livros do verdadeiro Koster, como
complemento de informações. “É um projeto para (render) um longa também.
Se me chamarem para trabalhar, estou aí”, dispõe-se.
No Engenho Poço Comprido, Leonardo contracena com pessoas simples, como
Biu Miguel, 49 anos, tratador de animais da região, que vive um guia de
carro-de-boi. O carreiro, que já participou de uma novela, concorda com o
ator global: “Isso é coisa da história, do meu avô e bisavô. Se pudesse
ser repetida, seria melhor”. Biu pensa até em comprar um carro-de-boi para
usar em futuras produções. (M.T.)
(©
JC Online)