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Prêmio Bizz: Pitty

10/06/2008

Pitty, Artista do Ano por voto popular

por Clarah Averbuck
 
Foi assim: fazia um calor insuportável e a Pitty, moça saída de Salvador e outrora apelidada de Madá pelas amigas por causa de seus cabelos excessivamente longos, tinha sido escolhida a artista do ano pelos leitores desta revista. Estamos no Brasil, em 2006. Ano em que Pitty excursionou país adentro e ganhou, no VMB, os prêmios de melhor clipe de rock, melhor site, vocalista da banda dos sonhos (assim como em 2005) e, sua especialidade, a escolha da audiência. Tocou no Planeta Atlântida, em Florianópolis, para cerca de 40 mil pessoas. Esteve em todas as paradas de todas as rádios de todas as cidades deste país, enquanto, conseqüentemente, os adolescentes cantavam os versos de suas músicas. Ou estaria ela presente em todas as paradas porque os adolescentes cantavam os versos de suas músicas? Eu não sei.

Seu primeiro disco, Admirável Chip Novo, lançado em 2003, vendeu 250 mil cópias e começou a chamar a atenção com "Máscara", aquela do "O importante é ser você, mesmo que seja bizarrô", que grudou na cabeça de todo mundo pelo menos uma vez na vida. Pitty confessa que faria tudo diferente. Mas o disco é parte de sua história e bola pra frente. Pra frente mesmo, já que em 2004, antes de ser esse fenômeno todo, venceu artistas como O Rappa e Sepultura na sua segunda vez no páreo desses prêmios de música brasileira com o clipe de "Equalize". Graças à voz do povo - Pitty sempre ganhou por escolha da audiência. Quem escolheu nossa capa foi você, leitor. Pitty foi escolhida pelos leitores da BIZZ artista do ano e "Memórias", do álbum Anacrônico (2005), a música do ano.

Estamos em uma padaria, depois de passar a tarde na exaustiva sessão de fotos. Pedimos sanduíches no balcão. As crianças querem autógrafos. As balconistas também. Pitty é uma espécie de Ivete Sangalo da Galeria do Rock, cativando a todos, mas sem ser amiga da Xuxa nem fazendo aparições públicas vergonhosas, obrigada. Existia uma grande lacuna de uma mulher que não fosse delicadinha-inha nem uma dessas que forçam o ser sexy até cansar.

Existia uma lacuna de uma mulher que tivesse atitude, que botasse o pau na mesa. Uma mulher que dissesse alguma coisa, qualquer coisa, que demonstrasse vida inteligente.

Pitty não é estrela. Nem quer ser. Pitty não é a voz da nova geração. Nem quer ser. "Você acha que mudou desde que saiu do underground?"

"Algumas coisas sim e outras não. Acho que mudaria de qualquer forma. Estou sempre mudando. Estou sempre diferente, sou muito inquieta. Mas às vezes olho pra mim e continuo sendo a mesma menina que curte fazer coisas simples, ir para a balada tomar cerveja com meus amigos sossegada, ir ao cinema, cuidar dos meus gatos, da minha casa. Isso são coisas que não mudam."

Gritam nossos nomes no balcão. Nossos sanduíches estão prontos. Eu penso que, se estivéssemos em outra época, estaríamos tomando uns drinques, não comendo sanduíches de mortadela e pastrame. Sanduíches não são coisas exatamente roqueiras. Decido fazer a entrevista com a boca cheia. Ninguém vai notar. Pitty mora perto da rua Augusta. Seus amigos também. Ela anda pela rua e conversa com as meretrizes. Ela gosta das baladas alternativas, onde tocam bandas alternativas e rock alternativo. A Augusta é o novo reduto dela. Bem no meio da putaria. "Você teve crise de consciência por causa do sucesso?"

"Tive muita sorte, eu podia ter me dado muito mal. Me arrisquei com várias posturas que tomei, do tipo o cara me chamar pra fazer playback na maior emissora do Brasil e eu dizer não. Algumas vezes, claro, fiz coisas que não achava tão incríveis, mas visando a algo que era incrível. Tudo tem seu preço e, pra mim, bastava ver se aquilo não era uma ofensa grave a mim mesma, se não estava indo de encontro às coisas em que acreditava."

(© Bizz)

VÍDEO:

Veja Pitty interpretando Anacrônico

 


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