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O paraibano Beto Brito é um dos
representantes do Rock-Cordel, em cartaz no CCBN
HENRIQUE NUNES
Repórter
Na última Feira da Música, o público cearense foi
apresentado ao talento versátil de Beto Brito, músico e
cordelista, que apresentou sua caixa de doze cordéis
autorais, acompanhando o álbum ´Imbolê´, produzido por
Robertinho de Recife,com participação especial de Zé
Ramalho e trechos da poesia onírica de Zé Limeira, entre
algumas das muitas modalidades da cantoria de viola, o
nosso repente, e até de outras sonoridades orgânicas
como coco, baião e toré, sem deixar de dar uma
modernizada com o rap e com esse tal de rock.
Na tarde e na noite de hoje, nova chance de encontrar a
poesia e a musicalidade deste incrementado vate
paraibano. Ao meio-dia e às 19h, o músico abre e
encerra, respectivamente, uma programação que, ao longo
de toda a tarde, de hora em hora, a partir das 13h30,
contará com atrações um tanto quanto mais heterodoxas:
Plastic Noir, K-waves, Altifalante, Jabá e a Fotossônica
e ainda Sede Vacante. Uma chance para conhecer muita
gente boa, certamente.
O caldeirão de Beto Brito fervilha, não se aquieta
nunca. Quer dizer, junta a raiz, a força revigoradora da
tradição, com as folhas fresquinhas das levadas e
concepções mais atuais. Assim, com este “herdeiro dos
ancestrais do cordel”, a nordestinidade desta linguagem
embrionária e tão natural do Rock-Cordel, ou seja lá que
denominação venha a ter, alcança relações cada vez mais
complexas e universais.
Das
feiras, as violas, rabecas e zabumbas transcendem, aqui
e acolá em “Imbolê”, as formas tradicionais do baião,
das emboladas e das cirandas, através dos compassos
coerentes de grooves eletrônicos, guitarras pesadas e
até mesmo de outras fontes orgânicas, de cítaras a
tambores de outras plagas.
O rock vem forte em “Pau Podre” e “Ciranda mei-de-feira”
e até no punch acústico de “Chá de coragem” . Mais
groovado, bem Nação Zumbi, em “Dureza”. E além do Mestre
Ambrósio e de Humberto Teixeira, em “A mulher e o
teatro´ e ´Isso é coco”.
É a música regional cada vez mais próxima da World
Music. E de volta à feira, noutra linguagem, a dos
próprios cordéis escritos por este dinâmico paraibano.
Historias nordestinas, igualmente tradicionais e
contemporâneas: das “Lendas do Folclore Popular” à “Nova
Peleja de Zé Ramalho com Zé do Caixão”. É “cordel e som
na caixa”, como está estampado na sua caixinha.
(©
Diário do Nordeste)
Na batida do “Imbolê”
HENRIQUE
NUNES
Como bom cordelista, Beto
Brito esbanja bom-humor e jeito de profeta. Os grooves
de Gabriel Martau e a guitarra pesada de Robertinho de
Recife se embolam no rock ´Papagaio imbolador´. Bem Zeca
Baleiro. A levada eletrônica converge com o rap e a
oralidade nordestina em ´Tá com medo, pra que veio?´ e
na homenagem à ´Zabé´ da Loca, na palma da mão e da
programação.
Prevalece o rock mais agateado pela rabeca de Beto e
pela guitarra e cítara de Robertinho. Até na acústica
´Chá de coragem´. Mais groovado, em ´Dureza´, e mais
orgânico, na ´Zé Limeiriando´, em dueto com Zé Ramalho.
(©
Diário do Nordeste)
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