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Mula Manca com nova identidade lança 2º CD

10/06/2008

O grupo Mula Manca lança CD Amor & pastel
 

Marcos Toledo

Se você viu algum dos anúncios "lambe-lambe" espalhados pelo Recife anunciando o show de uma tal Mula Manca & A Fabulosa Figura, não tenha dúvida: trata-se da mesma banda, que mudou apenas o Triste pelo Fabulosa. E, junto com o adjetivo, transformou toda a sonoridade, que pode ser conferida agora no CD Amor & pastel – o segundo do grupo – cujo lançamento também ocorreu nesta quinta-feira.

Quem só lembra da Mula Manca, digamos, da fase anterior, certamente irá se surpreender com este trabalho. Um disco de música pop – que os integrantes da banda chamam de MPB – bem curtido com sonoridades livres, sem amarras de discurso ou estilo, porém, coerente.

Não é de se surpreender, contudo, as mudanças e evolução do grupo. Quando formado em 2002, Tibério Azul (voz e violão), Castor Luiz (piano e voz), Dom Ângelo (guitarra, violão e voz) e Bruno Cupim (bateria e percussão) tinham entre 19 e 22 anos de idade. Eles mesmos reconhecem que, desde então inseridos na cena musical da cidade, trocando idéias com músicos mais experientes – como Fábio Trummer (Eddie), que produziu o primeiro álbum –, obtiveram ganja suficiente para remodelar o som para o formato atual, mais próximo do que realmente desejavam. "Muita pouca coisa do primeiro CD foi de autonomia nossa. Neste, já podemos colocar mais coisas daquilo que imaginávamos", conta Luiz.

Nesse ínterim, entre o primeiro e o segundo disco, houve ainda a formação de um projeto paralelo, o Seu Chico, no qual os membros da Mula Manca interpretam apenas canções de Chico Buarque. Um outro experimento que, no momento, é dúvida entre os artistas se vai haver continuidade. Enquanto Luiz acha "repetitivo", Ângelo, por exemplo, considera "um privilégio estar tocando um artista como Chico Buarque". A maioria acredita que dá para continuar o projeto que, até o momento, ajudou na sobrevivência do quarteto, que hoje em dia se dedica exclusivamente à música.

NOME – A diferença no nome da Mula Manca é apenas uma das mudanças no rumo do quarteto, no qual a unanimidade está mesmo longe de ser uma das características. "Eu queria mudar mais. Por mim, era um nome diferente a cada vez (disco)", afirma Luiz, que alega ainda motivos de fé na alteração. Tibério explica ainda que o nome estava diretamente ligado a referências que estão ficando cada vez mais no passado, como Don Quixote de la Mancha, por exemplo. "A banda hoje tem outra identidade", conta.

E essa nova identidade é muito mais importante do que qualquer mudança de nome. O grupo poderia até adotar algum símbolo esquisito, como o cantor Prince, contudo, o que chama mesmo a atenção é a sonoridade encontrada. Música que os integrantes chamam de MPB por ser este o ritmo que todos têm afinidade em comum. "Mas acho o som da gente universal", classifica Luiz, desconsiderando qualquer rótulo regional.

A princípio, parece que a opção da Mula Manca foi pelo óbvio, aquele sambinha que virou marca registrada em qualquer trabalho que visa demonstrar modernidade. Logo, entretanto, ao mapear as 15 faixas do disco, você encontra referências que passam ainda pela MPB clássica, como os próprios integrantes denominam, além de jovem guarda (notadamente em Dinheiro), música de baile (a ótima Fórmula 1, hit pronto para as FM, se elas ainda existissem), até o pop-rock pernambucano dos anos 70, de Quadrafônico – primeiro álbum de Alceu Valença e Geraldo Azevedo, de 1972 – e Ave Sangria (vide Animal). De acordo com o quarteto, tudo surgido espontaneamente.

Vozes e instrumental também casam em harmonia. Dos timbres de instrumentos harmônicos, como violão e guitarra, aos rítmicos, como a percussão. A fórmula? "Privilegiar a canção, fazer o que a canção pede", ensina Tibério.

Os demais elementos entram como participações especiais – todos os contrabaixos foram interpretados por Júnior Areia (Mundo Livre S.A.) e os sopros por Gérson da Gaita. Há ainda a participação da cantora paraibana radicada no Rio de Janeiro Eleonora Falcone (que já foi atração do Rec-Beat de Carnaval), do guitarrista Diogo Andrade (Parafusa), dos percussionistas Urêa (Eddie), Lucas (Parafusa) e Tom Rocha, do sanfoneiro Rico, do bandolinista Publius Lentulus (Azabumba), e dos pianistas Juliano (Parafusa) e Fernando (Suvaca di Prata).

