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Seminário em Salvador terá presença de cineastas
como Costa-Gavras e de teóricos como Michel Marie e filme "Di"
PEDRO BUTCHER
CRÍTICO DA FOLHA
Quais as relações possíveis entre cinema e política nesses tempos em que os
filmes estão radicalmente associados ao "puro entretenimento"? Qual o futuro
das políticas públicas do audiovisual? Essas serão algumas das questões
centrais do Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual que começa hoje
na Universidade Federal da Bahia, em Salvador, e segue até quinta-feira.
O assunto poderia soar antiquado não fosse seu retorno recente nos
documentários de Michael Moore e em uma nova forma de politização da imagem,
distante das teorias conspiratórias e mais próxima do cotidiano. "Nossa
idéia é dar uma visão contemporânea do cinema político unindo passado e
presente, para entender o que está acontecendo hoje", explica o organizador
do evento, Walter Lima. Por isso, os temas dos debates abrangem desde as
relações entre cinema novo e nouvelle vague até o futuro do audiovisual com
a força da televisão e da globalização.
Organizado pela Universidade Federal da Bahia e pela VPC Cinema e Vídeo, o
seminário terá como estrela o cineasta grego (hoje radicado na França)
Constantin Costa-Gavras, considerado um mestre do cinema político. Na
quinta, uma exibição especial de seu mais recente filme, "Le Couperet",
recém-lançado na França, encerra o evento no teatro Castro Alves. Nos outros
dias, serão exibidos o curta-metragem "Di", de Glauber Rocha (em sessão para
convidados, na noite de abertura), "Soy Cuba", de Mikail Kalatozov, e "A
Idade da Terra", também de Glauber.
Estão confirmadas as presenças de Orlando Senna, secretário do Audiovisual;
Gustavo Dahl, diretor-presidente da Agência Nacional de Cinema; Michel
Marie, professor de estética e cinema da Sorbonne; Jorge Sanchez, produtor
de cinema e cônsul do México no Brasil; Victor Basuk, representante do
Instituto Nacional de Cinema e Artes Audiovisuais da Argentina, entre
outros.
Costa-Gavras fala ao público amanhã à tarde sobre sua experiência como autor
de filmes de ficção de teor político.
As vagas estão esgotadas, mas os interessados podem acompanhar os debates
pelo site
oficial.
Site Oficial
do Seminário
(©
Folha de S. Paulo)
Gavras é estrela de seminário
O diretor grego Costa Gavras é a principal atração estrangeira do
Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual, que acontece entre hoje e
quinta-feira na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Uma dos nomes
fundamentais do cinema político dos anos 70, o autor de Estado de sítio
e Desaparecido - Um grande mistério participará da mesa redonda
O cinema como instrumento de ação política, marcada para amanhã, e
exibirá o seu novo trabalho, o longa -metragem Le couperet, inédito
no Brasil.
Após a cerimônia de abertura do evento, hoje à noite,
será exibido o curta-metragem Di Cavalcanti Di Glauber (1977), do
brasileiro Glauber Rocha, com imagens do velório do pintor modernista, e
proibido de ser exibido publicamente no Brasil desde 1979 pela família do
artista. O seminário tem como objetivo principal discutir questões
mercadológicas, de conteúdo e estético/ideológicas relacionadas ao cenário
do audiovisual nacional. O encontro é organizado pela UFBA em parceria com
a Fundação de Apoio à Pesquisa e Extensão (Fapex) e a VPC Cinemavídeo.
Além da contribuição de Gavras, o seminário contará com
a participação de outros nomes estrangeiros, como o alemão Peter Ludes,
professor de comunicação da Universidade de Bremen e o mexicano Jorge
Sánchez Sosa, produtor e descobridor de autores como Arturo Ripstein, Paul
Leduc e Tomás Gutiérrez Alea, e os teóricos de cinema Michel Marie e
Robert Stam. O secretário do Audiovisual Orlando Senna, o
diretor-presidente da Ancine Gustavo Dahl e o crítico de cinema Nelson
Hoineff estão entre os palestrantes brasileiros do encontro.
(©
JB Online) |