A Continente Multicultural ultrapassou este mês os seus 50 números,
carregando o mérito de ser a revista de maior longevidade da história de
Pernambuco. “A Continente é uma experiência única nossa: nenhum
outro Estado tem uma revista de cultura como nós temos”, afirmou Marcelo
Maciel, presidente da Cepe (Companhia Editora de Pernambuco), por onde a
publicação é lançada.
A revista alcança o recorde de longevidade ao mesmo tempo em que
consolida dois produtos gerados pela sua “grife” - A Continente
Documento e a Continente Turismo (que foi lançada em Portugal).
Atualmente, a “matriz” tem a circulação de oito mil exemplares por mês.
Desse número, 5 mil é formado por assinantes - 3 mil deles avulsos, e o
resto formado por professores da rede estadual de ensino. Apesar de ser
lançada por uma editora do Estado, a revista fez questão de nunca soar
chapa branca ou “oficial”.
“Só no próximo número, que é o 52º, é que pela primeira vez aparece nas
páginas da Continente uma foto de Jarbas Vasconcelos, e ele nem vai
aparecer como governador. O nome dele será lembrado pela mostra da sua
coleção de arte popular, que irá entrar em cartaz em abril no Instituto
Bandepe”, revelou Homero Fonseca, um dos editores da revista.
De acordo com Maciel, a Continente trabalha com uma estrutura
franciscana - e “isso não é frase de efeito”, completou. A redação da
revista é formada por dois editores (Homero Fonseca e Marco Polo), dois
assistentes e por quatro profissionais da área de arte. Não há repórteres
contratados, apenas colaboradores. “Os próprios editores é que são os
repórteres, quando necessário”, explicou Maciel.
Apesar de ser publicada pela Cepe, a revista, de acordo com Maciel, não
vê um só centavo dos cofres públicos para pagar os seus custos - “A
revista não tem prejuízo. Não usamos dinheiro público para cobrir os seus
gastos, a Continente é uma empresa competitiva. Uma pena que o
mercado publicitário não invista tanto na revista quanto poderia.”
Maciel explicou que uma publicação sobrevive não do quanto vende em
bancas ou do seu número de assinantes, e sim do investimento publicitário
- “A Veja tem um milhão de assinantes, mas se ela perder as suas
propagandas, vai começar a dar prejuízo. A Continente circula com
oito mil números. Se eu colocasse 50 mil exeplares na rua, teria prejuízo,
se não tivesse anunciantes.”
Mais do que ser a revista pernambucana de maior longevidade, a
Continente serve como veículo para escoar a produção cultural do
Estado, “sem no entanto ser bairrista. Não deixamos de ser pernambucanos
em nenhum momento, mas somos também universal”, reitera Fonseca. A revista
atualmente é vendida em todo Nordeste e tem pontos de venda nas regiões
Sul e Sudeste. “Não digo que estouramos em vendagem, mas se você for para
São Paulo, Minas Gerais ou Rio, vai encontrar a Continente”,
explica Maciel.
Na hora de comparar a Continente com a sua (única) concorrente
no mercado de revistas de cultura, a Bravo, Fonseca é bem sucinto -
“A Bravo é uma revista essencialmente paulista.”