Prestes a
incendiar o Carnaval baiano, a rainha da axé music prova
que também faz sucesso no mundo empresarial

Por Carlos Sambrana
Ivete Sangalo
se prepara para a fotografia em sua casa de veraneio na
idílica Praia do Forte, a uma hora de Salvador. Ela
encosta na mesa, abre o sorriso que lhe é tão peculiar e
recebe os disparos dos flashes. “Ivete!”, chama o
fotógrafo. “Poderia fazer uma pose mais séria, de
executiva?” Antes da resposta, Jesus Sangalo, irmão da
cantora e seu empresário, interrompe. “Ela não é
executiva, ela é uma artista e não leva o dia-a-dia na
empresa.” Ok! Ivete, de fato, não é executiva. Ela é, na
verdade, a dona. Mas, com licença do compositor baiano
Dorival Caymmi, o que é que essa baiana tem? Além de uma
beleza encantadora e um talento ímpar para levantar o
público, essa baiana de Juazeiro, prestes a incendiar
mais um Carnaval em Salvador, tem oito empresas que
deverão faturar R$ 40 milhões até o fim de 2007. O seu
grupo, o Caco de Telha, atua em quase todas as áreas do
entretenimento. Tem uma gravadora de discos, produtora
de DVDs, agência de marketing promocional, organiza
shows para outros artistas, realiza eventos corporativos
para grandes empresas, faz festas de formaturas e
casamentos, vende ingressos e os chamados abadás de
blocos carnavalescos e, em breve, terá uma casa de shows
para 12 mil pessoas em Salvador. “Me sinto livre para
dar a palavra final nos negócios”, disse Ivete à
DINHEIRO. “Mas a opinião do coletivo sempre foi
a grande filosofia da nossa empresa.” Bota coletivo
nisso!
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Formaturas:
as organizações das festas foram iniciadas em
agosto de 2005 e para este ano já há nove
contratos fechados. |
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Os negócios dessa artista arretada são
comandados por Jesus Sangalo e uma equipe de outros sete
executivos. Eles dirigem quase 300 funcionários e
organizam 700 eventos ao ano em todo o Brasil. Do total
de toda a receita do grupo, os shows e contratos de
Ivete representam 70% e os outros 30% são de eventos
corporativos e do faturamento com artistas empresariados
pela Caco de Telha, como Banda Eva, Luiz Caldas, Netinho
e outros baianos. O objetivo de Jesus, contudo, é fazer
com que essa proporção se inverta nos próximos anos.
“Queremos que 80% do faturamento venha de outros
negócios”, avisa Jesus, ressaltando que a idéia é
inverter sem que as receitas de Ivete caiam. A julgar
pela meteórica trajetória da Caco de Telha, não é de se
espantar que isso aconteça em breve. A empresa, fundada
em 1996 para cuidar da carreira solo da estrela,
inaugurou um novo braço a uma média de um ano e dois
meses. “Elas foram surgindo de acordo com a necessidade
dos nossos clientes”, diz Jesus. Entenda-se, por
necessidade dos clientes, a gana de não perder
oportunidades que surgiam pela frente.
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Sem rivais:
a venda de ingressos e
abadás para os carnavais fora de época é feita
pela Axé Mix, criada para acabar com
intermediação. O abadá custa, em média, R$ 1,2
mil por três dias. |
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A primeira delas foi na venda de
abadás e de ingressos para shows. Na Bahia, o negócio
estava concentrado apenas na concorrente Central do
Carnaval. Para não ficar na mão da empresa, criou-se,
então, a Axé Mix. Deste projeto, logo em seguida, surgiu
outro. Como os blocos são eventos que reúnem milhares de
pessoas e dezenas de patrocinadores, a Caco de Telha
arquitetou a Nova Promoções, uma empresa de marketing
promocional para dar suporte aos parceiros. “A idéia é
ligar um negócio no outro”, diz Ricardo Martins,
vice-presidente do grupo. Foi o casamento perfeito. Isso
porque essa ligação com as grandes companhias fez surgir
a Caco Eventos Corporativos. “Quando nos ligavam para
contratar um show da Ivete, oferecíamos o pacote todo”,
explica Martins. Ou seja, a produção, a iluminação, o
buffet, os convites e toda a organização. Foi dessa
forma que conquistou clientes do porte de Unibanco,
Danone, Vivo, Scania e Bradesco. O caso deste último é
mostrado com orgulho. No ano passado, o banco pretendia
fazer uma festa para 850 convidados brasileiros e
estrangeiros na Arena Telemig, em Belo Horizonte. E,
como diria Ivete, a festa rolou. A Caco de Telha
transformou o ginásio esportivo em um requintado espaço,
criou os convites em português e em inglês, contratou
recepcionistas trilingües, decorou o lugar e coordenou o
buffet. Ah! Ainda tinha um show de Ivete.