Gravado no estúdio Mr. Mouse, Amor & pastel teve produção da dupla Leo D. & William P. "Foi exatamente o que a gente quis", fala Luiz. "O que a gente não domina, eles puderam trabalhar com a gente. A parte de composição, harmônica, a gente já estava muito seguro do que queria." Com patrocínio da Chesf, a banda se deu ao direito de uma semana de pré-produção para que o resultado saísse exatamente como queria. E saiu bem.

SERVIÇO:
Lançamento do CD Amor & pastel, da banda Mula Manca & a Fabulosa Figura
Quinta (18), às 21h, no Teatro da UFPE
Avenida dos Reitores, Cidade Universitária
Ingresso: R$ 10, CD: R$ 10

(© JC Online)


Alcymar dá contribuição para a renovação do frevo

Mais conhecido como forrozeiro, cantor lança o quarto álbum dedicado ao frevo em um semestre

MARCOS TOLEDO

Quando Alcymar Monteiro começou a carreira gravando um compacto duplo pela gravadora Rozenblit, o frevo tinha apenas 65 anos de idade. Um bebê, na temporalidade da música. A exemplo do forró, carro-chefe de sua carreira, o cantor e compositor, viu o ritmo pernambucano amargar época de desprestígio, sobretudo nos anos 80, apogeu da axé music. Porém, foi naquele período, especificamente em 1985, que o artista gravou seus primeiros frevos. Agora, no centenário, não poderia ser diferente. Na próxima semana chega às lojas seu Frevação vol. 3 (Ingazeira Discos, R$ 10).

O álbum reúne 14 faixas, dez do próprio Alcymar (uma delas, Ó tem som de ú, em parceria com o caruaruense Gilvan Neves, outro autor de forró e frevo). Completam o trabalho músicas de João Bosco & Aldir Blanc (Plataforma, para o intérprete, um “fressamba”), Capiba (Madeira que cupim não rói), Nelson Ferreira & Aldemar Paiva (Frevo da saudade), Antônio Maria (Frevo nº 3 de Recife) e Getúlio Cavalcanti (Atrás do farol). A proposta, segundo o cantor, é “resgatar as músicas que estão no inconsciente e transformá-las”, porém, sem perder a essência.

Nesse momento em que se tenta aproveitar a ocasião do centenário para reoxigenar e dar nova vida ao frevo, Alcymar afirma que sua contribuição para a chamada “modernidade” do ritmo está nos arranjos. Ele menciona que no frevo tradicional a voz disputa acirradamente o espaço sonoro com outros instrumentos, sobretudo metais. O compositor resolveu, então, arranjar seus frevos tais quais outros ritmos nos quais, quando entra a voz, os demais instrumentos reduzem o volume.

“Não é todo o dia que um gênero completa cem anos. Tenho certeza que as novas e futuras gerações gerações compreenderão a necessidade de renovação. Se a gente não mexer com o frevo, ele não se mexe. Talvez o frevo tenha pecado por excesso de zelo, por ficar numa redoma de vidro vendo o tempo passar e não se renovar”, diz o artista, que tem ainda em sua discografia de 42 discos outros três dedicados a esse ritmo. “Agora, jamais vou poder deixar de gravar um disco de frevo por ano”, promete.

Frevação vol. 3, que tem uma dinâmica semelhante aos trabalhos de forró do artista, ainda flerta com ritmos como caboclinho (em Guerreiros do Sol: Fulni-ô), maracatu (Quem canta seus males espanta) e ciranda (o pout-pourri Balancê do balanço/ Ciranda da vida, com participação de Lia de Itamaracá).

O álbum sai com tiragem inicial de dez mil cópias, pelo próprio selo de Alcymar (Ingazeira, nome de sua cidade natal, no Ceará), no mesmo estilo independente que o artista cultiva há mais de uma década. “Quando saí da Warner (1993) para gravar um CD independente, fui chamado de louco. Muitos que ficaram lá sumiram”, recorda. Uma das vantagens, sobretudo para seu público, é que de forma independente ele também garante um preço mais acessível para o CD.

Aos 47 anos de idade, o cantor afirma que tem pressa para tornar reais seus projetos. “Muita coisa boa que podia ter acontecido na cultura e não aconteceu porque as pessoas foram deixando para depois”, acredita. Só neste início de 2007, quando completa 35 anos de carreira, o artista lança ainda o DVD Cultura brasileira, que homenageia sua trajetória, o CD em espanhol Forró brasileño, e a coletânea Festrilhas vol. 1.

O lançamento oficial de Frevação vol. 3 ocorre próximo dia 9, em evento na Livraria Cultura (Paço Alfândega, Bairro do Recife).

(© JC Online)


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