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Embolada de rock, eletrônica e cordel

10/06/2008

Beto Brito: cordel, rock, coco e música eletrônica bem azeitados
 

O paraibano Beto Brito é um dos representantes do Rock-Cordel, em cartaz no CCBN

HENRIQUE NUNES
Repórter

Na última Feira da Música, o público cearense foi apresentado ao talento versátil de Beto Brito, músico e cordelista, que apresentou sua caixa de doze cordéis autorais, acompanhando o álbum ´Imbolê´, produzido por Robertinho de Recife,com participação especial de Zé Ramalho e trechos da poesia onírica de Zé Limeira, entre algumas das muitas modalidades da cantoria de viola, o nosso repente, e até de outras sonoridades orgânicas como coco, baião e toré, sem deixar de dar uma modernizada com o rap e com esse tal de rock.

Na tarde e na noite de hoje, nova chance de encontrar a poesia e a musicalidade deste incrementado vate paraibano. Ao meio-dia e às 19h, o músico abre e encerra, respectivamente, uma programação que, ao longo de toda a tarde, de hora em hora, a partir das 13h30, contará com atrações um tanto quanto mais heterodoxas: Plastic Noir, K-waves, Altifalante, Jabá e a Fotossônica e ainda Sede Vacante. Uma chance para conhecer muita gente boa, certamente.

O caldeirão de Beto Brito fervilha, não se aquieta nunca. Quer dizer, junta a raiz, a força revigoradora da tradição, com as folhas fresquinhas das levadas e concepções mais atuais. Assim, com este “herdeiro dos ancestrais do cordel”, a nordestinidade desta linguagem embrionária e tão natural do Rock-Cordel, ou seja lá que denominação venha a ter, alcança relações cada vez mais complexas e universais.

Das feiras, as violas, rabecas e zabumbas transcendem, aqui e acolá em “Imbolê”, as formas tradicionais do baião, das emboladas e das cirandas, através dos compassos coerentes de grooves eletrônicos, guitarras pesadas e até mesmo de outras fontes orgânicas, de cítaras a tambores de outras plagas.

O rock vem forte em “Pau Podre” e “Ciranda mei-de-feira” e até no punch acústico de “Chá de coragem” . Mais groovado, bem Nação Zumbi, em “Dureza”. E além do Mestre Ambrósio e de Humberto Teixeira, em “A mulher e o teatro´ e ´Isso é coco”.

É a música regional cada vez mais próxima da World Music. E de volta à feira, noutra linguagem, a dos próprios cordéis escritos por este dinâmico paraibano. Historias nordestinas, igualmente tradicionais e contemporâneas: das “Lendas do Folclore Popular” à “Nova Peleja de Zé Ramalho com Zé do Caixão”. É “cordel e som na caixa”, como está estampado na sua caixinha.

(© Diário do Nordeste)


Na batida do “Imbolê”

HENRIQUE NUNES

Como bom cordelista, Beto Brito esbanja bom-humor e jeito de profeta. Os grooves de Gabriel Martau e a guitarra pesada de Robertinho de Recife se embolam no rock ´Papagaio imbolador´. Bem Zeca Baleiro. A levada eletrônica converge com o rap e a oralidade nordestina em ´Tá com medo, pra que veio?´ e na homenagem à ´Zabé´ da Loca, na palma da mão e da programação.

Prevalece o rock mais agateado pela rabeca de Beto e pela guitarra e cítara de Robertinho. Até na acústica ´Chá de coragem´. Mais groovado, em ´Dureza´, e mais orgânico, na ´Zé Limeiriando´, em dueto com Zé Ramalho.

(© Diário do Nordeste)


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