As parcerias entre as empresas e o
grupo da cantora rendem negócios de todos os lados. A
Avon, por exemplo, queria um show da estrela para um de
seus eventos anuais. A Caco de Telha farejou um bom
negócio e chamou os executivos da companhia de
cosméticos para uma conversa. Saiu de lá com a tarefa de
organizar o evento anual da empresa e, de quebra,
intermediou uma reunião da Universal, a gravadora de
Ivete, com a Avon. Desse bate-papo surgiu um dos maiores
negócios do mercado fonográfico brasileiro. Antes de o
álbum “As Super Novas”, de 2005, ser lançado, a Avon
comprou 500 mil cópias para revender no seu catálogo. O
segredo para fechar esses contratos se esconde na imagem
que Ivete Sangalo construiu ao longo de mais de uma
década de carreira. “Ela não abre portas”, diz Jesus.
“Ela escancara qualquer porta.” E prossegue. “Se eu
pudesse pôr na minha identidade que sou irmão de Ivete,
poria sem dúvida.”
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Eventos corporativos:
a Caco de Telha transformou a Arena Telemig, em
Belo Horizonte, em um requintado espaço para uma
festa do Bradesco com 850 pessoas. |
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Não é apenas Jesus que procura usar o
nome da ilustre irmã para conquistar novos clientes.
Marcas como Danone, Nova Schin, Garnier, Kopenhagen e
Grendene também buscam a imagem da artista para vender
iogurte, cerveja, produtos de beleza, chocolate e
calçados. Estima-se que o seu cachê para emprestar o
nome em um simples comercial alcance R$ 500 mil – R$ 200
mil a mais do que ela cobra por show. Só da Nova Schin,
comenta-se no mercado publicitário, a musa do axé music
teria recebido a bagatela de R$ 9 milhões. Ela é muito
procurada porque sua imagem é muito forte. E não se
trata de palpite. A agência de publicidade Young &
Rubicam comprovou a força da marca Ivete Sangalo na
pesquisa Brand Asset Valuator, realizada em 2005. Foram
entrevistados três mil brasileiros entre 18 e 64 anos
das classes “A” a “D” em todo o território nacional. Os
resultados servem para analisar quatro pontos
fundamentais para a sobrevivência de uma grife:
diferenciação, estima, relevância e familiaridade. No
quesito estima, a estrela perdia apenas para Ayrton
Senna e Ronaldinho Gaúcho. Isso, é bom salientar, antes
do fracasso do camisa 10 da Seleção Brasileira na Copa
da Alemanha. A pesquisa mostrou também que ela tem uma
imagem 30% mais dinâmica, 43% mais glamourosa e 11% mais
divertida do que a média das celebridades. “Dificilmente
a Ivete fará propaganda de produtos chatos”, diz Cesar
Ortiz, diretor de inteligência de mercado da Young &
Rubicam. “Ela sabe qual é o patrimônio dela como marca.”
É difícil ver a estrela Ivete agindo
como uma estrela – geralmente antipática ao assédio. Ela
consegue passar a imagem de uma pessoa de sucesso que
mantém suas raízes, sem deixar de atender o seu maior
bem, os fãs. “Ivete reúne atributos de alegria e
brasilidade”, diz Eduardo Tomiya, diretor da consultoria
BrandAnalytics. Mas isso não quer dizer que essa imagem
seja perene. Afinal, ela é uma pessoa e não um rótulo.
“Artistas são como ondas”, diz José Roberto Martins,
diretor da GlobalBrands, consultoria especializada em
avaliação de marcas. “Hoje ela é a bola da vez e amanhã
alguém ocupará o seu lugar.” Pode ser. Se isso
acontecer, ela ainda terá a Caco de Telha para brilhar
no mundo empresarial.

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R$ 40 milhões
é quanto a Caco de Telha deverá faturar neste
ano |
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R$ 300 mil
é o valor estimado do cachê da artista por show |
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OS PONTOS FORTES DA CANTORA
••••• OS MAIS
ESTIMADOS PELO PÚBLICO
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O que ela é em
comparação
com a média das celebridades
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Eis
o resultado de uma pesquisa
realizada com três mil brasileiross
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43%
mais glamurosa
30%
mais dinâmica
11%
mais divertida |
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1º
Ayrton Senna
2º
Ronaldinho Gaúcho
3º
Ivete Sangalo |
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Fonte: Young & Rubicam |
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Fonte:
Young & Rubicam |
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