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Cleberton dos Santos usa versos curtos para falar do que é essencial O poeta, ensaísta, crítico literário e mestre em literatura brasileira Cleberton dos Santos, sergipano radicado na Bahia, divide seu segundo livro de poesia, intitulado Lucidez silenciosa (EPP Publicações e Publicidade) em quatro partes, que ele denominou: Bestiário inútil, Mitos e formas, Lucidez silenciosa e Canto quase memória. O volume, além de oferecer belas ilustrações de Fernando Oberlaender, está enriquecido com o prefácio de José Inácio Vieira de Melo e orelha de Helena Parente Cunha. Os dois textos iluminam o caminho escolhido por Cleberton. Lucidez silenciosa reúne um total de 40 poemas, quase todos curtos, em que predomina a contenção do autor, que parece perseguir o objetivo de oferecer o essencial em cada uma das composições, fugindo a formulações gritantes ou caudalosas. Helena Parente Cunha ressalta ''o tom nostálgico de muitos poemas''. José Inácio Vieira de Melo lembra-nos que Cleberton ''sabe os rumos que deseja trilhar'' e cita, a propósito, o poeta francês Charles Baudelaire: ''ir ao fundo do desconhecido para encontrar o novo''. Cleberton dos Santos sabe que não há como suspender a marcha dos dias: ''Contemplar o amanhã sem detê-lo/ em sua voracidade de amanhecer''. O novo atropela o velho e conduz à Intransitividade do olhar: ''Em direção à praia submersa/ meu olhar é de distância, concretude de ausências''. Ecos simbolistas perpassam os versos de Cleberton, atentos à beleza das aliterações e das sinestesias que remetem ao poeta Sosígenes Costa e também à poesia de Alphonsus Guimaraens e Cruz e Sousa: ''Estilhaços de azul emolduram o poente./ (...) / Vestidos vermelhos amarelados, em tons furtivos de saudades,/ bailam com seus fantasmas na brisa/ (volúpia sonora do orgasmo marítimo)''. O mar é uma constante nesta poesia toda construída com os elementos da natureza: ''No mar naufragam todos os meus dias''. Mas que o leitor não pense estar diante de um pessimista, ao defrontar-se com a beleza desse decassílabo, uma vez que o final do penúltimo poema esclarece a arte poética e a profissão de fé do autor de Lucidez silenciosa, quando ele declara, com a ênfase singela de um tecelão da poesia: ''Faço versos com retalhos de vida/ fios de cabelo que apascento nos dedos''. Ao leitor, a fruição da urdidura e da trama desse tecido. (Reynaldo Valinho Alvarez) |
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